segunda-feira, dezembro 03, 2012

Bater no ceguinho (parte II: a cassete)

A única "cassete" mais repetida que a do PCP é a dos que gozam com a mesma. E que gozo que dá ridicularizar um partido que mantém o seu discurso de ano para ano, de década para década, de eleição para eleição.

Esta história da cassete sempre me causou alguma confusão. Até finalmente perceber o porquê da famosa cassete comunista causar tanta gargalhada entre os moderados. É tão simples como isto: de tanta subserviência a um status quo partidário que muda de discurso como quem muda de roupa interior, com a flexibilidade própria de um acrobata ou de uma prostituta, os críticos da cassete são, na verdade, críticos de algo muito mais fundamental e importante: princípios. 

Num mundo cada vez mais cínico, em que o discurso político se encontra despido de qualquer ideia basilar ou valor moral, é natural que um partido que se recusa a alterar os seus princípios conforme a maré eleitoral exige se preste ao ridículo.

Por mim, ficava satisfeito se começassem a acusar os liberais de terem uma cassete. Era um óptimo sinal de que aderiam a princípios e que não os abandonavam à primeira oportunidade. A realidade, porém, é diferente.

O problema da cassete comunista não é ser cassete: é ser comunista. É de resto o mesmíssmo problema do discurso (e da prática) dos outros partidos, que apesar das manobras acrobáticas, não são menos comunistas que o PCP. São só mais arrivistas.

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