sexta-feira, novembro 11, 2011

Menos quatro feriados: a solução para os nossos problemas.

Parece que o governo quer extinguir quatro feriados, dois religiosos e dois civis, numa nova proposta fantástica para nos tirar da crise. Isso, a meia hora a mais por dia e mais meia dúzia de medidas paliativas vão presumivelmente "tornar-nos mais competitivos" ou "produtivos" ou coisa que o valha.

Não é que os feriados oficiais se recomendem. Numa sociedade livre, esse conceito não teria prática possível. Se uma pessoa religiosa quer usufruir de um feriado religioso, deve negociar com o seu patrão. Quanto aos feriados civis são uma manifestação pouco saudável, embora inofensiva, das religiões seculares da democracia e do nacionalismo. Por isso acabar com feriados oficiais até seria uma medida com valor . Se não fosse tomada por razões absurdas.

Porque achar que cortar alguns ou todos os feriados faz alguma diferença na produtividade do país e na competitividade das empresas é apenas uma exibição de ignorância. E se o governo não o acha, então trata-se de mais uma manobra publicitária sem consequência. O problema económico do país, como é óbvio, não é a quantidade de dias oficiais em que o governo nos diz para não trabalhar, nem é a tão apregoada preguiça das gentes. Mas a maioria das pessoas, governo incluído, parece achar que a baixa produtividade dos portugueses se deve precisamente ao facto destes não se esforçarem o suficiente. E se a direita quer que os portugueses se esforcem mais nos seus respectivos trabalhos porque acreditam que a nossa baixa produtividade se explica com uma tão dúbia teoria, a esquerda reclama porque os portugueses até são bons trabalhadores e até se esforçam bastante, por isso a baixa produtividade de que tanto se reclama só pode ser uma concepção iníqua dessa disciplina lúgubre chamada economia, que na verdade só serve para justificar os luxos da burguesia e a opressão do proletariado.

A verdade é que de medida irrelevante em medida irrelevante, o governo vai propondo e, se Deus quiser e estiver bom tempo, fazendo. É preciso é que se faça, e mostrar que se fez - seja lá o que for que se decidir fazer. De substancial, nada que se veja. Reduzir os impostos, nunca. Despedir funcionários públicos, ainda menos. Extinguir fundações, subsídios, parcerias público-privadas, talvez para o ano. Privatizar a RTP, a REN, a TAP, as Universidades, um dia (talvez quando D. Sebastião irromper do nevoeiro). Acabar com as férias pagas a vagabundos e criminosos (ou como se lhe convencionou chamar, Rendimento Social de Inserção), é melhor esperar sentado. Anular os rios de regulações inúteis e os inúmeros entraves intrusivos, com o tempo, com o tempo. Estas e outras medidas do género poderiam facilitar a acumulação de capital e encorajar o investimento, algo que realmente aumentaria a nossa produtividade e competitividade, talvez não tanto como a extinção de feriados, mas ainda assim.

A verdade é que com ou sem feriados, mais meia hora menos meia hora, a pátria definha sob o socialismo do governo mais liberal que já pastoreou as gentes lusitanas.

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