quarta-feira, maio 04, 2011

Breve comentário


O mercado fornece aquilo que é procurado - ou seja: o que os consumidores mais desejam é também aquilo que gera mais lucro, criando pois o incentivo para o fornecer. Se a grande maioria dos consumidores são imorais, hedonistas, etc, então o mercado irá fornecer em grande medida produtos imorais e hedonistas. 

Por outras palavras, o processo do mercado é neutro quanto às motivações e desejos dos consumidores. A única coisa necessária para que o mercado forneça aquilo que é moralmente saudável é, go figure, mudar a moralidade das pessoas. Admito que seja um processo complexo e demorado. Mas há-de ser melhor do que abolir pela violência o meio pelo qual a grande maioria das pessoas obtém os requisitos necessários para que que possam fazer qualquer escolha moral (comida, roupa, abrigo, etc.).

Adenda: essa solução de abolir o mercado por causa das escolhas moralmente erradas da maioria dos seus participantes, implica que a opção moral certa não é suficientemente persuasiva para ser adoptada - e logo, que é necessário acabar com os meios porque se é incapaz ou se acha impossível alterar (para o bem) os fins. É uma posição totalmente derrotista.

2 comentários:

Doispesoseduasmedidas disse...

http://doispesoseduasmedidas.tumblr.com/post/5580289070/socialismo-e-mercado

Rui Botelho Rodrigues disse...

tenho a certeza que a população da URSS achava perfeitamente razoável os gastos militares e policiais com que o Estado os reprimia e controlava.

e não, obviamente e pela mesma razão, também não é "eficiente ao decidir onde não devem ser alocados" os recursos (que não são apenas matérias-primas).

quanto aos Ferraris, não podemos fingir que vivemos num paraíso capitalista. em todo o lado onde existe mais ou menos capitalismo o Estado rouba grande parte da produção para a redistribuir (e não é só para os pobres - é também para gente que compra ferraris). além disso, o sistema monetário internacional é sistematicamente inflacionário (e logo, redistributivo - e em geral, ainda mais para os ricos do que a redistribuição directa) além de criar grandes distorções na alocação de recursos (em que a crise mencionada consiste).

e mais: é improvável que gastassem uma brutalidade em ferraris num país socialista porque: 1) a burocracia - que é quem pode comprar luxos num país socialistas - é sempre uma minoria; 2) o resto da população vive numa miséria abjecta e, não tendo o que comer, também não comprará ferraris.