quinta-feira, fevereiro 25, 2010

A ilusão monárquica

O Manuel Rezende queria que eu lhe respondesse a este post, que em contrapartida era uma resposta a um post meu, e eu faço-lhe o favor. A natureza e a legitimidade do Estado é um dos meus temas favoritos. Sou como um daqueles ateus que vive obcecado com a ideia de Deus – com a diferença que Deus, por definição, não interfere directamente na vida dos ateus. É uma história diferente quando se fala do Estado.

Nós divergimos num ponto essencial da questão e as nossas visões sobre a natureza do Estado – e a forma como ele se impõe à sociedade civil – são inconciliáveis. Para o Manuel Rezende, o Estado não se impõe: surge. Surge de uma necessidade hobbesiana de estabelecer a paz e a ordem, e longe de ser um agressor que subjuga a população aos seus serviços de protecção, determinando sem competição o preço desse serviço, o Estado é trazido pela mão invisível do mercado para satisfazer a necessidade de ordem e paz da população de um determinado território.

Diz o Manuel: «a humanidade, devido às consequências do Pecado Original ou - no caso dos ateus - devido a meras circunstâncias históricas e antropológicas, vê-se obrigada a criar o Estado para refrear os impulsos totalitários dos chefes tribais e das oclocracias.» Ou, posto por outras palavras, é uma escolha consciente da «humanidade» instaurar um Estado, dada a escassez de alternativas melhores. Ora, caro Manuel, a «humanidade» não existe; existem indivíduos, com ambições e objectivos. E se uns se «vêem» obrigados a criar o Estado, outros vêem-se obrigados a sofrê-lo. Nenhum Estado foi de facto criado com o consentimento dos cidadãos que pretendia governar (nem mesmo a federação americana). Na origem de um Estado está sempre o domínio de um grupo de indivíduos sobre outro grupo de indivíduos, não a escolha racional por uma forma de organização política em contraste com as outras.

Eu acredito no direito natural à propriedade, e o Estado é simplesmente um violador persistente e sistemático desse direito (seja no nosso corpo, nos recursos que apropriamos originalmente ou que adquirimos através de arranjos contratuais): o Estado, por outras palavras, existe para defender o direito natural à propriedade, mas só pode existir violando permanentemente esse direito. O terrível paradoxo é irresolúvel.

Tanto me faz que o governo seja eleito por sufrágio universal ou que seja liderado pelo déspota iluminado que o Manuel idealiza: a natureza da instituição é a extorsão e a expropriação, a escravatura e a opressão. Não sou anarquista por razões utilitárias, sou anarquista por princípio: eu acredito na associação voluntária, em self- ownership e self-government . E o Estado é por natureza coerção, roubo e subjugação involuntária. Promover uma elite aristocrática para guiar os destinos do reino é para mim tão imoral como ser governado pelo voto da maioria – embora seja ainda mais indefensável do que a mob rule democrática. A autoridade não consentida é, para mim, simples agressão, venha ela do Estado ou da Máfia ou de qualquer indivíduo. Geralmente, porém, vem do Estado.

Acho que a imagem que o Manuel adoptou do monarca que respeita as liberdades individuais e que tenta tudo ao seu alcance pelo «bem comum» - essa criatura mítica e mística – é sobretudo ingénua e anti-histórica. O «bem comum» não existe e a abstenção voluntária do uso do poder monopolístico pelo monarca é simplesmente impensável, já para não falar de sem precedentes.

A única vantagem da monarquia sobre a democracia e a república, é que os governados são naturalmente mais cépticos e hostis em relação a um governo em que não existe liberdade de entrada – como existe numa democracia republicana – e logo, em que a autoridade é mais obviamente injusta, invasiva e violenta. É o melhor que tenho a dizer sobre o esquema monárquico que propõe.

PS: Quanto à questão prática, lembro apenas que em 1700 a democracia parecia tão ou mais impraticável do que a anarquia hoje.

# 29

«L: It was always darkly humorous to me that in the Reagan years, the same people the lawfully constituted government of Nicaragua called rebel guerillas, the U.S. called freedom fighters – and yet the U.S. helped Saddam Hussein put down rebellion when he was an ally. Not that I cared for the socialist government of Nicaragua. The point is that if “we” like them, their opponents are terrorists, and if “we” don’t like them, their opponents are freedom fighters. It’s so hypocritical.

Doug: It’s perverse enough to be black comedy. I think this needs to be looked at from a personal point of view. Here was a man who was apparently just going about his business. He quite justifiably resented the government taking forty-plus percent of everything he produced. And worse than that, they were making it hard for him even to produce. They made his life miserable. He spent much of his time and money trying to fight within the system and got nowhere. Perhaps that was foolish of him, perhaps he should have just rolled over on his back and wet himself… just done what he was told and paid what he was told to. It’s the New American Way.

On a moral plane, I think it’s important to remember that groups of people can have no rights that the individuals who compose the group don’t have. In other words, if an individual does not have a right to do something himself, then neither can he delegate that right to a politician, policeman, nor some other authority. If it’s not his to give, he can’t give it.

If I don’t have the right to take money by force from my neighbor, I don’t gain that right by teaming up with others. A bunch of people voting for it doesn’t make it any more right. Suppose, for instance, a neighborhood voted to hire a motorcycle gang to defend it and “authorized” that gang to levy taxes by force, including on residents who didn’t want to go along with the plan. Most people would say that’s wrong. But somehow, if the government does exactly the same thing, people see it as okay

Doug Casey, em conversa sobre o homem que pilotou um avião contra o edifício do Internal Revenue Service.

terça-feira, fevereiro 23, 2010

O que significa laissez-faire para um intelectual de esquerda?


Eu sei que é muito fashionable e progressista ser pragmático e cínico, sobretudo sendo um intelectual e tratando-se de política. Mas só mesmo separando a ética da política é que se pode vir a apoiar Sócrates (ou Rangel, ou Passos) e a resignar-se ao lodo corporativista da nossa praça. Esta é, porém, a essência das nossas elites pensantes: reverência pelo poder primeiro, princípios depois.

Mas Eduardo Pita não se fica pelo utilitarismo niilista, avança rapidamente para a comédia. Repare-se:


Laissez-faire? Duvido que o poeta desconheça o conceito, também duvido que se tenha enganado. Mas sejamos justos: defender o status quo exige estes contorcionismos.

# 28

«Se repararem bem, Rangel, Passos Coelho e Aguiar-Branco dizem que querem acabar com as golden share. É uma forma fácil e barata de se mostrarem desprendidos em relação ao controlo das empresas semi-privadas. Mas, claro, o Estado não precisa de golden share para controlar empresas semi-privadas. Pode controlá-las através das participações directas do Estado, das participações indirectas via Caixa Geral de Depósitos, EDP, GALP e REN, dos reguladores, de subsídios, de concursos e da legislação. Quando um candidato a líder do PSD diz que quer acabar com as golden share eu apenas concluo que ele é esperto. Não concluo que ele quer acabar com a interferência do estado nas empresas

João Miranda, no Blasfémias.

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Ron Paul

Estupidez

Um bom exemplo do que, no mundo moderno, se chama «privatização»: a garantia estatal de um monopólio com dinheiro dos contribuintes. Os idiotas da esquerda não sabem o que protestam. E os idiotas da direita não sabem o que defendem. Será que foram todos educados em escolas públicas e requalificados nas Novas Oportunidades? Vá, não sejamos tão duros: na classe política, mais abundante que a corrupção só mesmo a estupidez.

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O que vale é que, educados em escolas públicas, os putos não lêem. E mais do que isso: um bando de burocratas sem cara  envolvido numa missão de ajuda humanitária é insusceptível de entusiasmar o mais entediante dos petizes. Felizmente, mesmo analfabetos, os putos não são parvos.

# 27

«Longe de lutarem contra o sistema, fazem parte integrante dele, e apoiam-no dedicadamente. Precisam dele. Mais concretamente, todos os grupos de pressão que pululam por aí pretendem utilizar o estado, uma instituição coerciva com dezenas de milhares de capangas armados, a seu favor. Não se opõem ao estado, ou sequer ao governo. Querem antes que este parasite e agrida por eles os seus semelhantes, os seus próprios compatriotas (não tendo coragem ou capacidade para fazê-lo eles próprios). Não querem liberdade. Querem privilégios.

