sexta-feira, junho 25, 2010

O imperativo de ser radical

A cordialidade do Manuel é sempre desarmante (talvez faça parte da sua estratégia) e merece respeito só pela capacidade de ser humano neste meio cibernético. Ainda assim, e embora agradeça a paciência com as minhas provocações, tenho infelizmente de discordar. 

Se eu tivesse (e graças a Deus não tenho) coleguinhas socialistas de todas as cores e feitios, jamais lhes daria tréguas. Não só insistiria no ataque (intelectual), como queria que essa guerra fosse quente, ardente; jamais fria. Perante gente sem escrúpulos morais e/ou sem células cerebrais, só intransigência. Como disse Karl Hess: extremismo na defesa da liberdade não é um vício; moderação na procura de justiça não é uma virtude. E como diria Lord Acton, o liberalismo procura o eticamente correcto, independentemente do politicamente possível.

Imagine o Manuel que estava não a debater a intervenção estatal na educação, mas a questão da escravatura. Pediria o Manuel gradualismo, moderação, compromisso - pelo simples facto de que a maioria dos seus pares eram fervorosos defensores da ideia e da prática? Chegaria ao ponto de dizer que pequenos passos em direcção à não-escravatura eram justos - ou mesmo desejáveis? Causar incómodo, choque ou raiva em criaturas que advogam tamanha violação dos princípios mais básicos do Direito Natural é mais grave do que a violação em si? Não merecem as vítimas ser poupadas a mais uma violação dos seus direitos; não merecem os criminosos e defensores do crime verem a sua ignominiosa actividade exposta e sofrer as devidas consequências?

Eu percebo bem a cruz social que é ter escrúpulos morais e aplicá-los publicamente a questões políticas numa sociedade estatizada em que as várias correntes de pensamento vigentes são socialistas de uma forma ou de outra. Mas, ao contrário do Manuel, eu acredito que a causa libertária é melhor servida pela defesa intransigente do que pelo compromisso gradualista. Porque como dizia o abolicionista americano Garrisson: gradualismo em teoria é perpetuação na prática.