segunda-feira, maio 21, 2012

Mudam-se as moscas...

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Custa-me a entender o alvoroço perante a aberrante normalidade do "caso Miguel Relvas". A coisa é condenável? Claro que sim. Mas só gente muito crédula se surpreende. Enquanto houver poder para tal, abusá-lo não é uma anomalia: é a consequência lógica.

Da mesma forma, quem esperava que Passos Coelho condenasse, e demitisse, o ministro Relvas só pode pertencer à mesma espécie que esperava um PSD liberal.

Como se costuma dizer: só se desilude quem tem ilusões. Mudam-se as moscas... e o resto já se sabe.

quinta-feira, maio 17, 2012

Não importem o BOPE.

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A resposta adequada à criminalidade violenta não é dar mais poder e mais armas ao Estado, como se sugere aqui. A solução a longo prazo passa pelo desmantelamento do Estado Social e pela derrota ideológica da mentalidade secular e esquerdista da vitimização dos criminosos, que efectivamente patrocina e justifica a degradação moral que se torna cada vez mais comum e variada. 

A curto prazo, a resposta adequada à criminalidade violenta é a legalização das armas, da legítima defesa e da formação de milícias voluntárias. Porque "importar o BOPE" só vai adicionar um gangue, ainda maior e mais bem armado, aos outros, e este com permissão legal e salário pago pelo contribuinte.

A Telenovela do Cinema Português.

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O João Pereira Coutinho é um moderado com sentido de humor e cinismo qb - o que para a sociedade respeitosa e hipócrita em que vivemos o torna um perigoso polémico. Como escreveu umas banalidades sobre a indigência dos cineastas portugueses, e nem sequer umas banalidades especialmente provocatórias, caiu-lhe a Esquerda em cima, com o dedo em riste e a perene acusação de crime de neoliberalismo.

O João Pereira Coutinho não falou, porém, na idiotia e falta de vergonha dos cinéfilos blasé que por muito que escondam as suas "boas intenções" culturais sabem que estão a exigir dinheiro roubado aos contribuintes para ver filmes que mais ninguém quer ver - se quisessem, não era preciso roubá-los. Também não falou na, conhecida mas pouco explorada, obsessão da Esquerda com tudo o que passa por "cultura", que se observa em primeiro lugar sobre o cinema e que é resumida numa frase de Woody Allen «if a guy comes out onstage at Carnegie Hall and throws up, you can always find some people who will call it art.».

É aliás, inútil, tentar chamá-los à razão e falar-lhes no mundo real (mesmo da forma simplificada como o JPC tentou fazer): estamos na presença de artistas que não podem ter preocupações mundanas como financiamento e rentabilidade. Eles não são deste mundo; existem num lugar à parte, algures no Bairro Alto ou no Chapitô, onde se respira e se discute a Arte (com A grande) e onde - em nome da Arte - se congeminam petições (a que chamam ultimatos - e não se sabe o que farão, ou deixarão de fazer, se não lhes fizerem as vontades) que lhes permitam viver neste limbo artístico. Nisto, parecem verdadeiras personagens de uma telenovela (formato que detestam, porque agrada ao povinho e, como tal, dá dinheiro): unidimensionais e repetitivos. E eminentemente ridículos.

Só um cineasta português (naturalmente, de esquerda) poderia sequer conceber uma frase - e patrocinar uma mundividência - como esta: «é precisamente o oposto da caridade aquilo que se pretende: um país onde exista o sentido de dever, por parte do Estado, de estabelecer condições para que os seus artistas criem em Liberdade.» Esta redefinição de liberdade criativa (na verdade, uma declaração de dependência absoluta) por parte dos artistas do cinema é a confirmação do que o JPC escreveu.

Seja como for, ter um mentecapto como o João Salaviza a criticá-lo num site do Bloco de Esquerda só pode ser um bom sinal para o João Pereira Coutinho.

domingo, maio 13, 2012

A oportunidade que é estar desempregado numa social-democracia.