(...)  todo este conflito social já cansa, não só pela imoralidade que demonstra, mas também por causa da sua fonte habitual: a esquerda. Apesar de nem só a esquerda se manifestar pelos seus privilégios, é claramente a líder na luta pelo "progresso social", como lhe chama. Pensando bem, o seu descontentamento é difícil de perceber. A esquerdalha já teve tudo o que quer: revolução, salário mínimo, liberdade de imprensa, controlo das rendas, subsídio de desemprego, partido comunista no parlamento, democracia, divórcio à la carte, reformas para os velhos, escola pública obrigatória, casamento panasca, imposto progressivo sobre o rendimento, aborto, hospitais públicos, etc, etc... Ou seja, temos uma social-democracia pesadona, bem longe do papão "Capitalismo Selvagem" ou do conservadorismo reaccionário retrógrado. Este é um regime de esquerda, mesmo quando a direita está no poder.

(...) Utilizando pretextos como a igualdade, a luta contra a pobreza, a luta contra a opressão do patronato, o direito a não sei quê, e não sei que mais, querem viver à custa dos outros. Quão bom seria não ouvir esta escumalha na televisão ou na rádio nem que seja por uma semana. Ouvi-los calados e contentados com os privilégios imorais que já "conquistaram"

Pedro Velhinho Bandeira, n'O Porco Capitalista.

domingo, fevereiro 21, 2010

Anarquia ou Estado total.

Para os sofistas do progresso como para os nostálgicos da reacção, o Estado é uma instituição na qual está transubstanciado o espírito da nação e do povo. Se antes o Estado era dominado pelos monarcas, cujo poder era uma dádiva divina, hoje o poder do Estado funda-se no princípio democrático do governo da maioria, igualmente mistificada para esconder a natureza perversa da ideia.

Nós somos o Estado, dizem eles. Por esta razão, o Estado, legitimado pelo espírito da nação e do povo, age como se fosse um indivíduo. O Estado, por exemplo, compra, vende, administra, decide, planeia, projecta e endivida-se. Tal como se de um indivíduo se tratasse, o Estado, que somos todos nós, «age»; o Estado age em nosso nome, como se nós «agíssemos». Mas não existem acções colectivas, só acções coordenadas colectivamente. Toda a acção é individual. Como então age o Estado, se nós, que somos o Estado, não agimos?

Pela força do hábito e pela facilidade da expressão, referimo-nos várias vezes ao Estado como um individuo, quando seria mais elucidativo referir os indivíduos que controlam o aparelho de Estado. Esta força de expressão facilita o trabalho dos sofistas, em garantir-nos implicitamente que o Estado somos «nós» e que nós agimos colectivamente através dele.

Dizer que o Estado planeia construir uma auto-estrada quer dizer que todos nós planeámos colectiva e sincronicamente a mesma auto-estrada? Ou, para usar o exemplo de Rothbard: visto que o governo nazi foi democraticamente eleito, podemos dizer que os judeus exterminaram-se a si mesmos, já que eram, também eles, o Estado? Nem um sofista sofisticado se arriscaria em tamanha patranha.

Se existe um problema com esta individuação de entidades colectivas, ela não é tão perigosa e tão enganadora no caso das entidades serem privadas. O Estado, por pretender representar-nos a todos, é um caso mais complicado. Enquanto que um accionista pode vender as suas acções e rejeitar responsabilidades pelos «actos» da empresa, um cidadão não pode fazer o mesmo com o seu governo. Pode, nas sociedades democráticas, escolher as pessoas que controlam o aparelho de Estado de tantos em tantos anos, e é apenas isso que pode fazer.

As forças conservadoras, por serem mais predispostas a acreditar em transposições místicas e incorporações fantásticas do colectivo numa entidade singular, acreditam certamente que o líder incorpora a alma da nação e, por isso, guia o seu destino com legitimidade. O espírito do tempo, porém, está contra os reaccionários; o misticismo da monarquia (ou da oligarquia de inspiração católica) foi substituído pela superstição da democracia – e a verdade é que até os mais puros reaccionários se sentem tentados a prestar reverência pelo processo democrático.

As mentes progressistas oferecem esse misticismo científico segundo o qual o sufrágio universal para eleger representantes políticos legitima o poder do Estado, isto é: legitima o governo eleito a usar o monopólio de poder estatal. Para estes sofistas, o Estado trata-se de um contrato entre o povo e o governo eleito, tendo esse governo o direito e o dever de, em nome do povo, fazer o Estado «agir».

Assumindo com caridade que o governo eleito representa mesmo quem o elegeu e que o uso do poder do Estado por esse governo teve origem num contrato com a maioria dos cidadãos, o Estado só pode agir com legitimidade sobre essa massa populacional. A todos os outros que não pertencem à maioria, o Estado não os poderá nunca representar. Se de facto o seu poder for voluntário da parte da maioria, não o será nunca para a minoria. Para a minoria será um poder hostil e indesejado.

No entanto, os indivíduos que estão no governo continuam a agir em nome de todos os portugueses, mesmo que o seu poder político não seja legitimado por todos os governados nem constitua um verdadeiro contrato.

Neste ponto da discussão, os sofistas abandonam a retórica grandiloquente do «contrato» e passam ao utilitarismo puro. Dizem eles que nenhuma das outras alternativas «justas» ao «governo da maioria» é viável, que nenhum governo poderia «agir» se precisasse do consentimento concreto de todos os cidadãos em todos os assuntos; para citar um personagem da hagiografia oficial: «a democracia é o pior dos sistemas, tirando todos os outros» - e aqui podemos assumir que os sofistas voltaram ao misticismo.

As acções individuais dos governantes em nome dos governados são arbitrárias e não têm qualquer fonte de consentimento ou de legitimidade sobre a totalidade dos indivíduos; como qualquer indivíduo, o que interessa aos políticos é representarem-se a si da melhor forma para obter o máximo de bem-estar. A única forma coerente de considerar o governo democrático é como a tirania da maioria sobre a minoria, outra forma de governo que inclui o privilégio de um grupo de cidadãos sobre todos os outros. Apenas se tornou o privilégio da maioria - partindo do princípio, pouco credível, de que os governantes representam de facto as vontades sociais dos eleitores.

Nenhum dos sofistas consegue sequer pensar numa forma de governo baseada no consentimento concreto de todos os indivíduos, mas ela existe, e chama-se anarquia. Na verdade, só a Anarquia e o Estado total são filosofias consistentes: se o monopólio do Estado é justificado – para os minarquistas – na produção e distribuição de serviços de segurança (sistema legal, tribunais, polícia e exército), não existe qualquer argumento lógico que sustente a sua limitação a essas funções. Se, por outro lado, se reconhece a superioridade do mercado livre na produção e distribuição da maioria dos bens e serviços, a implicação lógica é que o mercado será superior também na produção de segurança. Todos os meios termos representam, portanto, uma lógica incompleta.

O mercado pode fornecer todos os bens e serviços necessários à vida humana e sobretudo fá-lo-á de forma voluntária, espontânea e competitiva. Em vez de legitimar um monopólio de poder com o voto de quatro em quatro anos (sem no entanto ter garantia de que obtém aquilo porque votou e sem a hipótese de cortar o seu financiamento em caso de estar insatisfeito com o serviço), o cidadão vota diariamente no mercado, legitimando apenas quem serve satisfatoriamente as suas necessidades ao melhor preço, com a hipótese de alterar o seu voto de um dia para o outro e com uma gama imensamente mais vasta de alternativas.

O mercado livre é a melhor forma de democracia participativa que existe, e a sua defesa não pode ser apenas parcial, bem como a sua condenação. Por isso, aos apologistas do Estado (mínimo, médio ou grande) apenas aconselho alguma consistência lógica nos seus argumentos: está na hora de abraçarem o Estado Total.

