domingo, maio 13, 2012

A oportunidade que é estar desempregado numa social-democracia.

Ia responder a este magnífico exemplo de sabujismo sobre as recentes e infelizes declarações de Passos Coelho, mas já outro insurgente se insurgiu:

«Seria importante que Passos Coelho não se esquecesse de que, quando fala do desemprego em Portugal, está a falar em grande medida de uma série de pessoas que não viram apenas o seu emprego a desaparecer – antes viram desaparecer toda e qualquer perspectiva de de exercerem qualquer actividade. Pessoas que trabalhavam em indústrias que perderam por completo toda a sua competitividade com o exterior, que se tornaram obsoletas, que nunca mais regressarão ao nosso país; e pessoas que não têm (no horrível termo burocrático dos nossos dias) “competências” para procurarem empregos noutras áreas; ou que por terem 40, 45, 50 ou mais anos, são consideradas demasiado velhas por “empreendedores” como os que enchem os discursos de Passos Coelho; que, pura e simples, foram deixadas para trás pelo andar da carruagem. Essas pessoas, mudaram mesmo de vida. Mas essa mudança foi efectivamente uma tragédia para elas, e não lhes abriu qualquer oportunidade. 

Mas se Passos Coelho quer realmente que os portugueses vejam o desemprego como uma oportunidade, tem bom remédio. Porque é dele e dos seus colegas de Governo que isso depende. A única forma de o desemprego deixar de ser, para muita gente, algo de permanente, mas apenas algo de temporário, e dee as pessoas procurarem aproveitar as oportunidades que lhes possam surgir e criar as que não estão imediatamente ao seu alcance, é o Governo realizar uma série de reformas que até agora ainda não passaram do papel, ou nem sequer nele foram escritas. Quando for mais fácil contratar, quando as empresas e as pessoas puderem canalizar as suas receitas para o investimento em vez de para o pagamento de impostos, quando criar uma empresa deixar de ser um pesadelo e a economia for realmente “dinâmica” o suficiente para o risco que as pessoas correm possa valer a pena. Mas para isso, o Governo terá de, em vez de se limitar a fazer discursos, realmente fazer essas reformas. Até lá, as únicas oportunidades que existem são as que Passos Coelho perde de estar calado

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