terça-feira, novembro 16, 2010

RE: HHH, a Monarquia e a Democracia

A análise do Miguel está correcta até certo ponto, mas deixa de parte certas considerações importantes, que vão a favor de HHH.

1) A emissão de dívida e a inflação (que o Miguel não menciona) têm pesos diferentes para governos democráticos e para governos monárquicos. Um governante democrático pode não querer aumentar os impostos para não se tornar impopular, e no entanto pode gastar na mesma imenso dinheiro de futuros impostos (dívida) ou por meios inflácionários, cujas consequências económicas e políticas serão imputadas aos futuros governantes (que, à partida, não têm qualquer relação familiar consigo). Naturalmente, sendo o Estado monárquico hereditário, haverá um incentivo maior para que não destrua o futuro em prol do presente (como acontece em democracia). 

2) Como o Miguel mencionou, os governos democráticos tenderão a promover programas que agradem às massas ("Estado Social"); o que o Miguel não mencionou foi que os governos monárquicos não têm semelhante incentivo - dado que não existe a necessidade de ir a votos e de agradar às massas. Dado que as políticas do Estado Social reduzem o incentivo de ser produtor e aumentam o incentivo de se ser parasita, as consequências (económicas, mas também morais) a longo prazo serão desastrosas. Em monarquias absolutas ou feudais, esse problema, em princípio, não se apresenta. Além disso, e mais uma vez, as consequências contraproducentes e destrutivas de tais políticas, têm pouca importância para o governante democrático que as toma, dado que as consequências serão da responsabilidade do próximo governante eleito - enquanto que o monarca provavelmente não tenderá a querer  deixar os problemas aos seus descendentes.

3) Em teoria, qualquer cidadão de um Estado democrático pode tornar-se governante. Este facto contribui para uma menor resistência em relação às políticas do Estado, e logo, permite uma margem de manobra para expropriação e regulação do que num Estado monárquico, em que a distinção entre governantes e governados é mais visível, e logo, mais sensível à população. Em geral, haverá mais resistência à predação de um monarca do que de um presidente ou primeiro-ministro, não só porque podem substituir  o governante democrático por outro ao fim de uns quantos anos, mas porque eles mesmos poderão fazer parte da máfia e arrecadar uns tostões.

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