PS: isto não é uma tentativa de alienar os minarquistas, mas de os convidar a abraçar a posição anarquista.

Um começo

Não é perfeito, mas é um começo.

sábado, fevereiro 20, 2010

# 26

«Economic control is not merely control of a sector of human life which can be separated from the rest; it is the control of the means for all our ends. And whoever has sole control of the means must also determine which ends are to be served, which values are to be rated higher and which lower, in short, what men should believe and strive for. Central planning means that the economic problem is to be solved by the community instead of by the individual; but this involves that it must also be the community, or rather its representatives, who must decide the relative importance of the different needs. The so-called economic freedom which the planners promise us means precisely that we are to be relieved of the necessity of solving our own economic problems and that the bitter choices which this often involves are to be made for us. Since under modern conditions we are for almost everything dependent on means which our fellow men provide, economic planning would involve direction of almost the whole of our life. There is hardly an aspect of it, from our primary needs to our relations with our family and friends, from the nature of our work to the use of our leisure, over which the planner would not exercise his "conscious control".» (p. 95)

F. A. Hayek, The Road to Serfdom (1944)

# 25

«(...) [Ayn] Rand used to identify certain terms and ideas as "anti-concepts," that is, terms that actually function to obscure our understanding rather than facilitating it, making it harder for us to grasp other, legitimate concepts; one important category of anti-concepts is what Rand called the "package deal," referring to any term whose meaning conceals an implicit presupposition that certain things go together that in actuality do not.[11] Although Rand would not agree with the following examples, I've become convinced that the terms "capitalism" and "socialism" are really anti-concepts of the package-deal variety. 

Libertarians sometimes debate whether the "real" or "authentic" meaning of a term like "capitalism" is (a) the free market, or (b) government favoritism toward business, or (c) the separation between labor and ownership, an arrangement neutral between the other two; Austrians tend to use the term in the first sense; individualist anarchists in the Tuckerite tradition tend to use it in the second or third.[12] But in ordinary usage, I fear, it actually stands for an amalgamation of incompatible meanings. 

Suppose I were to invent a new word, "zaxlebax," and define it as "a metallic sphere, like the Washington Monument." That's the definition — "a metallic sphere, like the Washington Monument. " In short, I build my ill-chosen example into the definition. Now some linguistic subgroup might start using the term "zaxlebax" as though it just meant "metallic sphere," or as though it just meant "something of the same kind as the Washington Monument." And that's fine. But my definition incorporates both, and thus conceals the false assumption that the Washington Monument is a metallic sphere; any attempt to use the term "zaxlebax," meaning what I mean by it, involves the user in this false assumption. That's what Rand means by a package-deal term. 

Now I think the word "capitalism," if used with the meaning most people give it, is a package-deal term. By "capitalism" most people mean neither the free market simpliciter nor the prevailing neomercantilist system simpliciter. Rather, what most people mean by "capitalism" is this free-market system that currently prevails in the western world. In short, the term "capitalism" as generally used conceals an assumption that the prevailing system is a free market. And since the prevailing system is in fact one of government favoritism toward business, the ordinary use of the term carries with it the assumption that the free market is government favoritism toward business. 

And similar considerations apply to the term "socialism." Most people don't mean by "socialism" anything so precise as state ownership of the means of production; instead they really mean something more like "the opposite of capitalism." Then if "capitalism" is a package-deal term, so is "socialism" — it conveys opposition to the free market, and opposition to neomercantilism, as though these were one and the same. 

And that, I suggest, is the function of these terms: to blur the distinction between the free market and neomercantilism. Such confusion prevails because it works to the advantage of the statist establishment: those who want to defend the free market can more easily be seduced into defending neomercantilism, and those who want to combat neomercantilism can more easily be seduced into combating the free market. Either way, the state remains secure.»

Roderick T. Long, no Mises Institute.

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

# 24

«The kings had long since granted to themselves the monopoly of minting coins in their kingdoms, calling such a monopoly crucial to their “sovereignty,” and then charging high seigniorage prices for coining gold or silver bullion. But this was piddling, and occasional debasements were not fast enough for the kings’ insatiable need for revenue. But if the kings could obtain a monopoly right to print paper tickets, and call them the equivalent of gold coins, then there was an unlimited potential for acquiring wealth. In short, if the king could become a legalized monopoly counterfeiter, and simply issue “gold coins” by printing paper tickets with the same names on them, the king could inflate the money supply indefinitely and pay for his unlimited needs.

If the money unit had remained as a standard unit of weight, such as “gold ounce” or “gold grain,” then getting away with this act of legerdemain would have been far more difficult. But the public had already gotten used to pure name as the currency unit, an habituation that enabled the kings to get away with debasing the definition of the money name. The next fatal step on the road to chronic inflation was for the government to print paper tickets and, using impressive designs and royal seals, call the cheap paper the gold unit and use it as such. Thus, if the dollar is defined as 1/20 gold ounce, paper money comes into being when the government prints a paper ticket and calls it “a dollar,” treating it as the equivalent of a gold dollar or 1/20 gold ounce. If the public will accept the paper dollar as equivalent to gold, then the government may become a legalized counterfeiter, and the counterfeiting process comes into play.» (p. 51, 52)

Murray Rothbard, The Mistery of Banking (1983)

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

Propriedade privada e anarco-comunismo

Este post é uma resposta ao Miguel Madeira (1,2,3).

Podemos definir propriedade como o «controlo exclusivo sobre um recurso escasso». A alegação proudhoniana, que o Miguel parece subscrever, de que a propriedade é roubo baseia-se no pressuposto de que um título de propriedade a um determinado recurso escasso é uma violação do direito de propriedade de todas as outras pessoas a esse mesmo recurso. Existem sérios problemas com este argumento e o primeiro é que não fica claro como se faz a transição entre o estado original, não utilizado, de um bem e o seu estado de propriedade produtiva. 

Consideremos uma plantação e apliquemos-lhe a teoria de Proudhon, de que o controlo exclusivo daquela quinta e daquela plantação por uma só pessoa é uma violação do direito de outras pessoas de fazer o mesmo. Porém, é preciso olhar para o tempo em que não havia quinta nem plantação, em que o recurso natural – a terra – estava inutilizado e selvagem. A transição entre o estado selvagem e o estado produtivo só pode ter ocorrido de uma forma: apropriação original. Uma pessoa ou um grupo de pessoas apropriou o recurso selvagem e transformou-o num recurso produtivo: nesse processo, o produtor original tornou-se o justo proprietário desse recurso. 

Passado o Estado original através de apropriação, o controlo exclusivo desse recurso pode ser transferido de duas formas: o produtor original pode voluntariamente trocá-lo ou ser expropriado: seja por um bando de criminosos, por um Estado ou por uma comunidade anarquista-socialista. É isto que Rothbard quer dizer com «a impossibilidade de socialismo sem Estado»: é que a única forma de impedir o advento da propriedade privada é através da sua apropriação por um grupo a que o produtor não consentiu qualquer autoridade para o governar e expropriar (seja esse grupo o Estado ou a comunidade anarquista como um todo). Eis porque a propriedade comunitária numa sociedade sem Estado não pode impedir a formação de propriedade privada sem se transformar numa espécie de Estado, que da mesma forma exerce autoridade ilegítima sobre indivíduos que não a consentiram.

Por outro lado, o conceito de propriedade comum é impraticável: ou todos os cidadãos têm o direito de controlar todos os recursos e assim decidir o seu destino, ou então esse direito é delegado a outros indivíduos. Não é difícil imaginar o caos inerente a uma situação de real propriedade comum: todas as diferentes ideias e opiniões de todos os cidadãos sobre o uso de um determinado recurso iriam permanentemente estar em conflito; só no caso de todos concordarem sobre o uso específico de um determinado recurso poderia ser esse recurso utilizado justamente. Tal fenómeno é improvável numa comunidade de dez pessoas, e impossível numa comunidade maior.
Nesse ponto, o direito comunitário à propriedade tem necessariamente de ser relegado a terceiros. Esses indivíduos, sejam escolhidos por voto democrático ou nomeados pelos anciãos da comunidade ou escolhidos por Deus, serão os respectivos proprietários, porque exercerão controlo exclusivo sobre determinados meios de produção – mesmo que apenas durante um determinado período de tempo. Quando se proclama que alguma coisa é «pública» é geralmente isto que quer dizer: o controlo exclusivo desses recursos por algum funcionário ou grupo de funcionários do Estado.

