quarta-feira, julho 21, 2010

Teoria, Estratégia e Utopia

É peculiarmente injusta e absurda a acusação dos liberais moderados, mesmo dos minarquistas, de que o anarco-capitalismo é um sistema utópico, tentando com isso colocar-nos na mesma prateleira que o misticismo marxista. E a primordial razão porque o fazem é a seguinte: a ausência de uma teoria estratégica. 

A primeira pergunta que um moderado fará perante a exposição dos princípios anarco-capitalistas é: e como é que se chega a essa sociedade? Logo a seguir, postulam sem reflectir que é impossível. Ora, por muito que a questão estratégica seja importante - e é - a acusação de utopia fundada nessa questão é ridícula. A única coisa que o anarco-capitalismo tem em comum com o comunismo (o paradigma da utopia políica) é ser anti-status quo, e logo, revolucionária. De resto, tudo nos separa no campo ideológico. Existem poucas teorias políticas tão vastamente sistematizadas e concisas como o anarco-capitalismo; além disso, a teoria não utiliza conceitos difusos ou místicos - pelo contrário, são bastante precisos e todas as definições claras. Ao contrário dos comunistas e marxistas originais, os anarco-capitalistas expuseram sempre e de forma detalhada os princípios e o funcionamento da sociedade que advogam. Ao contrário dos marxistas, não fazemos quaisquer previsões. Os marxistas tinham, além de um conjunto de slogans e de ideias roubadas e distorcidas dos liberais clássicos, apenas uma teoria de estratégia. A falta de uma teoria de estratégia é a base das acusações de utopia., precisamente aquilo que nos distingue de todas as utopias (e do marxismo em particular).

Isso só pode querer dizer que esta estirpe particular dos nossos críticos é desonesta. Ou assustadoramente estúpida.