segunda-feira, julho 08, 2013

A situação nacional explicada às crianças: o direito ao chupa chupa.

Como uma esposa anúncia um divórcio, Paulo Portas anunciou a sua demissão. O primeiro ministro não lhe dava atenção, recusava-se a ver comédias românticas e a comprar-lhe gelado Ben & Jerry's, sabor Chubby Hubby. O casamento tornara-se insustentável. 

Em nome da estabilidade da família, Passos Coelho, de joelhos, implorou: prometeu ouvi-lo com mais frequência, sobretudo sobre assuntos de economia doméstica, fazer o jantar duas vezes por semana e pôr as meias para lavar (e comprar-lhe gelado - imperativo, com este calor). Portas voltou atrás, e mostrou quem, de facto, usa as calças.

Um casamento exige um equilíbrio ténue, e uma coligação é uma espécie de casamento. Certo: é um casamento que consiste no saque constante da riqueza dos contribuintes, na distribuição e destruição dessa riqueza e no impedimento, por lei, de certas formas de a produzir. Mas é uma espécie de casamento ainda assim.

Sendo um casamento por conveniência (sozinhos não tinham dinheiro para alugar casa - por causa da lei das rendas/ sozinhos não tinham votos suficientes para formar governo), a coisa mais tarde ou mais cedo azeda. Não porque tenham ideias opostas sobre o que fazer para o jantar ou sobre aumentar impostos vs. reduzir despesa: os conflictos são mais comezinhos. São conflictos, digamos, emocionais. Se por emocionais nos referirmos à promoção pessoal através do Estado. 

O casamento, porém, continua. O ressentimento, também.

A populaça, a imprensa e os blogues assistem a isto, manifestam-se, mostram ultraje moral ou comentam a situação com consternação.

Não é caso para tanto. Isto, este lodo, esta novela ridícula, é o corolário da democracia. Um sistema de saque institucionalizado, de socialismo mandatório e irrevogável. Irrevogável ao ponto de, elegendo um ou outro candidato, casado ou solteiro, havendo ou não sexo intra ou extra matrimonial, o resultado é sempre o mesmo. 

Não adianta discutir se o presidente deve dar a guarda dos filhos à mãe ou ao pai, ou dá-los para adopção e esperar que surja um pai ou uma mãe decentes para as crianças. 

As crianças serão agredidas e violadas  por qualquer pai e qualquer mãe que este sistema lhes ofereça. Se fazem birra, dá-se um chupa chupa, um game boy ou um subsídio, e acalmam. No fundo este é o mundo em que nasceram e o mundo em que acreditam. Levar porrada e depois receber um chupa chupa é a sua forma de vida.

Em breve, acabar-se-á o orçamento para chupa chupas. Só restará a porrada. Mas sendo crianças, o que é que vão fazer, além de bater com o pé e berrar? Nunca lhes passará pela cabeça que possam adquirir chupa chupas sem ajuda, pelo próprio esforço. Acham, aliás, que têm direito ao chupa chupa.

Contra isto, nada a fazer. É convocar eleições antecipadas e repetir o processo. Ou esperar pelas próximas e repetir o processo. É absolutamente indiferente. O país vai falir, com casamento, sem casamento, com homem solteiro ou em união de facto.

A falência é um destino, não é um problema. O problema é a ideologia cretina que nos destina à falência. Até deixarem de ser democratas, as crianças continuarão a levar porrada (outras, mais sabidas, arrecadam e distribuem os chupa chupas pelos amigos).

A novela prossegue dentro de momentos.

1 comentário:

Eduardo Freitas disse...

Clarividente. Até que ocorra o (inevitável) "Grande Incumprimento", de que vem escrevendo Gary North, nada mudará de substancial. Antevejo, num futuro não muito longínquo, que alguém venha a cunhar o período que se seguirá ao "Great Defaulf" como o da "Grande Implosão".