quinta-feira, março 04, 2010

O entusiasmo dos moderados pelos paliativos

Tudo muito certo senhor Raposo. A retórica certamente que aponta «um novo caminho», uma «ruptura». Mas como «acabar com a promiscuidade entre o público e o privado»? Qualquer homúnculo do Bloco sublinharia a necessidade da medida (embora por razões diferentes). Como fazê-lo é a questão que importa. O que parece, porém, é que a promiscuidade irá continuar com Rangel ou com Passos; simplesmente se irá alterar os privados que entram nas orgias públicas.

Quanto às escolas: nenhuma mudança de fundo será feita enquanto a educação for considerada «um direito». E para que a escola deixe de ser apenas um lugar onde os pais deixam os filhos a pastar, as escolas públicas, o ministério da educação e o financiamento estatal da educação tem de acabar, pura e simplesmente. Respeitaria Rangel se ele declarasse que quer entregar as escolas públicas à Igreja Católica (mesmo que não concordasse com ele). Não o respeito quando regurgita sofismos sobre a ruptura, a exigência e a autonomia que, no essencial, deixarão tudo no lugar sem mudar nada de essencial.

Mas, sejamos sinceros, alguma vez o PSD quis outra coisa?