sexta-feira, outubro 16, 2015

A distribuição de riqueza no séc XXI


A distribuição de riqueza, como existe hoje, é um problema. Negar isso e encolher os ombros é um erro de enormes proporções. Note-se que isto não é uma preocupação igualitarista, porque o problema que identifico não é contra a desigualdade em si, mas apenas com a forma como chegamos a este ponto. Este processo de transferência de riqueza para as mãos de poucos — os que beneficiam do modo como o "jogo" está montado — deve ser denunciado, pois prejudica precisamente as pessoas que procuram fazer a sua vida de modo honesto.

A seguinte imagem ajuda a perceber porque é que esta não é uma preocupação igualitarista:


A identificação da acção dos bancos centrais como agentes primeiros na criação de desigualdade na distribuição de riqueza já não é de agora. Aquilo a que se convencionou chamar "efeitos Cantillon" (algo já conhecido desde o século XVIII) explica bem o que se está a passar na ilustração acima: a ideia de que as políticas monetárias expansionistas dos bancos centrais são "neutras" e que há um número mágico que coloca o mercado em equilíbrio (sem qualquer efeito secundário no crescimento económico) é mentira; como sabemos que os mecanismos de transmissão monetária estão longe de ser perfeitos, é obviamente diferente receber o dinheiro criado nos balanços dos bancos centrais em primeiro lugar (quando ainda não houve ajustamento) do que em último (quando a economia já incorporou a nova quantidade de base monetária).

Por isso é que não se pode falar do aumento da desigualdade e da má distribuição de riqueza sem falar nas acções que os bancos centrais têm vindo a desenvolver já desde os finais da década de 70, e com especial ênfase desde a crise de 2007/8 (que, lembrem-se, está longe de estar ultrapassada — afinal de contas, dá sempre a sensação que estamos a um espirro de um evento catastrófico, só este ano já foi a Grécia, a China, as flutuações diárias de 5000pts na bolsa americana, etc).

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