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Ia responder a este magnífico exemplo de sabujismo sobre as recentes e infelizes declarações de Passos Coelho, mas já outro insurgente se insurgiu:

«Seria importante que Passos Coelho não se esquecesse de que, quando fala do desemprego em Portugal, está a falar em grande medida de uma série de pessoas que não viram apenas o seu emprego a desaparecer – antes viram desaparecer toda e qualquer perspectiva de de exercerem qualquer actividade. Pessoas que trabalhavam em indústrias que perderam por completo toda a sua competitividade com o exterior, que se tornaram obsoletas, que nunca mais regressarão ao nosso país; e pessoas que não têm (no horrível termo burocrático dos nossos dias) “competências” para procurarem empregos noutras áreas; ou que por terem 40, 45, 50 ou mais anos, são consideradas demasiado velhas por “empreendedores” como os que enchem os discursos de Passos Coelho; que, pura e simples, foram deixadas para trás pelo andar da carruagem. Essas pessoas, mudaram mesmo de vida. Mas essa mudança foi efectivamente uma tragédia para elas, e não lhes abriu qualquer oportunidade. 

Mas se Passos Coelho quer realmente que os portugueses vejam o desemprego como uma oportunidade, tem bom remédio. Porque é dele e dos seus colegas de Governo que isso depende. A única forma de o desemprego deixar de ser, para muita gente, algo de permanente, mas apenas algo de temporário, e dee as pessoas procurarem aproveitar as oportunidades que lhes possam surgir e criar as que não estão imediatamente ao seu alcance, é o Governo realizar uma série de reformas que até agora ainda não passaram do papel, ou nem sequer nele foram escritas. Quando for mais fácil contratar, quando as empresas e as pessoas puderem canalizar as suas receitas para o investimento em vez de para o pagamento de impostos, quando criar uma empresa deixar de ser um pesadelo e a economia for realmente “dinâmica” o suficiente para o risco que as pessoas correm possa valer a pena. Mas para isso, o Governo terá de, em vez de se limitar a fazer discursos, realmente fazer essas reformas. Até lá, as únicas oportunidades que existem são as que Passos Coelho perde de estar calado

quinta-feira, maio 10, 2012

Vasco Pulido Valente sobre o Cinema em Portugal

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«A primeira coisa a compreender sobre o cinema é que não há dinheiro que vede o cinema. Porque os filmes são cada vez mais caros e porque o número de cineastas tende para o infinito.

Se alguém apontar uma câmara para qualquer sítio e carregar num botão, a câmara, coitada, filma fatalmente qualquer coisa. Se se gravarem depois umas conversas, as conversas ficam fatalmente gravadas. E se se puser, por aqui e por ali na banda sonora, um bocado de música, a música lá toca onde a puseram. Uma das tragédias do cinema está em que sai sempre. O mais completo mentecapto, incapaz de comer a sopa sozinho, pode perpetrar com facilidade um filme. Nos últimos anos, bandos de mentecaptos perpetraram, por consequência, filmes.

A seguir, estas criaturas juntam-se em celebrações, denominadas festivais, e atribuem-se reciprocamente "espigas de oiro" ou "salamandras de prata", que, em princípio, premeiam a excelência das suas façanhas. A quantidade de "espigas" e de "salamandras" é mais ou menos igual à quantidade de filmes e, assim, na prática não chega a haver perigo de um filme não se adquirir uma "espiga" ou uma "salamandra" que o recomende. Isto não significa evidentemente que seja visto fora dos festivais, onde vão sobretudo autores de outros filmes à cata de "espigas" e de "salamandras". Uma percentagem altíssima dos filmes portugueses não chega a estrear-se nos cinemas comerciais ou, quando se estreia, não passa de uns dias de exibição. Milhões de contos foram espatifads nestes exercícios clandestinos, a bem da cultura e do nosso querido "imaginário" lusitano»

Vasco Pulido Valente, Retratos e Auto-Retratos, p. 56-57

quarta-feira, maio 09, 2012

Convenção Ateísta Mundial.

