terça-feira, março 23, 2010

O cheiro da China.

Ok, a China tem uma bolha gigantesca, semelhante à americana e intimamente relacionada com esta, prestes a estoirar. É verdade que o mercado imobiliário vai ficar em cacos. Mas no essencial a China vai recuperar rapidamente e em força (assumindo que o PCC não volta ao maoísmo ou keynesianismo): a China é um dos países mais produtivos, talvez o mais produtivo, do globo. Os EUA, com a mesma bolha e as políticas keynesianas e inflacionistas, vão sofrer a maior recessão da sua história. Até porque é bem provável que a China, perante a recessão, comece a preocupar-se mais com a dívida americana e a despejar os dólares no mercado, o que destruirá a moeda americana e levará o governo americano à falência. Para piorar, os EUA - ao contrário da China - já não têm poupanças (isto é, capital), nem uma base industrial que permita produzir, muito menos produzir em quantidades suficientes, tudo o que presentemente importam. Vai ser preciso tempo e capital (estrangeiro, provavelmente asiático) para substituir os campos de golfe e os centros comerciais por quintas e fábricas; o poder de compra dos americanos (e dos europeus) vai descer drasticamente e subir na mesma medida para os países asiáticos (sobretudo para os chineses). 

Eu não me preocuparia muito com a China e com os chineses. Os americanos e os europeus, pelo contrário, vão provavelmente passar as próximas décadas a emigrar para a Ásia em busca de empregos de baixa qualificação. É que, feliz ou infelizmente, a China é hoje mais capitalista e liberal (economicamente) do que os países onde o liberalismo existiu outrora. E uma vez removido o imperialismo monetário americano, os chineses poderão usufruir da prosperidade que produzem e merecem.