O Miguel escreve que «a propriedade (mesmo que pareça privada) é sempre uma criação, ou do Estado, ou da comunidade - se alguém é dono de algo, é porque o Estado e/ou a comunidade o reconhecem como dono.» Creio que existe aí um equívoco: uma coisa é o controlo exclusivo de um recurso escasso, outra o reconhecimento e defesa (ou condenação e ataque) desse controlo exclusivo. Muito antes de existir Estado ou comunidades definidas havia propriedade privada, havia apropriação original de recursos naturais selvagens e controlo exclusivo sobre o seu uso. As leis que eventualmente se constituíram para regular os títulos de propriedade são exteriores à própria propriedade, embora a sua sobrevivência dependa deles. Mas se numa ilha isolada um homem apropriar um recurso inutilizado, será o seu justo proprietário e exercerá controlo exclusivo sobre o recurso – mesmo que não exista mais ninguém na ilha para reconhecer o seu direito. Por outro lado, se chegasse um barco com comunistas à ilha e expropriassem o pobre individuo, não estariam a negar a existência de propriedade privada e de controlo exclusivo, estariam apenas a discordar sobre o título justo dessa propriedade, reclamando para si o direito desse controlo.

A propriedade é, pois, anterior às convenções sociais que se inventaram para a proteger. E se essas convenções são essenciais para distinguir entre propriedade justa (derivada de apropriação original ou troca) e propriedade injusta (derivada de expropriação violenta), deve ficar claro que o exercício de controlo exclusivo é inevitável em qualquer sociedade de seres humanos, que naturalmente «misturam o seu trabalho com a natureza» para melhorar a sua condição. 

Uma agência de protecção numa sociedade anarquista nunca será um Estado, mesmo que seja a única agência numa área geográfica, porque não deriva as suas receitas de expropriação colectiva e sistematizada. É apenas uma empresa que produz serviços de protecção. Se o sindicato cumprir as mesmas funções de defesa da propriedade da comunidade, não agredir contra a propriedade de indivíduos fora do sindicato, e obtiver as suas contribuições voluntariamente, não é pois um «Estado» e não me oponho minimamente à sua existência. 

O problema é a definição de justiça. Para o Miguel o proprietário está a agredir os sindicados porque não partilha a sua propriedade; para mim, se o sindicato tentar expropriar violentamente o proprietário para «o bem comum» é um agressor. 

Para acabar, deixo aqui uma citação do Rothbard que subscrevo:

«The only good thing that one might say about anarchocommunism is that, in contrast to Stalinism, its form of communism would, supposedly, be voluntary. Presumably, no one would be forced to join the communes, and those who would continue to live individually and to engage in market activities would remain unmolested. Or would they? Anarcho-Communists have always been extremely vague and cloudy about the lineaments of their proposed anarchist society of the future. Many of them have been propounding the profoundly antilibertarian doctrine that the anarcho-communist revolution will have to confiscate and abolish all private property, so as to wean everyone from their psychological attachment to the property they own. Furthermore, it is hard to forget the fact that when the Spanish Anarchists (anarchocommunists of the Bakunin–Kropotkin type) took over large sections of Spain during the Civil War of the 1930s, they confiscated and destroyed all the money in their areas and promptly decreed the death penalty for the use of money. None of this can give one confidence in the good, voluntarist intentions of anarcho-communism. (…)The individual’s desire for private property, drive to better himself, to specialize, to accumulate profits and income are reviled by all branches of communism. Instead, everyone is supposed to live in communes, sharing all his meager possessions with his fellows and each being careful not to advance beyond his communal brothers. At the root of all forms of communism, compulsory or voluntary, lies a profound hatred of individual excellence, a denial of the natural or intellectual superiority of some men over others, and a desire to tear down every individual to the level of a communal ant-heap. In the name of a phony “humanism,” an irrational and profoundly antihuman egalitarianism is to rob every individual of his specific and precious humanity.» 

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

# 17

«(...) planning always means planning by government authorities and execution of these plans by order of the government enforced by the police power. Planning is the antithesis of free enterprise and private ownership of the means of production. Planning and capitalism are utterly incompatible. Within a system of planning production is conducted according to the government's orders, not according to the plans of capitalist enterpreneurs eager to profit by best serving the wants of consumers. It is a delusion to believe that planning and free enterprise can be reconciled. No compromise is possible between the two methods. Where the various enterprises are free to decide what to produce and how, there is capitalism. Where, on the other hand, the government authorities do the directing, there is socialist planning. Then the various firms are no longer capitalist enterprises; they are subordinate state organs bound to obey orders. The former entrepreneur becomes a shop manager like the Betriebsfiihrer in Nazi Germany. 

The idea of planning by the organized groups of the various branches of production is very popular with some businessmen. This would amount to a substitution of compulsory cartels for free enterprise and competition. It would set aside capitalism and put entrepreneur syndicalism in its place, something like a replica of the medieval guild system. It would not bring socialism, but allround monopoly with all its detrimental consequences. It would impair supply and put serious obstacles in the way of technical improvements. It would not preserve free enterprise but give a privileged position to those who now own and operate plants, protecting them against the competition of efficient newcomers. It would mean a partial abdication of the state for the benefit of small groups of wealthy men.» (p. 240, 241)

Ludwig von Mises, Omnipotent Government: the rise of the total state and total war (1944)

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

# 15

«Portugal está efectivamente falido há mais de uma década e continua a gastar o que não tem. A única razão porque nos mantemos solventes é devido à confiança (no meu entender mal colocada) dos credores estrangeiros que nos continuam a deixar viver a crédito.

Eu estou convencido que a crise financeira ainda vai a meio. Os credores começarão, mais tarde ou mais cedo, a serem selectivos a quem emprestam dinheiro e Portugal é daqueles países que se ninguém nos emprestar dinheiro nós não podemos pagar o que devemos. É como quem vai pedir emprestado à COFIDIS para pagar o empréstimo da casa não apenas pontualmente mas sistematicamente. É difícil acreditar que este comportamento tenha outro destino que não a ruína financeira. Como as últimas notícias mostram os credores (normalmente referidos como especuladores) estão a começar-se a afastar dos países mais perigosos como a Grécia, Portugal e Espanha. Se a situação piorar (como é expectável que piore na minha opinião) estes 3 serão vítimas certas da crise. Fala-se muito de ajuda externa (da UE) o que a meu ver será um erro que pode destruir financeiramente toda a união. Não existem recursos (sem destruir a moeda) para salvar todos os países em dificuldades. Lembro que países como a Itália e a França não estão propriamente saudáveis financeiramente. Se Portugal ou a Grécia forem considerados "demasiado grandes para falhar" o que dizer da Itália? Certamente será "demasiado grande para salvar".

Portugal é um país a prazo, tem uma grave crise económica, o regime político está podre e corrupto de uma forma que (segundo as últimas notícias) parece até ter infiltrado as mais altas instâncias da justiça e prepara-se nos próximos tempos para enfrentar uma crise de liquidez sem precedente ao nível soberano. Para mais o país está refém do que já é praticamente a maioria dos cidadãos que vivem, de uma forma ou de outra, das esmolas do Estado. Sejam funcionários públicos, reformados, agricultores, artistas ou beneficiários dos mais variados subsídios como o de desemprego e RSI. Um poder político fragilizado como este não pode levar a cabo reformas profundas de nada e como tal não haverá tempo.

Viveremos com o fantasma de sermos governados a partir do exterior através da UE ou do FMI que serão imunes aos protestos de quem vive do sistema e tudo farão para recuperar os empréstimos a Portugal. Pior, corremos o risco (porque Portugal não é certamente o único nesta situação) de não termos um governo externo a tomar conta disto e os nossos credores simplesmente cortarem as relações connosco. Consegue imaginar um Portugal em que ninguém nos dá crédito para importações? Consegue imaginar os nossos fornecedores de petróleo, gás e comida a pedirem algo em concreto pelos seus bens em vez de promessas? A Islândia passou brevemente por isso antes da intervenção Russa e do FMI e não foi nada bonito.

