terça-feira, março 30, 2010

O liberalismo de uns e de outros (II)

Aqui. Resume-se tudo nesta frase: «o Presidente da República deve adquirir novos poderes (...)». Repare-se que o «liberal» Raposo não fala em extinguir poderes, nem sequer  em limitá-los. Fala de delegar poderes que já existem, de um orgão do Estado para outro orgão do Estado. Por exemplo, o que pode ser o Banco de Portugal sob a autoridade do BCE senão um ministério das finanças alternativo? E, já agora, não seria de esperar que um liberal quisesse desfazer as burocracias (da qual o BdP faz parte, e que grande parte), em vez de simplesmente alterar o czar que decide o burocrata-mor que as preside?

E repare-se que o texto apela à mudança da constituição, e a uma mudança urgente. Será que tudo o que ocorre a Raposo para dizer sobre o assunto é a vã movimentação de poderes entre orgãos do Estado?

Presume-se que se em vez de Cavaco o PR fosse Alegre, o liberalismo voltava logo a vir ao de cima - a menos que o governo fosse PSD, nesse caso, voltava-se a dar poder ao governo, que sendo PSD, é sábio e nada, mesmo nada, socialista. É o chamado «liberal» de circunstância, ou como lhe chamaríamos se fossemos honestos: o apparatchik por excelência.