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O secularismo militante que promove estas convenções é o mesmo secularismo que minou todas as relações de autoridade tradicionais, que promoveu todas as formas de degeneração moral possíveis e imaginárias e que ameaça destruir a civilização ocidental por dentro, ao negar os princípios fundamentais sobre os quais esta se funda com todas as consequências práticas que isso implica. 

Mas o verdadeiro perigo parece ser a meia dúzia de muçulmanos que protesta o triste espectáculo.

segunda-feira, maio 07, 2012

Admirável mundo secular.

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«It is not one page. It's two. It is all about the right of a woman not to be a mother. Half a dozen no-mothers are interviewed with marvellous stories to tell us. Not a single mother is mentioned or interviewed. I am glad my mother did not exercise that right. What about you? For a moment I wished the journalist's mother had exercised that right. What a trash of a paper Público is becoming.»


Mais uma consequência grotesca e suicidária da sociedade secular. Não deixa, porém, de ser curioso que o secularismo seja tão auto-destrutivo de um ponto de vista darwiniano.

sábado, maio 05, 2012

O terceiro (e espera-se, último) post sobre o Pingo Doce.

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Serve o presente texto para adereçar algumas questões levantadas um pouco por toda a blogosfera e na imprensa, em geral de esquerda (mas sendo a direita o que é, algumas das questões são partilhadas pela direita “responsável” do PSD e do CDS).

O Boicote e a “afronta” ao 1º de Maio.

Não vejo mal nenhum em boicotes. Podem ser estúpidos, irrelevantes e ignorantes - como são quase todas as actividades dos sindicatos e da esquerda, e este boicote não é excepção - mas considero-os totalmente legítimos (desde que não forcem ninguém a juntar-se ao boicote ou invadam a propriedade de quem querem boicotar). O que o Pingo Doce praticou foi, no fundo, um boicote ao Dia do Trabalhador. Mas, claro, não se pode presumir que a Esquerda julgue que os donos das empresas tenham direitos iguais aos empregados. Igualdade, sim – mas não dessa estirpe burguesa.

Dito isto, fico feliz pela demonstração de força perante os sindicatos, que são verdadeiramente uma força contra o progresso e contra as melhorias das condições dos trabalhadores. A única coisa que pode melhorar as condições, incluindo a remuneração, do trabalho é mais investimento. Ao haver mais investimento, há mais emprego, logo mais procura de trabalhadores. E se há mais procura, o preço aumenta (neste caso o preço do trabalho). E todas as políticas defendidas pelos sindicatos são contrárias a isto - vindas certamente do seu preconceito para com, e ignorância de como funciona, o capitalismo. As melhores condições não impediram, nem permitiram, o progresso: foram um produto desse progresso.

Esta é mais uma razão para aplaudir o Pingo Doce: desmistificar e desvalorizar o papel dos sindicatos na melhoria das condições de trabalho, que é na verdade um mito, e um mito grosseiro, só pode trazer boas consequências a Portugal.

Finalmente, a questão da “procura de poder político” pela Jerónimo Martins. É possível. E se assim se vier a confirmar, podem contar com a minha total execração e condenação. Pelo que fez até agora, só posso aplaudir.


Generosidade ou a procura de lucros, monetários ou outros?

Pode haver quem defenda que a campanha foi o produto da generosidade do empresário, mas não eu. Eu assumo, e aplaudo, que o Soares dos Santos esperasse apenas tirar proveito da situação, sendo este na forma de lucros, publicidade ou qualquer outro tipo de proveito material ou psicológico que lhe apeteça. Quem compreende minimamente como o mercado funciona sabe que um capitalista, a não ser que o faça através do Estado, só pode obter lucros servindo os consumidores melhor que os seus concorrentes. Se nesse processo os levar à falência, melhor – seja pela introdução de um novo produto, seja por reduzir os preços. É porque esses concorrentes estavam a desperdiçar recursos necessários ao mundo, que agora serão usados em coisas mais úteis. Cada escolha que fazemos como consumidores determina o sucesso e a falência de empresas, e como tal a gestão dos recursos. Quem acha isto “selvagem” deveria voltar a andar de carroça, em solidariedade aos fabricantes que foram à falência depois da invenção e comercialização do automóvel.