Eu consigo imaginar isso tudo, só não consigo imaginar que Portugal será esse. A 1ª República caiu por menos

Nuno Branco, no Inflacionista.

Música sem subsídios do Estado



Como a versão de cima não é das melhores (o video é que é engraçado) oiçam esta:

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

# 14

«(...) na Europa do século 21, existe um generoso "modelo social" que, apesar de estar a caminho da falência, ainda proporciona algum espetáculo terminal. Esse modelo permite que um adulto possa viver grande parte da existência sem mexer um dedo para trabalhar. Em teoria, o subsídio de desemprego implica um compromisso do trabalhador para encontrar o dito cujo. As agências do Estado, aliás, costumam sugerir ocupações, de acordo com as competências do trabalhador potencial. Mas, na prática, tudo depende da inclinação de cada um. E a inclinação é conhecida.

As três últimas empregadas trabalharam afincadamente enquanto aguardavam pelos "papéis". Os "papéis" são os documentos de naturalização, que concedem ao novo cidadão da República vários direitos (mas, curiosamente, poucos deveres). Um dos direitos é apoio no desemprego, na doença e na velhice. Como a doença e a velhice só costumam aparecer na fase última da vida, melhor aproveitar o desemprego na idade jovem. E elas aproveitam.

Roteiro conhecido: avisam que deixarão o serviço. Eu pergunto por quê. Ingenuamente, imagino que encontraram trabalho melhor. Ou mais bem pago. Razões válidas e meritórias. Com esperança escolástica, antecipo o dia em que uma delas dirá: "Estudar sempre foi um sonho adiado!".

Nenhuma resposta. Quando as reencontro no bairro, tempos depois, a confissão: estão no desemprego. Melhor: com o subsídio de desemprego. E qual o valor do subsídio? Um pouco melhor do que os meus salários, dizem elas, com leve reprovação. Engulo em seco. Elementar, meu caro Watson: eu não posso competir com o Estado. Concorrência desleal».

João Pereira Coutinho.

Leviatã e os amigos

Se Rangel, o europeísta, é um «federador da direita» posso dizer com certeza que não me encontro desse lado da barricada. Por outro lado, se o pateta Alegre é o equivalente da esquerda, também não estou aí por certo. Espero que, com tantas federações, ainda se possa ser contra Sócrates sem ter de incensar outro «déspota iluminado» para o efeito, seja ele Rangel, Cavaco ou Alegre. Peço desculpa, mas o pragmatismo é uma filosofia que não me assenta bem. Ter princípios não ajuda.

domingo, fevereiro 07, 2010

The bigger picture

O caso de Mário Crespo acordou o país para o estado trémulo da nossa liberdade de imprensa. É um assunto delicado que a oposição aproveitou, como competia, para demolir o governo. Os blogues - aqueles que não trabalham para São Bento - também rebentaram em histeria. Tudo isto é natural e benéfico, e serve para balançar ligeiramente os poderes nesta decrépita república. Porém, não se tocou no essencial.

Primeiro, não se reparou que, comparada com a liberdade económica, a liberdade de expressão está em óptimo estado. Segundo, não se reparou que, embora as liberdades de imprensa e de expressão sejam importantíssimas, não o são de forma tão essencial e massiva como a liberdade económica. Se a intervenção do Estado na imprensa cala alguns «wordsmiths», a intervenção do Estado na economia empobrece o país como um todo, priviligia uns cidadãos e sacrifica outros, e sobretudo impede a mobilidade social e a promoção do mérito e do esforço na sociedade. Ambas as intervenções são brutais, mas o punho do Estado na vida económica dos portugueses é muito mais terrível, perverso e destrutivo.

Até porque a liberdade de imprensa não existe sem essa outra liberdade, muito mais atentada e destruída  a liberdade económica. Uma imprensa livre é uma imprensa independente do poder político, que é como dizer: privada. E a imprensa só pode ser independente, privada e livre se o Estado não estiver envolvido e por consequência não puder influenciar positiva ou negativamente o seu financiamento. Como se sabe, o Estado pode e influencia o financiamento dos meios de comunicação e, naturalmente, a liberdade de imprensa não sai a ganhar. O plano de Sócrates de usar a PT para afastar jornalistas incómodos nunca poderia passar-se se o Estado não tivesse uma golden-share (e se a CGD não fosse um dos maiores accionistas) na empresa. Grande parte dos meios de comunicação são de grupos económicos com participação do Estado, (directa ou indirectamente) ou são mesmo do Estado. Outros fazem parte de grupos nascidos do regime e cujos projectos são frequentemente partilhados com empresas do Estado ou onde o Estado tem um peso importante (como a Controlinveste).

Seria caso para nos preocuparmos com a liberdade de expressão e de imprensa se o exército entrasse pelas redacções a mandar pessoas embora à força (ou pior). Mas dado que o Estado é uma presença económica tão grande na imprensa portuguesa, estes episódios de «influência» são naturais e não os deviamos acolher com tamanha surpresa e indignação. A liberdade essencial a todas as outras (a económica) já se perdeu há muito ou em boa verdade nunca se ganhou. E logo podemos estar gratos pela relativa liberdade de imprensa que ainda temos, dadas as circunstâncias monstruosas a que corporativismo pátrio chegou. 

A direita e a esquerda sérias faziam bem em compreender que, sem rejeitar o modelo social-corporativista, sem verdadeira liberdade económica e sem verdadeira propriedade privada, todas as liberdades estão condenadas à erosão ou à insignificância. E à medida que o tempo passa, que as elites se cimentam, que os vícios se acumulam, torna-se cada vez mais difícil resgatá-las.

Adenda: «do que se vê, diria que o Partido Socialista controla a CGD, sete empresas do PSI 20 (entre as quais se conta um dos dois maiores bancos portugueses), tem as três maiores construtoras dependentes das decisões da casta socialista (duas também estão no PSI 20), outro dos quatro maiores bancos no bolso, dois Grupos de media mais os meios de comunicação públicos, a PGR e o STJ, o SIS depende directamente do Primeiro Ministro ou “Chefe Máximo” que temos. Mais as centenas de EP, Institutos e Fundações. Posto isto, há quem pergunte: e não se pode fazer nada? Claro que não, a não ser votar com os pés.»

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

# 13

«[the banks] are in the habit of providing for the prompt redemption of the money-substitutes issued by them by holding a reserve itself consisting of money-substitutes; only so far as these covering money-substitutes are money-certificates do the issued money-substitutes not bear the character of fiduciary media. It is only fairly recently that the central banks-of-issue also have begun to adopt the practice of admitting money-substitutes and foreign bills into their conversion funds. Just as the goldsmiths once began to lend out part of the moneys entrusted to them for safe keeping, so the central banks have taken the step of investing their stock of metal partly in foreign bills and other foreign credits. An example was set by the Hamburg Giro Bank, which was accustomed to hold part of its reserve in bills on London; it was followed during the last quarter of the nineteenth century by a series of banks-of-issue. It was with regard to their profits that the banks accepted this system of cover. The investment of a part of the redemption fund in foreign bills and other foreign balances that could be easily and quickly realized was intended to reduce the costs of maintaining the reserve. In certain countries the central banks-of-issue acquired a portfolio of foreign bills because the domestic discount business was not sufficiently remunerative. Generally speaking, it was the central banks-of-issue and the governmental redemption funds of the smaller and financially weaker countries that tried to save expense in this way. Since the war, which has made the whole world poorer, their procedure has been widely imitated. It is clear that the policy of investing the whole redemption fund in foreign claims to gold cannot become universal. If all the countries ofthe world were to go over to the gold-exchange standard and hold their redemption funds not in gold but in foreign claims to gold, gold would no longer be required for monetary purposes at all. That part of its value which is founded upon its employment as money would entirely disappear. The maintenance of a goldexchange standard with the redemption fund invested in foreign bills undermines the whole gold-standard system.» (p. 337)
 
