segunda-feira, maio 20, 2013

Liberalismo e os partidos (da esquerda à direita)

Ultimamente, pel'O Insurgente tem-se debatido muito as questões do liberalismo e do seu posicionamento num espectro partidário a la eixo uni-dimensional (i.e., se é de esquerda, direita, nenhum, ambos, etc). O último post desta série foi da autoria do Rui Albuquerque, mas tudo começou com um texto do Filipe Faria. Tudo isto serve para lançar o mote a uma discussão de que eu gosto muito — a posição do liberalismo dentro do jogo partidário — e que eu já abordei um pouco noutras ocasiões (vide aqui e aqui). 

No meio disto, cruzei-me (através do blog Bleeding Heart Libertarians) com um "estudo" do Montreal Economic Institute que fala de uma questão que será importante para um liberal: em termos práticos, quem é que mais contribui para o aumento do Estado? A conclusão é engraçada, e penso que é facilmente reproduzível num ambiente fora do âmbito estudado: na verdade, ser de esquerda ou direita não interessa para muito — o Estado vai expandir-se na mesma. Na verdade, e na análise do "estudo" (que é um pouco anedótica, daí ser um "estudo"), até são os partidos de esquerda que menos contribuem (alguns até diminuem) o peso do Estado.

O Jacob Levy, no post do BHL, acerta em cheio num ponto importante:

Libertarians often get taken in by words from conservatives, and many avow that we should prefer conservative government because conservatives at least occasionally talk about cutting the size of the state. But talk is all that it is. They do sometimes cut benefits to the poor– and because such benefits are justifiable under some theories, sometimes libertarians seem to emphasize cutting them with a little too much enthusiasm. But completely unjustifiable spending, spending that redistributes upward and that keeps crony firms alive and that overspends on defense and so on, is spending, too.

A discussão se o liberalismo é de esquerda ou de direita é um bocado fútil. A primeira questão é que, no discurso corrente (seja o da opinião pública ou até mesmo algum discurso académico), ambos os termos servem para conotar uma apreciação positiva ou negativa (imaginem o Jerónimo de Sousa a dizer "O Cunhal era um homem de esquerda" ou "O PS é um partido de direita"), mas raramente algo concreto sobre a acção em si; são termos que contêm uma apreciação e não referentes a um set de valores. A segunda questão é que, mesmo que a referência que a palavra "direita"/"esquerda" pudesse fazer fosse mais ou menos precisa e/ou livre de um julgamento de valor básico, de nada adianta: um termo tão vasto pode, simplesmente, embarcar um neo-nazismo fraquinho do PNR como um  conjunto de pessoas liberais (i.e., ambos são, supostamente, de direita). O que interessa realmente é, p.e.,  saber se uma dada ideia ou decisão adere ao NAP; ou, ainda, saber se respeita os direitos de propriedade privada.

Claro que podemos fazer uma coisa muito interessante que é, de cada vez que falamos de direita, definir claramente o que é que queremos dizer com isso (que acaba por ser um pouco isso que o Filipe Faria faz no seu post). Mas isso é quase como querer inventar uma linguagem privada, o que nos levaria para outras questões igualmente interessantes, mas algo distantes do ponto em discussão. A verdade é que a acepção corrente do termo não é interessante para nada. E daí achar que se devia abandonar uma discussão deste tipo, e preocupar-nos com coisas muito mais interessantes (I kid, I kid).

1 comentário:

Pedro Miguel Luzente Ferreira disse...

Acho que esse tema é absurdamente simples com um pouco de estudo dirigido a politica em seu âmbito econômico, a direita, é o lado que apoia as decisões de uma elite. O liberalismo econômico (capitalismo) e o mercantilismo são políticas de direita. Já a esquerda é uma politica essencialmente estadista e/ou totalitária e/ou populista. Sendo o centro do interesse o bem-estar geral da população. Ambas podem adquirir caráter autoritário/conservador, centro, ou liberal. Na direita autoritária existe movimentos como o nazismo, havendo fortes controvérsias visto que no momento nazista o estado participou ativamente no setor industrial. Na esquerda autoritária o maior exemplo é o comunismo (socialismo, marxismo) na união soviética sua aplicação quase perfeita (partindo que ele em tese seria uma transformação natural e lenta da modelo econômico e não imposto). Um país que pode ser citado como esquerda com controvérsias é a china. Já entre os países de direita liberal pode-se citar a Austrália e a maioria dos países da sociedade ocidental.