Escravos? 

É verdade: houve quem apelidasse de escravos os empregados do Pingo Doce que escolheram trabalhar no dia 1 pelo triplo do dinheiro, ganhando quatro de férias e podendo usufruir da promoção mais tarde, longe da confusão. É preciso dizer mais alguma coisa?

Dumping.

Como pude comprovar em conversa com um amigo, ainda há quem acredite, mesmo na presença de uma calculadora, que é possível fazer lucro vendendo abaixo do preço de custo – insistindo no chavão anedótico: «They lose money on every sale, but they make it up on volume.»

Pelo que pude ver da blogosfera e dos jornais, o meu amigo não é caso único. Quanto a isto não há, verdadeiramente, nada que se possa argumentar.

Já a segunda acusação é, pelo menos, possível – e no entanto é ainda mais irrelevante: o Pingo Doce praticou dumping, não para obter lucros no momento, mas para levar à falência a concorrência e, posteriormente, quando estiver em posição “monopolística”, aumentar imenso os preços e obter lucros nunca vistos.

Há duas questões a tratar nesta acusação. Uma é ética: deve uma pessoa poder vender abaixo do preço de custo com intenção de levar a concorrência à falência. E a outra é: será que isto funciona. Vamos tratar primeiro da segunda.

A verdade é que a técnica não funciona, por muito que a esquerda acredite que sim. Em primeiro lugar, quantos dias teria o Pingo Doce de estar aberto, a perder dinheiro por vender abaixo do preço de custo, para levar à falência a concorrência? O mais certo era ir à falência primeiro, mesmo que a concorrência não fizesse nada – o que é duvidoso. A concorrência provavelmente fecharia as portas temporariamente e faria uma de duas coisas, ou ambas: dar férias aos empregados; ou pagar-lhes para se irem abastecer de stocks ao Pingo Doce (como fez Herbert Dow contra o cartel alemão que tentou essa prática). Mas no caso do Pingo Doce conseguir levar os concorrentes à falência, depois de ter estado a perder dinheiro por bastante tempo, e finalmente poder aumentar vertiginosamente os preços, o que sucederia? É provável que, dado os entraves estatais que existem ao empreendedorismo, a solução demorasse um pouco a chegar; mas mais tarde ou mais cedo, e não seria muito mais tarde dado os potenciais lucros de quem vendesse a preço de mercado, contra os preços exorbitantes do Pingo Doce, novas empresas viriam e reestabeleceriam o equilíbrio de forças que existia antes do dumping. Claro que isto nunca chegaria aqui, e que a tentativa efectiva e continuada de dumping levaria, isso sim, o Pingo Doce à falência.

A segunda questão é um pouco mais complexa, e dada a moralidade ambígua tanto da esquerda como da direita, é muito mais difícil de compreender nos moldes do pensamento vigente.

Em quase todas as críticas que li, salientava-se a questão da intenção, naturalmente maléfica; e salientava-se também o carácter de lei. E se a lei é lei, então é porque deve ser lei e quem viola a lei é criminoso porque violou a lei que é lei e que como tal deve ser lei (de que outra forma se pode representar o raciocínio, se é que se pode designar assim o que fazem, de algumas pessoas em relação a isto?).

Nenhum pensamento sobre a necessidade ou justiça desta lei. Simplesmente a condenação: se violou a lei deve ser punido. A esquerda sobretudo deveria lembrar-se que nem todas as leis são justas (ou já abandonou uma das poucas causas justas que a animam, a legalização das drogas?).