«An entrepreneur who wishes to acquire command over capital goods and labour in order to begin a process of production must first of all have money with which to purchase them. For a long time now it has not been usual to transfer capital goods by way of direct exchange. The capitalists advance money to the producers, who then use it for buying means of production and for paying wages. Those entrepreneurs who have not enough of their own capital at their disposal do not demand production goods, but money. The demand for capital takes on the form of a demand for money. But this must not deceive us as to the nature of the phenomenon. What is usually called ple~tifulness of money and scarcity of money is really plentifulness of capital and scarcity of capital. A real scarcity or plentifulness of money can never be directly perceptible in the community, i.e. it can never make itself felt except through its influence on the objective exchangevalue of money and the consequences of the variations so induced. For since the utility ofmoney depends exclusively upon its purchasing power, which must always be such that total demand and total supply coincide, .the community is always in enjoyment of the maximum satisfaction that the use of money can yield. (...) Every increase in the rate of discount gives rise to fresh complaints about the illiberality of the banks' methods or about the unreasonableness of the legislators who make the rules that limit their powers of granting credit. The augmentation of fiduciary media is recommended as a universal remedy all the ills of economic life» (p. 340-341)

Ludwig von Mises, The Theory of Money and Credit (1912)

A luta de classes

É caso para cantar: «vão trabalhar, vagabundos».

terça-feira, fevereiro 02, 2010

Música sem subsídios do Estado

O regresso do lápis azul

Se estas coisas se passassem - como se poderiam passar - com um governo do PSD, a casa vinha a baixo (e com razão). Como se passa no PS - e sobretudo no PS de Sócrates - já não espanta ou entusiasma ninguém: é apenas «business as usual» no lamaçal político do costume.. É muito triste e, em princípio, não deixa grandes dúvidas. Menos um «bota-abaixista» para alimentar a «campanha negra». Mais um episódio feio na erosão da liberdade em Portugal.

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

# 12

«It is important to remember that government interference always means either violent action or the threat of such action. The funds that a government spends for whatever purposes are levied by taxation. And taxes are paid because the taxpayers are afraid of offering resistance to the tax gatherers. They know that any disobedience or resistance is hopeless. As long as this is the state of affairs, the government is able to collect the money that it wants to spend. Government is in the last resort the employment of armed men, of policemen, gendarmes, soldiers, prison guards, and hangmen. The essential feature of government is the enforcement of its decrees by beating, killing, and imprisoning. Those who are asking for more government interference are asking ultimately for more compulsion and less freedom.» (p. 719)

Ludwig von Mises, Human Action: a treatise on economics (1949)

domingo, janeiro 31, 2010

Já não se pode ser burro

Eis um novo plano: incorporá-los na população activa, para que possam ser produtivos e não um peso morto na sociedade. Ah, esperem, a lei do salário mínimo não permite.

A cultura da corrupção

Se «o que aconteceu no BPP é da responsabilidade do BPP», porque teve o Estado de salvar a instituição? Não será igualmente da responsabilidade dos depositantes o acto do depósito e o consentimento em manter lá investidas as suas poupanças? O Estado responde que não.

Mas se o Estado se propõe a assegurar o investimento de pessoas privadas num determinado banco, porquê parar aí? Porque não assegurar outras formas de investimento? A resposta parece ser que os clientes do BPP - como do BPN - não estavam implicados nos investimentos do banco, e que a responsabilidade das más práticas e das perdas é do banco e não dos depositantes. Só que os depositantes confiaram no banco para canalizar os seus depósitos, ou por outras palavras: consentiram que o banco dispusesse e aplicasse o seu dinheiro. Se tivessem dúvidas sobre a credibilidade do banco, certamente teriam exigido o seu dinheiro de volta mais cedo. O caso é que não o fizeram, por descuido ou por convicção: incorreram num erro. Quer isto dizer que o Estado vai passar a assegurar o dinheiro de cada indivíduo contra os erros que possa cometer na sua aplicação? Por exemplo, estará o Estado disposto a devolver-me o dinheiro que gastei num maço de tabaco horrível, que deitei fora pouco depois de abrir? Ou a reembolsar-me se comprar uma acção que baixa para metade do valor no dia seguinte? É pouco provável. Esse privilégio é reservado a determinados clientes de determinados bancos.

Mas a garantia do Estado, que retira o risco do negócio bancário, criou – como é natural - uma disposição irresponsável nos depositantes e nos bancos. Acontece que o risco e a incerteza são partes essenciais do sistema capitalista e a sua supressão pelo Estado condena toda a estrutura. E se é verdade que quase todas as acções do Estado promovem a irresponsabilidade, esta não promove apenas isso: promove a corrupção. É a socialização das perdas e a privatização dos lucros. E de todas as imoralidades cometidas pelo Estado, esta é das mais perversas e tirânicas.

sábado, janeiro 30, 2010

# 11

«All this talk of unemployment is preposterous. Think of it. We live in a world with lots of imperfections, things that need to be done. It has always been so and always will be so. That means that there is always work to be done, and therefore, always jobs. The problem of unemployment is a problem of disconnect between those who would work and those who would hire.

What is the disconnect? It comes down to affordability. Businesses right now can't afford to hire new workers. They keep letting them go. Therefore, unemployment is high, in the double digits, approaching 17% or more. Among black men, it is 25%. Among youth, it is 30% or higher. And the problem will continue to spread so long as there are barriers to deal making between hirers and workers.

Again, it is not a lack of work to be done. It is too expensive to pay for the work to be done. So ask yourself, what are those things that prevent deals from being made?

Let me list a few barriers:

- The high minimum wage that knocks out the first several rungs from the bottom of the ladder
- The high payroll tax that robs employees and employers of resources
- The laws that threaten firms with lawsuits should the employee be fired
- The laws that established myriad conditions for hiring beyond the market-based condition that matters: can he or she get the job done?
- The unemployment subsidy in the form of phony insurance that pays people not to work
- The high cost of business start-ups in the form of taxes and mandates
- The mandated benefits that employers are forced to cough up for every new employee under certain conditions
- The withholding tax that prevents employers and employees from making their own deals
- The age restrictions that treat everyone under the age of 16 as useless
- The social-security and income taxes that together devour nearly half of contract income
- The labor-union laws that permit thugs to loot a firm and keep out workers who would love a chance to offer their wares for less

Now, that's just a few of the interventions. But if they were eliminated today, and it would only take one act of Congress to do so, the unemployment rate would collapse very quickly. Everyone who wanted a job would get one.

Depending on the credibility of the new approach, businesses would begin hiring immediately. It would be a spectacular thing to behold. However, the new approach would have to be certain and not something to be reversed in a couple of months. No one wants to invest in employees only to have them taken away. So there could be no expiration date on the new laissez-faire approach.

What is the objection to this approach? I seriously doubt that many people would dispute that it would work to end unemployment. But many people say, oh, this won't do at all. It is not just jobs we want. It is good-paying jobs!

If that's the case, you have to understand what is being claimed here. People are saying that it is better that people be unemployed rather than exploited at low wages. If so, it all comes down to your definition of exploitation. If $10 per hour is exploitation, we should be creating even more unemployment by raising the minimum wage. We could dis-employ all but a few by raising the minimum wage to $1,000 per hour.

In a market-based labor contract, there is no exploitation. People come to agree based on their own perceptions of mutual benefit. A person who believes it is better to work for $1 an hour rather than sit at home doing nothing is free to make that contract. In fact, a person who works for a negative wage — who pays for an internship, for example — is free to make that deal too.

I propose to you, then, a definition of exploitation that comes from the writings of William H. Hutt: violence or threat of violence implied in the negotiation of anything affecting the life of a worker or employer. In that sense, the present system is exploitation. Workers are robbed of wages. Employers are robbed of profits. Poor people and young people especially are robbed of opportunity.

