sexta-feira, dezembro 10, 2010

Israel (II)

É estranha a forma como alguns liberais vêem e defendem a existência do Estado Israelita como direito e benção do povo judeu.

Estamos a falar de uma das culturas mais antigas e mais ricas da humanidade, que sobreviveu, prosperou e manteve-se cultural e etnicamente coesa apesar de, durante a grande maioria da sua história, não ter um Estado para afirmar a sua auto-determinação e garantir essa coesão. Falamos, portanto, de um povo que escapou à deriva histórica do Estado-nação e que sobreviveu à margem do status quo estatista. 

À partida, um liberal deveria admirar e celebrar esta resiliência e coesão voluntária e anti-estatista do povo judaico. Só uma filosofia fundamentalmente estatista pode considerar o Estado de Israel como algo benéfico para o povo judeu, em teoria como na prática.

Na prática, o Estado de Israel foi uma invenção de Estados ocidentais (e da ONU) com resquícios coloniais (como existem outros tantos exemplos no "terceiro mundo"), com um projecto de quasi-socialismo. Na teoria, é simples perceber que a invenção necessariamente artificial de um Estado de denominação judaica só pode perverter a cultura que se fez fundamentalmente da sua ausência.

3 comentários:

Filipe Abrantes disse...

Se defendem Israel, Rui, é porque não são liberais. Entre defender os judeus genericamente (legítimo, justo e necessário - embora hoje já não tanto como há 60 anos...) e defender um estado, que ainda por cima é criminoso e se criou de forma criminosa e bélica, vai uma grande distância.

Anónimo disse...

É isso tudo. Deviam manter-se na Diáspora, à mercê dos anti-semitas.
Caros, a Alemanha Nazi foi a gota de água. A partir daqui quem quiser matar judeus, arrisca-se a levar na tromba.

Edgar Sousa Cavaleiro

Miguel Madeira disse...

Bem, os defensores de Israel estão sempre a dizer que é um país ameaçado de destruição, em luta constante pela sobrevivência, etc.

Logo, de acordo com o que dizem os pró-sionistas, quer dizer que Israel é dos países do mundo em que os judeus estão menos em segurança.