segunda-feira, janeiro 04, 2010

Ainda bem que o Estado nos protege

Isto é o que nos diz o monopólio energético - garantido por privilégios do Estado, para variar - sobre alternativas que pudessem melhorar a vida dos «consumidores de energia» (eufemismo para «toda a gente»).

É claro que sendo protegidos pelo Estado da anarquia dos mercados competitivos, nunca saberemos que melhorias em qualidade e descidas em preços ocorreriam se outras empresas pudessem entrar no mercado sem estarem agregadas ao cartel da EDP e sem estarem reguladas por uma agência governamental cujo único propósito é aumentar os preços todos os anos.

O problema da EDP é, aliás, sintomático da toleima da esquerda e da direita em conjunto. A esquerda acha que o problema da EDP é ser privada e que em vez de burocratas em nome próprio e com subsídios do Estado, a empresa devia ser liderada por burocratas em nome do Estado e com subsídios do mesmo. Se é certo que seria menos imoral - porque ao menos manteria a ilusão de que se tratava de «serviço público» -, a solução esquerdista seria totalmente ineficiente e, no fundo, resultaria no mesmo que o cartel subsidiado da EDP.

A direita dos partidos, porém, acha que o «mercado liberalizado» da EDP é óptimo e nunca lhe ouvimos qualquer palavra de crítica a esta forma muito particular de «liberalização». Um monopólio, segundo a peculiar teoria, é benéfico desde que não seja, em título, do Estado. Mas visto que é a força do Estado que mantém potenciais competidores de fora (ou que os obriga a juntarem-se ao cartel), a diferença entre um monopólio que é do Estado e um monopólio que é mantido por ele não é nenhuma.

Para todos os efeitos e na prática, a EDP, a Mota-Engil e inúmeras outras empresas são apenas ramificações ou tentáculos do organismo Estatal, que não sobreviveriam sem os preciosos contratos e privilégios que lhes são concedidos. Por outras palavras, em competição aberta, o dr. Jorge Coelho teria de arranjar um emprego.

Entretanto, os consumidores são protegidos dos malefícios de preços mais baixos e melhores serviços pela benevolente acção do Estado - enriquecendo alguma gente com boas ligações partidárias pelo caminho. Dado que toda a produção necessita de energia, a queda nos preços desse bem essencial repercurtir-se-ia nos preços de todo o tipo de bens e serviços, o que se traduziria na melhoria imediata do nível de vida da população (tirando o nível de vida dos senhores da EDP, é claro). Ainda bem que o Estado nos protege.