Read any account of economic history from the late Middle Ages through to the 19th century and try to find any evidence of the existence of unemployment. You won't find it. Why is that? Because long-term unemployment is a fixture of the modern world, created by the interventionist state. "We" try to cure it and "we" ended up doing the opposite.

So it is hard for me to take seriously all the political plans for ramping up intervention in the name of curing unemployment. There is no voluntary unemployment in a free market, because there is always work to be done in this world. It is all a matter of making the deal.

All that stands between the present awful reality and 0% unemployment is a class of social managers unwilling to admit error. How much higher does the rate need to get before we admit the error of our ways?»

Lew Rockwell, no Mises Institute.

Stravinsky e Disney

sexta-feira, janeiro 29, 2010

Porque não existe um Ron Paul português

É um pouco triste, mas a pessoa mais parecida neste país com o Ron Paul é o Henrique Medina Carreira, que no fundo é apenas um intervencionista moderado. O que o distingue dos outros que falam na televisão e têm influência é apenas isto: é um homem honesto, inteligente e já trabalhou na vida; não faz fretes e não repete uma cassete. Ao contrário dos acéfalos que nos toureiam, Medina Carreira é íntegro e não pretende enriquecer a partir de um cargo público ou de contactos políticos. Isso, que é admirável neste país, não chega. Todos os vícios que Medina Carreira critica repetir-se-iam mais tarde ou mais cedo se a sua visão fosse posta em prática.

Enfim, não existe um Ron Paul português porque não existe uma sociedade civil independente - económica e intelectualmente - do Estado. Nunca existiu e não há perspectivas de que venha a existir. É por isso que aquela crónica muito engraçada do Pedro Lomba é ingénua e, no máximo, desmiolada: não existe uma tal personagem porque não existe uma sociedade civil para a parir. É tão simples quanto isto.

Mais falácias e a sombra de Keynes

É pertinente acrescentar isto: o problema não é o «crescimento económico» em si mas a «direcção» desse crescimento. A URSS, medida pelos números, era certamente um sucesso. O problema não era a ausência de produção ou de «crescimento»; o problema é que, por ser centralmente planeado, o crescimento económico não correspondia minimamente aos desejos dos consumidores, porque não havia mercados onde esses desejos pudessem ser expressos.

O problema económico não é alocar o máximo de recursos disponíveis, mas onde alocá-los e para que propósitos. O Estado, mesmo que regido por uma democracia que de facto representasse os cidadãos (o que é impossível), nunca poderá decidir de acordo com as preferências dos consumidores, nem corrigir os seus erros - ou saber sequer se cometeu erros. Para isso precisamos de mercados, de lucros e de perdas. Só o mercado responde às preferências dos consumidores e só o mercado pode alocar os recursos disponíveis da forma mais eficiente, não do ponto de vista dos números, mas do ponto de vista dos consumidores individuais que, dia a dia, participam no mercado e expressam as suas preferências de uma forma que o voto nunca poderá fazer.

quarta-feira, janeiro 27, 2010

# 10

«Os líderes da extrema-esquerda em Portugal - Jerónimo e Louçã - acusam o Partidos Socialista de se aliar à direita para aprovar o orçamento de Estado. Fazem-se ouvir os órgãos da Revolução, dizendo que não é à base de medidas neoliberais que se vai retirar o país da crise.
As medidas dos partidos da direita - especificamente o CDS - não são medidas neoliberais, nem sequer são medidas que restringem o despesismo estatal a que estamos habituados.

Investimentos na Agricultura, na Segurança, na comparticipação do Estado na compra de medicamentos, etc. etc. fazem parte da cultura democrata-cristã do CDS - medidas essas intervencionistas e habituais no contexto dos países europeus.


Só neste país de atrasados mentais se compara a social-democracia e a democracia-cristã ao neoliberalismo - o que quer que isso seja.

Sendo que nem o CDS nem o PSD se mostram disponíveis para diminuir as despesas do Estado nem os seus múltiplos encargos, muito resumidamente - de que é que vocês se queixam?»


Manuel Pinto Rezende, no Café Odisseia.

Da revolução que vos...



Alguém devia escrever um livro sobre a transformação do progressismo em ideologia ditatorial. Digo transformação, mas não devia. A ideia dos progressistas sempre foi avançar uma forma de vida particular, rejeitando formas de vida opostas, utilizando o poder do Estado para o efeito. Nada distingue, portanto, o progressismo militante dos dias de hoje da influência da igreja no poder em tempos distantes.

Podemos ver o progressismo em acção, por exemplo, na discriminação dos fumadores, no aquecimento global ou na proibição do véu integral em França. Há muito que a «superioridade moral» dos progressistas é uma farsa, embora não passe por tal. Mas afinal que diferença existe entre os islâmicos que obrigam as mulheres a usar o véu e os franceses que as proíbem de o fazer?

«Progressistas do caralho da revolução que vos foda a todos», dizia o José Mário Branco. É isso.


terça-feira, janeiro 26, 2010

Neocolonialismo

Pouca gente consegue ver a «foreign aid» por aquilo que realmente é: neocolonialismo. Mais importante ainda: neocolonialismo de esquerda, sustentado por uma teoria económica falaciosa.

Comecemos pela ideia política. Segundo a retórica comum os países pobres precisam de ajuda dos países ricos, não só porque os países colonizadores têm uma «dívida» a saldar mas porque, caso contrário os países pobres permanecerão sempre no mesmo estado de irremediável miséria: trata-se, portanto, e em primeiro lugar, de uma forma de paternalismo em que a única salvação do pobre é a caridade do rico – temperada com um pouco de culpa tipicamente ocidental e de esquerda. Entre a retórica imperial de antigamente (que pretendia civilizar os primitivos) e a retórica socialista de hoje (que pretende a mesma coisa), não vai um passo de distância.

O essencial da «ajuda externa» é, como se sabe, a redistribuição de riqueza massiva dos contribuintes dos países ricos para os países pobres. E quem diz «para os países pobres» diz maioritariamente «para os governos dos países pobres». As razões variam: guerras civis, desastres naturais ou simplesmente pobreza extrema (normalmente devido a políticas governamentais). Na essência, porém, o dinheiro destina-se a perpetuar governos centrais com aprovação ocidental, geralmente corruptos, em lugares onde só o tribalismo floresce.

Se por um lado os países ricos financiam governos perversos, por outro impedem que forças alternativas – como o mercado – se desenvolvam. As políticas agrícolas da Europa e dos EUA, por exemplo, protegem os agricultores nacionais, que podem depois competir injustamente não só nos mercados europeus e americanos, mas nos mercados dos países pobres – que naturalmente precisam da agricultura – destruindo a sua capacidade produtiva ou impedindo-a de expandir, retirando o meio de trabalho fundamental de populações inteiras e forçando o êxodo rural e decorando as cidades com bairros de lata, crime violento e miséria extrema.

Mas se a ideia política é paternalista, a ideia económica é simplesmente inconsistente. Eis a essência da coisa: dada a fraca produtividade dos países pobres devido à escassez de capital, só existe uma forma de o fornecer: exportando-o dos países ricos para os países pobres em massa. Mas mais uma vez, o dinheiro acaba na mão de ditadores sanguinários e permite a perpetuação de regimes abjectos e de políticas destrutivas que - como a História confirma – não contribuem em nada para o desenvolvimento económico dos países que recebem, bem pelo contrário. Mas o fundamental é que existe uma clara contradição nesta teoria: se para desenvolver as economias pobres é preciso uma injecção de capital dos países ricos, convém perguntar quem injectou o capital nos países ricos antes de eles serem ricos. Obviamente, ninguém (e para um exemplo moderno basta olhar para Hong Kong).

A única condição para a acumulação de capital e para a melhoria das condições de vida nos países pobres é a defesa da propriedade privada (através do princípio de apropriação original) e de um mercado livre, factores que não abundam no Primeiro Mundo, quanto mais no Terceiro (em grande parte porque os países ricos não permitem).

