quarta-feira, dezembro 03, 2014

Parolos da província de S. Bento

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Estas coisas não deviam causar estranheza. Afinal de contas, o sector agrícola em Portugal passa muito por isto: fazer passar a impressão de que tudo corre muito mal, chorar um pouco, organizar uns protestos (se houver tractores suficientes), e esperar que os parolos da província de S. Bento abram a torneira. 

Afinal de contas, os parolos das outras províncias, ao verem o pranto dos oriziculores, só podem ficar comovidos: andam ali uns pobres diabos na agricultura (c'orror, que profissão tão passé), aquilo é vida dura, eu bem ouvia as história que o meu avô contava das jornas de 18h, o mínimo que podem fazer é atirar-lhes com notas para cima. A agricultura ainda é o sector artesanal que sustenta o mínimo de subsistência, e quem vive dela não passa disso.

Sejamos sérios. A agricultura é um sector com enormes deficiências estruturais. Esta notícia revela bem uma série desses problemas: a fraca organização dos agricultores, a falta de estratégia (e estratégia não é "ter lucros"), a pouca disponibilidade financeira para lidar com anos fracos, e o constante olhar para o pai estado como solução para os problemas que vão surgindo ou para melhorar aquilo que já existe.

Que se há de fazer? Dar subsídios, pois claro. Não investigar a doença, não melhorar normas de higiene e segurança, prevenir e melhorar. Há é que garantir que para o ano cá estamos todos outra vez para fazer choradinho.