A verdade é que não há absolutamente nada de criminoso em vender algo abaixo do preço de custo. Quando alguém o pratica na feira da ladra com um cd velho que já não lhe interessa, ou pela internet com um artigo cuja utilidade foi mal avaliada, não é dumping – nem ninguém se chateia. E porquê? Porque quando uma empresa, por exemplo o Pingo Doce, o faz, e ainda por cima em mais do que uma unidade e em vários produtos, fá-lo com a intenção de atingir a concorrência.

Leis que visam punir não só práticas mas intenções não são leis dignas desse nome. Qualquer empresa deveria poder, sem ter de pagar qualquer multa, vender abaixo do preço de custo e sofrer as consequências naturais da prática.

O facto de isto ser objecto de uma lei, e de discussão, só demonstra a estupidez e a hipocrisia generalizada do Estado e dos idiotas inúteis que o servem.

Os apelos aos “descontos de 100%”.

Esta é talvez a mais nojenta de todas as reacções, porque trata-se de um apelo directo à pilhagem em massa, à destruição de propriedade privada, ao caos social e à “luta de classes”. Custa a perceber como é que há quem deseje isto a alguém, sobretudo vindo da esquerda que supostamente se preocupa com o povo. Do caos e da violência contra inocentes, nada de bom pode vir ao mundo. Há gente que, de facto, só quer ver o mundo a arder.

«O partido que, com as suas virtudes e os seus defeitos, tem governado o país nas suas fases mais difíceis e levado o barco a bom porto»

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Até o bebé se ri. 

sexta-feira, maio 04, 2012

O cinema português

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Anda por aí uma petição, com o título de Cinema Português: Ultimato ao Governo, que pretende mais financiamento do Estado (what else?) aos cineastas portugueses. Nada de surpreendente, portanto. Faria mais sentido uma petição que exigisse dinheiro ao governo para que os cineastas portugueses nunca mais filmassem nada. Dado o potencial sanitário de um tal ultimato, e contra as minhas convicções, até ponderaria subscrever. Assim, não.

Os "artistas" do cinema em Portugal ainda não perceberam que os subsídios não substituem a inexistência de uma tradição, nem a ausência de  talento. Ou se calhar já sabem. Mas os prémios atribuídos por outros "artistas" e criaturas semelhantes lá fora, no estrangeiro - imagine-se - vão alimentando a ilusão e as pretensões. E toda a gente precisa de comer. Se for à custa dos contribuintes sabe ainda melhor. E se se puder revestir esse desejo com uma aura de direito ao dinheiro dos outros e dever desses outros ao "apoio à arte", é ouro sobre azul.

Eu culpo o capitalismo por criar meios de fazer filmes acessíveis aos cineastas portugueses que, mesmo necessitados de subsídios, ainda vão pegando na câmara e carregando no rec (e pouco mais que isso, como pode confirmar quem já viu um filme português).

quarta-feira, maio 02, 2012

O segundo post sobre o Pingo Doce.

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É absolutamente fantástica, no sentido de ser irreal, a forma como a esquerda olha para o "caso Pingo Doce". Uma coisa é certa: o epíteto de esquerda caviar nunca fez tanto sentido.

A título de exemplo, o quanto a esquerda caviar se importa com as pessoas mais pobres (que constituiram a maioria dos que acorreram aos supermercados Pingo Doce para aproveitar a promoção), pode ser visto na forma como o Sérgio, com a educação própria da tradição intelectual em que se insere, os descreve: «a horda de zombies consumistas», que «não chegarão a perceber que parte daquilo que compraram não era absolutamente necessário e por isso viverão felizes na ignorância dos estúpidos

Esta certeza sobre o que é absolutamente necessário aos outros (outros esses que, não sabendo, vivem na "ignorância dos estúpidos") é, de resto, aquilo que define a esquerda em geral, e esta estirpe mimada e arrogante em particular. Mas é triste confirmar a sua cegueira quando ela se traduz tão visivelmente na total ausência de compaixão e decência pelo próximo. No fervor ideológico esquecem-se do fundamental: que não é o desinteresse das massas pelo Dia do Trabalhador, nem são as intenções potencialmente maléficas da empresa, nem o relativo caos que a situação proporcionou. O fundamental é que uns bons milhares de pessoas terão um mês ligeiramente melhor e mais desafogado num ano extremamente difícil.