Já não nos devíamos surpreender com a contradição entre as intenções e os resultados das políticas estatistas. Não é apenas por ignorância, nem apenas por maldade: é uma mistura perversa de ambas.
Do envio de forças militares para «proteger» as populações nem é preciso falar: é o neocolonialismo por definição. O Haiti é apenas o caso mais recente.

domingo, janeiro 24, 2010

O complexo neocon

É pena que isto não seja verdade. E é pena o Henrique achar que é melhor ser uma ninfomaníaca belicista do que uma freira pacifista. Já houve tempos em que a guerra era considerada um instrumento socialista que qualquer conservador detestava. Hoje parece que não há nada melhor para conservar uma tradição do que a violência e que a forma mais eficaz de promover a social-democracia (essa maravilha) é pela bomba. Eis o legado que os neocons deixaram na direita: o culto da guerra permanente e do policiamento do mundo pelo ocidente. Não admira que a direita já não se queixe da perda de soberania para Bruxelas e do centralismo europeu: nada melhor que a União para congregar exércitos gigantescos e conduzir guerras intermináveis (e, claro, ter a tão desejada «influência geopolítica»). E o mais triste é que não se apercebem da imoralidade orwelliana da sua posição, nem das incríveis parecenças com os sanguinários comunistas de outrora. Pobre direita, está tão morta e totalitária como a esquerda.

# 9

«I do not believe that a resolution expressing our deep regret and sorrow over this tragedy should be used to commit the United States to a "long-term" occupation of Haiti during which time the US government will provide for the reconstruction of that country.

I am concerned over the possibility of an open-ended US military occupation of Haiti and this legislation does nothing to alleviate my concerns. On the contrary, when this resolution refers to the need for a long term US plan for Haiti, I see a return to the failed attempts by the Clinton and Bush Administrations to establish Haiti as an American protectorate. Already we are seeing many argue that this kind of humanitarian mission is a perfect fit for the US military. I do not agree.»


Ron Paul.

sexta-feira, janeiro 22, 2010

O cartel e a escola pública

Aparentemente a corporação dos professores não é suficientemente corporativa. É preciso um cartel que permita a «tão desejada auto-regulação» na profissão, não vá o mercado (isto é, os consumidores) regular a favor da competência e pôr uns quantos parasitas analfabetos no desemprego.
A propósito, tinha um professor de filosofia no secundário que era fanático do PS e que, além dessa obsessão, só falava sobre sexo e mulheres. Mandava as raparigas sair, dava quinze a todas, e passava as aulas a educar-nos sobre as virtudes do Partido Socialista e do espécime feminino.
Depois de deixar de ser meu professor, soube que levara os rapazes de uma turma para a biblioteca para ver sites pornográficos nos computadores da escola. Um pai indignado queixou-se e, dois anos depois (entretanto sem dar aulas mas a receber), o senhor lá foi reformado antecipadamente.
Na altura escrevi para o jornal da escola um texto inflamado sobre o assunto (era adolescente e prestava-me mais à indignação). Fui censurado.
PS: Não sei o que se passa com o blogger que me corta as frases a meio. Se alguém me puder ajudar com este problema, agradecia.
Adenda: Obrigado ao Miguel Madeira pela ajuda com o html.

A frota estatal

O impressionante nesta notícia não é a incompetência/descuido/corrupção. Qualquer pessoa que tenha visitado qualquer dos serviços governamentais pode atestar a mesma coisa. O impressionante é que os automóveis do Estado - ao contrário dos automóveis privados - não são obrigados a ter seguro. E mais impressionante ainda é o número total de viaturas que o Estado possui: nada menos que 28,793. Eu repito: vinte e oito mil setecentos e noventa e três veículos.


Adenda: eis a minha posição, que não ficou clara no post, sobre o assunto dos seguros dos veículos estatais, numa resposta a um email do Miguel: 


«(...) comparado com outras coisas que o Estado faz, a falta de seguros não é um escândalo. De um ponto de vista utilitário é certamente melhor, porque põe menos despesa na conta dos contribuintes. Por outro lado, a minha intenção não é obrigar o Estado a ter seguro nos seus automóveis (eu nem queria que o Estado tivesse automóveis ou outra coisa qualquer), mas sim retirar a obrigação para cidadãos particulares. Eu quero que a responsabilidade recaia sobre o indivíduo, e para isso é preciso que o indivíduo tenha liberdade para escolher ter ou não ter seguro (tal como para a velhice, ou para a saúde, ou para a educação dos filhos). Além de que a obrigação é apenas mais uma manobra corporativista para garantir lucros às seguradoras, não é certamente para proteger os cidadãos.»

quinta-feira, janeiro 21, 2010

# 8

«(...) effective management of the socialist economy means dictatorship not of but over the proletariat in the factory. The men who are there so strictly disciplined would, it is true, be sovereign at the elections. But just as they may use this sovereignty in order to relax the discipline of the factory, so governments—precisely the governments which have the future of the nation at heart—may avail themselves of this discipline in order to restrict this sovereignty. As a matter of practical necessity, socialist democracy may eventually turn out to be more of a sham than capitalist democracy ever was.» (p. 302)

Joseph Schumpeter, Capitalism, Socialism and Democracy (1942)

Dizer adeus ao Euro, dizer olá ao Ouro

Isto era das melhores coisas que nos podia acontecer. A centralização política em Bruxelas não é tão grave nem tão perigosa como a centralização monetária em Frankfurt, e visto que nunca deveríamos ter aderido à centralização monetária, sair do clube só peca por ser tardio.
Sair da zona euro vai ser caótico, sobretudo porque a saída vai ser provocada pelo caos da bancarrota estatal. Mas será uma oportunidade para enterrar o Banco Central, rejeitar o dinheiro do Estado e abraçar o dinheiro do Mercado.

quarta-feira, janeiro 20, 2010

Crescimento entre aspas

«A melhoria do crescimento da economia nacional não travará o aumento do desemprego». É preciso perceber porquê, e é fácil: o que cresce não é a economia privada, mas os gastos do Estado. A capacidade produtiva não aumenta, o capital não é renovado, mas o Estado continua a gastar, cada vez mais - e é essa economia que cresce. Essa, porém, não é a economia que «cria» empregos, não é a economia que produz e que adiciona valor à sociedade. Pelo contrário, essa economia é sustentada pelo malvado sector privado (mas aquele que é mesmo privado, que não recebe subsídios, não tem a CGD como accionista nem uma golden share do Estado).


Todos os inúmeros entraves à criação de riqueza que o Estado impõe impedem a economia real de crescer e de «criar empregos»; por enquanto, não impedem o Estado de viver à custa da esmifrada esfera privada. Só que o parasitismo é auto-destrutivo e eventualmente o parasita esgota a capacidade do hospedeiro sustentar ambos. E em Portugal o esgotamento é iminente: há demasiados parasitas para tão poucos produtores.

segunda-feira, janeiro 18, 2010

# 7

«The danger of modern liberty is that, absorbed in the enjoyment of our private independence, and in the pursuit of our particular interests, we should surrender our right to share in political power too easily. The holders of authority are only too anxious to encourage us to do so. They are so ready to spare us all sort of troubles, except those of obeying and paying! They will say to us: what, in the end, is the aim of your efforts, the motive of your labors, the object of all your hopes? Is it not happiness? Well, leave this happiness to us and we shall give it to you. No, Sirs, we must not leave it to them. No matter how touching such a tender commitment may be, let us ask the authorities to keep within their limits. Let them confine themselves to being just. We shall assume the responsibility of being happy for ourselves.»

Benjamin Constant, The Liberty of Ancients Compared with that of Moderns (1816)

sábado, janeiro 16, 2010

Uma proposta

A dívida do Estado é, como se sabe, gigantesca. E enquanto uns querem afastar o assunto da mesa, outros tentam avisar a população que os benefícios da dívida para esta geração serão pagos - por impostos - pela geração seguinte, e a seguinte e a seguinte: sem benefícios. Ora, eu venho oferecer uma solução mais radical mas mais justa: que a dívida do Estado seja paga pelas pessoas que a contraíram, isto é, deputados, governantes, secretários de Estado, etc. Mesmo que tenha sido em nosso nome, não fomos nós que nos endividámos - foram eles que se endividaram por nós. É apenas justo que sejam eles a pagar.