segunda-feira, março 01, 2010

# 31

«O Bloco Central (sob a presidência de Sócrates?) seria, como é óbvio, uma solução expedita para liquidar o regime. Como a crise não acaba com certeza tão cedo (2012? 2014? muito mais tarde?), um governo do Bloco depressa perderia a popularidade e, com ela, a "legitimidade de exercício" que uma coligação não pode dispensar. Ainda por cima, nada nos garante que o PS e o PSD fizessem juntos tudo aquilo que não conseguiram fazer sozinhos. Pelo contrário, o Bloco instalaria no principal centro de decisão os conflitos que normalmente se dispersam pela Assembleia, pela administração do Estado, pela própria sociedade (pelos media, por exemplo). O Bloco é a receita para a balbúrdia, a paralisia e o imparável crescimento da corrupção. É uma admirável receita para o desastre. 

Com uma agravante, se a experiência acabasse mal (como fatalmente acabaria), o que ficava? Nem o PS, nem o PSD, sendo ambos cúmplices do fracasso, ganhariam a maioria absoluta. A Assembleia continuava tão impotente e dividida como hoje. E o regime ficava com um único recurso, o Presidente, e com uma única aspiração, a autoridade.»

Vasco Pulido Valente, no Público.