quinta-feira, novembro 04, 2010

Crónicas do liberalismo moderno (III)




















«Obama conseguiu - finalmente - fazer uma reforma de saúde digna para os EUA. Os gritos de histerismo contra reforma de saúde de Obama retiraram o nosso olhar do essencial: Obama não está a criar um SNS rígido e semi-estalinista como o SNS português; Obama está "apenas" a dizer que todas as pessoas devem ter um seguro de saúde.»

e

«Obama, neste momento, é a melhor solução para quem é realmente conservador

Henrique Raposo, aqui.

PS: sobre a segunda parte citada, o Henrique é capaz de ter razão - dado que o conservadorismo se tornou na camaleónica conservação do status quo político que exista no momento.

2 comentários:

Filipe Abrantes disse...

então não é conservador impor um seguro a cada um? ora essa, Rui... :)

Anónimo disse...

Quando fui educado, lembro-me bem como me ensinaram a lutar por aquilo que queria e a compreender que nada caía do céu e tudo levava tempo.


Os pais treinavam os filhos a saber esperar, a saber persistir, a aguardar diligentemente a compensação do seu esforço.



Hoje, são poucos os pais que educam segundo este modelo. O critério do ter imprime um ritmo frenético à vida.



Antes, havia tempo para o ritual do tempo, a vontade era formada na resistência.



Hoje, o tempo tem o ritual de cada momento, a vontade é formada no frenesim de cada satisfação.



Antes, o tempo era uma escola, hoje é um embaraço. Antes, a disciplina interior sabia a libertação, pela firmeza que conferia à nossa atitude, hoje, a disciplina interior sabe a escravidão, pelo custo que confere a realização imediata daquilo que queremos.



Nos nossos dias, os pais desmesuram-se em ajudas aos filhos, em apoios, em cursos, em oportunidades, como antes não sucedia.



Mas negligenciam, nesta mímica social estranha de correr para todo o lado, os mais simples valores da correcta formação humana.



Quantos pais hoje falam aos filhos em disciplina? Quantos pais hoje ensinam os filhos a saber esperar?



Resmungamos generalizadamente que há um desencontro entre o que todos querem e o que é possível a todos dar.


Resmungamos, mas não vamos ao fundo da questão.



Como podem os pais de hoje transmitir aos filhos os valores mais preciosos, se eles próprios os abandonaram?



Como podem os pais educar os filhos a saber esperar, se eles próprios abraçaram a lógica imediatista da vida moderna?



Como podem os pais transmitir disciplina aos filhos, se eles próprios perderam os critérios em que a disciplina se funda?



A disciplina, no entanto, é a ferramenta decisiva da vida, como o saber esperar é a atitude própria das grandes realizações.



Como diz M. Scott Park, com alguma disciplina, resolvemos alguns problemas da vida, com total disciplina resolvemos todos os problemas da vida.



Na vida afectiva, não há grandes amores, nem grandes amizades sem disciplina.


Na vida em geral, em todos os aspectos da vida, não há destinos significativos à espera de quem não tem disciplina.


A disciplina olha os problemas de frente e resolve-os.


A disciplina cuida da força de vontade, dispõe-se ao essencial, sabe esperar.


A disciplina aceita a renúncia, o sacrifício, a abdicação — palavras hoje interditas.


A solução dos problemas de Portugal passa por aquilo que cada um de nós souber fazer a este respeito.