quarta-feira, agosto 04, 2010

Terceira resposta breve ao Joaquim


De facto. Se aceitarmos que a coerção e o roubo são formas legítimas de acção e coerentes com os princípios libertários, temos de aceitar a legitimidade e a coerência da participação dos libertários na prática dessas actividades. Eu não aceito a coerção e o roubo como formas legítimas de acção, e logo, não aceito que o Estado seja uma entidade legítima e coerente com os princípios libertários.

Depois, o Joaquim continua para nos dizer que existem duas «democracias», duas formas de governo público. Uma, que existe «na maior parte dos países europeus» que é apenas uma «ditadura da maioria. Um sistema que viola sistematicamente os direitos dos cidadãos e os transforma em súbditos

Mas exise outra, uma democracia pura e virgem, que é a República. E na República «o poder da maioria está constitucionalmente limitado pelos direitos de cidadania e, aí, o sistema democrático é apenas um meio de escolher os nossos representantes para um governo limitado.». Este modelo é o que o Joaquim chama de Jeffersoniano.

Para um homem que se presta a citar Bill Clinton para provar aos seus leitores que não existe conhecimento apriorístico irrefutável por qualquer experiência empírica, o Joaquim certamente consegue, quando quer, ignorar os factos. Porque o facto é que a República Jeffersoniana é, duzentos anos depois, uma mera «ditadura da maioria» - o welfare/warfare state - tal como a teoria apriorística postula (sobre isto ler Democracy: the God that Failed, de Hans Hoppe - curiosamente, um anarquista conservador e liberal, algo que o Joaquim também não acredita ser possível existir). 

Esperar que um Estado seja limitado por um contrato, a constituição, que ninguém assinou ou virá a assinar, sendo o Estado a única instituição que pode interpretá-lo, é o cúmulo da ingenuidade. Como é evidente, o Estado interpretá-lo-á para seu proveito em todas as ocasiões. E sendo que estamos no plano do governo público, e não do governo privado e dinástico, não existe qualquer estrutura de incentivo à conservação do capital do país. Pelo contrário, todo o incentivo é para a pilhagem desmedida durante quatro anos, sem que os responsáveis sofram quaisquer consequências futuras.

PS: «A man is nonetheless a slave because he gets to choose a new master every term of years». Lysander Spooner.

PS: Como vê, caro Joaquim, ao contrário do que Bill Clinton pensa (?), um apriorista como eu não foge ao debate de ideias. Já agora, que mais se pode chamar a isto, senão uma evasão argumentativa?