sábado, outubro 01, 2011

Rui A. - o último cavaleiro do liberalismo

Circunstâncias pessoais não me permitiram voltar ao assunto mais cedo, mas ainda sobre este post: o Rui A. queixa-se que o Mises PT tem como objectivo «promover a divulgação e o ensino da Escola Austríaca na tradição de Ludwig von Mises» e depois se põe com anarcocapitalismos de mau gosto de quem foge de Mises como o vampiro foge a cruz.

Gostava de lhe perguntar (sabendo que ele não me vai responder) porque não se queixa ele do mesmo sobre o Mises Institute original e tenta da mesma forma demover os leitores nacionais da leitura desse site - que só alguém muito distraído ainda não reparou que está "infestado" de anarquistas rothbardianos?

E já agora, outra dúvida que me assaltou, porque não me menciona pelo nome, já que sou o autor do texto que originou a fúria? Será que ainda está chateado comigo por uma troca de piropos que sucedeu há um ano e em que a discórdia, diga-se, nem era directamente com ele, mas com um seu colega de blog - blog que entretanto abandonou?

O Rui A. é, de facto, muito engraçado: continua a debitar excertos sem qualquer comentário para provar que Ludwig von Mises e os anarco-capitalístas nada têm em comum - sem que, no entanto, responda à minha resposta (resposta essa em que incluí também um excerto que, além de provar que também consigo fazer citações, demonstra exactamente o contrário do que o Rui A. diz sobre Mises e a sua relação com o Liberalismo Clássico - que o Rui A. queria que lhe demonstrassem «que, nesta matéria, ele [Mises] se tenha afastado dos liberais clássicos». Claro que ele nunca a aceitará, mas não há problema: ele pode ficar com o liberalismo clássico e trazê-lo na lapela para as ocasiões. Mas daqui a pouco, com tantas citações, parecemos beatos a ver que parte da escritura é mais sagrada ou comunas para quem só a sua versão é a verdadeira forma de comunismo.

Outra coisa: num comentário o Rui A. escreve que «o estado parece ser uma inevitabilidade, o que, de resto, se não passarmos ao largo da História, se torna uma evidência». Acho sempre piada a esta menção da História e do estudo da mesma (de que o Rui A. é o mais pungente representante na blogosfera portuguesa, bem como do tema "a pureza do liberalismo clássico") como se a ocorrência ou não ocorrência histórica só por si pudesse estabelecer alguma verdade política ou económica. Não pode. Há duzentos anos assistiu-se ao desmentir da "evidência" e "inevitabilidade" da escravatura - que, olhando só para a História, teria de existir sempre. Mas dado que já foi há duzentos anos, e faz parte da História, este facto do fim da escravatura (que quebrou uma tendência até lá permanente) torna a quebra de tendências e tradições "permanentes" também uma verdade histórica? Se sim, então também se aplica ao Estado. Se não, então não se aplica a nada. Ou, a melhor hipótese, aplica-se apenas àquilo que o Rui A. achar necessário para pintar as ideias anarco-capitalistas como engenharias sociais perversas. Eu aposto nesta última.

Mas avançando, se o Estado sempre existiu (e, isso de alguma forma mística assegura que sempre existirá), então o Rui A. considera que 1) não podendo fazer nada quanto a isso temos de viver com o bicho e tentar fazer o melhor dele (liberalismo clássico utilitário), ou 2) o facto de sempre ter existido  torna-o o bom e desejável (que é uma espécie de parvoice oakeshottiana)? É que conforme lhe dá jeito para atacar o anarco-capitalismo, o Rui A. às vezes defende o Estado por uma questão de princípio inabalável e contrato social, outras de utilitarismo e de "perspectiva histórica" (é a chamada "fuga para trás"). Pessoalmente acho que é o que servir melhor o propósito de reduzir os ancaps aos "hippies de direita" (como dizia a Ayn Rand), mas isso deve ser má vontade da minha mente anarquista perigosíssima.

Difícil mesmo é discutir ideias com pessoas como o Rui A. que, por um lado, escreve um post para dizer mal do Mises PT e denunciar a forma como o site não segue a tradição liberal (quando devia ter dito mal só de mim ou só do meu texto) e depois se queixa que são os ancaps que criam cisões e estão obcecados com a pureza ideológica. Numa palavra: ridículo. Em duas: masturbação mental.

PS: o Rui A. queria, já agora, «que os «miseanos» não estivessem permanentemente a pôr em causa os liberais clássicos, como [se] Mises não o tivesse sido». Nisso já não o posso ajudar, pois hei-de continuar a pôr em causao liberalismo e Mises naquilo em que estava errado ou incompleto. Na medida em que Mises foi um liberal clássico típico, é necessário acrescentar, rever e corrigir (coisa que Rothbard ou Hoppe já fizeram). Como diz o Rod Long "Mises wasn't really a misesian".

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