terça-feira, outubro 11, 2011

Comentário

A isto e isto.

Um ponto importante sobre a possibilidade de criticar da mesma forma os liberais-libertários por utilizarem serviços do Estado (beneficiarem directamente dele é uma outra questão, a meu ver com uma resposta diferente). 

Ao contrário dos produtos das empresas em questão (ipads, iphones, etc.), os contribuintes pagam quer queiram quer não pelos "produtos do Estado", daí que usufruir deles é, ou pode concebivelmente ser, uma medida defensiva. 

Se um sujeito acredita que é injusto que os ipads sejam feitos por crianças em fábricas, ou que o sistema de "wage-slavery" deve ser subvertido ou outra tontice do género, têm a possibilidade de não contribuir para a perpetuação da coisa ao não comprar o produto. Se um contribuinte acredita ser injusto que lhe retirem parte do rendimento para subsidiar hospitais pode apenas resignar-se, pois a parte do rendimento vai ser-lhe retirada de qualquer das formas, e se quiser recuperar algum do dinheiro mesmo que sob outra forma, poderá frequentar hospitais subsidiados.

Por isso, acho que a crítica moral dos liberais-libertários é incorrecta; e a crítica semelhante dos protestantes anti-capitalistas é válida. Porque, repare-se, não estamos a falar de bens necessários à sobrevivência ou à vivência acima da miséria, são artigos de luxo com tecnologia de ponta - produzidos num sistema que consideram iníquo e com a exploração de gente pela qual eles se dizem solidários e cuja "opressão" pretendem cessar. É, se quisermos ser honestos, uma hipocrisia pura e simples.

Sem comentários: