domingo, novembro 21, 2010

RE: HHH, a Monarquia e a Democracia (IV)

8) O problema deste argumento é que ignora o efeito mais profundo da redistribuição entre vários grupos da sociedade. E o problema é simples: é que a redistribuição da sociedade para o Estado desincentiva a produção mas não incentiva necessariamente o parasitismo; a redistribuição feita pelo Estado entre vários grupos sociais incentiva o parasitismo - isto é: incentiva a migração progressiva dos produtores e contribuintes para a posição de consumidores de impostos.

Dada esta migração, o problema da alta preferência temporal democrática torrna-se ainda mais destrutivo: o governante, pressionado para aumentar a generosidade do Estado Social, pode não aumentar os impostos - mas certamente aumenta a dívida pública ou a quantidade de massa monetária para financiar o aumento do Estado Social, sem qualquer consideração sobre os impostos futuros necessários para pagar a dívida ou os efeitos a longo prazo da inflação. Em suma, continuamos com o mesmo problema.

Problema que, em geral, não existe com o ditador que apenas redistribui para si. O máximo que se pode dizer é que o ditador temporário incentivará a emigração - o que terá um efeito negativo nos impostos colectados e provavelmente incitará o ditador temporário a baixar os impostos para atrair população produtiva. O problema democrático da alta preferência temporal (que existe, em teoria, também com o ditador não-eleito temporário) é precisamente mais perigoso e destrutivo porque o democrata tem de apelar ao voto e, em geral, fá-lo-á redistribuindo entre vários grupos da sociedade e não apenas redistribuindo para si.

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