Nestes momentos percebe-se que é irrelevante dar lições de economia a pessoas assim, porque o que lhes falta é muito mais significativo e não é susceptível de ser aprendido.

PS: De notar também é a ululante imbecilidade dos bovinos que nos pastoreiam, nomeadamente a da ministra Assunção Cristas, sempre na crista da onda estatista, que agora tem «planos para evitar promoções inesperadas». Aqui vemos como a direita se junta à esquerda no desprezo pelos mais pobres.

O post sobre o Pingo Doce.

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Poucas vezes se notou tanto a proclamada "cassete" como neste primeiro de Maio em que o Pingo Doce decidiu melhorar a vida dos portugueses (dos que puderam comprar bens essenciais a 50% do preço e dos que trabalharam, recebendo o triplo e ainda um dia de folga). Isto, que qualquer pessoa com um cérebro e algum sentido de decência deveria aplaudir, foi assim retratado pela esquerda: «o grupo Jerónimo Martins aproveitou a crise social que assola o país para, numa manobra populista criada para dividir consumidores e trabalhadores, afrontar os direitos dos trabalhadores. As filas de espera que marcaram o dia, com dezenas de pessoas a queixarem-se de não serem atendidas, foram rapidamente invadidas por pequenos comerciantes que, ironicamente, vêm as suas margens esmagadas pelo mesmo grupo de distribuição ao qual ocorreram hoje para encher a sua mercearia ou pequena loja. O sindicato do Comércio acusou hoje o grupo Jerónimo Martins de “dumping”, vendendo abaixo do preço de custo para esmagar a concorrência.».

A falta de sensibilidade e vergonha na cara desta gente, que se proclama a toda a oportunidade defensora dos mais desfavorecidos, não deixa de surpreender.

Aqui ficam testemunhos de agradecimento feitos pelos próprios consumidores, encontrados no Insurgente, e que mostram bem a disparidade entre a realidade e as cabeças do progresso:

«A todos os que por aqui desdenham desta iniciativa,e que enaltacem o dia dia do trabalhador,gostava que se lembrassem do MILHÃO de desempregados para quem esta iniciativa do PD vai fazer com que pelo menos o mês de Maio seja um pouco melhor. 

eu estive lá! no PINGO DOCE em Valadares VNG! foi simplesmente bombástico! o meu bem haja ao PINGO DOCE e a todos os funcionários que estiveram a trabalhar! Obgda Senhor Jerónimo Martins! 

fico muito feliz por saber que existem muitas famílias que podem dar este mês aos filhos aquilo que secalhar nao podem dar no resto do ano, e que têm um mês muito mais descansado ! porque a promoção apenas englobava bens essenciais!! secalhar as pessoas qe estão descontentes, sao pessoas que nunca passarao por dificuldades 

Acho que como consumidora devo expressar a minha opinião e AGRADECER ao PINGO DOCE pela promoção que fez hoje, posso dizer que fiz as compras em pouco mais de 2h e poupei 90€ o que significa que ganhei 45€ por hora. Para além disso só comprei produtos essenciais, que me enchem a despensa e me dá para o mês todo. 

eu achei a iniciativa do pingo doce mto nobre! as pessoas e q n sabem o q e viver em sociedade nem sequer sabem o civismo dai as confusoes q exitiram… pq se as pessoas soubessem o q e isso saberiam q chega para todos!!!! e os q falam mal!!! q nao gostaram da iniciativa e pq provavelmente n sabem o q e passar necessidade e nao saber o q fazer para n faltar comida a quem depende de nos!!»

 PS: Sobre o dumping, pensei honestamente que já ninguém levava a questão a sério. Mas pelos vistos, estava enganado.Dois textos interessantes sobre assunto: um de Thomas Dilorenzo e outro de Burton Folsom.