segunda-feira, julho 12, 2010

O liberalismo de uns e de outros (IX)


Posso estar enganado, mas o texto parece-me ser um ataque directo aos anarco-capitalistas, os supostos utópicos do vasto movimento liberal. Mas gostava que o Bruno, ou o Rui - a partir de agora o meu censor preferido -, me citassem alguma passagem de algum autor anarco-capitalista (ou mesmo anarquista individualista), que defenda ou acredite no que eles parecem acreditar que nós defendemos ou acreditamos. De Molinari e Spooner até Rothbard ou Hoppe, nenhum teve a pretensão ridícula de propôr tamanha estupidez. Obviamente que ou não se deram ao trabalho de ler, ou são simplesmente idiotas úteis e desonestos.

É triste, porque parecem ser simplesmente incapazes de entender que nós não dizemos que o ser humano irá ser sempre ordenado e eficiente sem a interferência de terceiros. O que nós dizemos, munidos de uma teoria ética, é que seja qual for o resultado da coerção ela é injusta, e não se devia recorrer a ela. - claro que, não tendo princípios, é difícil entender este ponto 

E dizemos também, munidos de teoria política e económica, que só na ausência de coerção existe verdadeira preferência demonstrada e logo eficiência económica discernível. No fundo, é o mesmo que os liberais clássicos moderados diziam, mas de forma coerente e sistemática. Infelizmente, até esses foram esquecidos pela defesa inconsequente do status quo. Uma defesa que, necessariamente, desdenha e detesta a ideologia, os princípios ou a teoria, porque não passa de prostituição intelectual a pousar como realismo.