terça-feira, outubro 25, 2011

Por trás de cada Guevara, há uma criança e um democrata.

2 comentários:
No meu post anterior mencionei um truísmo sobre o qual ainda não tinha reflectido devidamente: o de que os “indignados”, e junto a eles a grande maioria da juventude do Avante e das manifestações – ou seja, o futuro da extrema-esquerda – não é ideologicamente motivada ou fundamentada.

À superfície esta proposição não é verdadeira: se analisarmos a indumentária e os heróis dos jovens, por exemplo, que andam pelas universidades e manifestações observamos concerteza centenas de símbolos comunistas, os rostos de Marx, Engels, Guevara e Lenine – e com menos frequência, também Estaline ou Mao. Mas é absurdo exagerar a significância destes símbolos e rostos. A grande maioria, arrisco, não leu Marx, Engels ou Lenine; desconhece certamente os detalhes da admnistração soviética ou as minúcias do processo de sedimentação do regime cubano. E se questionados directamente sobre as mais diversas questões, sabemos que não estão minimamente interessados na colectivização dos meios de produção, na inevitabilidade histórica do socialismo (entendido como Marx o entendia), no comunismo internacional de Lenine ou no comunismo restrito a um país apenas de Estaline.

Muito sucintamente, o que pretendem não é muito removido do programa do PSD ou do CDS, tirando alguns pontos que, por teimosia ou tradicionalismo blasé e da moda, aquilo que em Portugal e nos outros sítios representa a diferença entre direita e esquerda: o aborto, as drogas, a prostituição - ou seja, questões fundamentalmente de conduta pessoal (excepto, com algumas qualificações, o aborto). Mas no essencial, os “indignados” pertencem ao grande grupo da social-democracia e não se distinguem pela originalidade.

O poder democrático deve, portanto, servir – como servia os “socialistas moderados” daquilo que podemos chamar a “era ideológica” - para a redistribuição da riqueza – dos patrões para os empregados, bem entendido. A filosofia subjacente é uma de igualitarismo pré-marxista, no sentido em que a igualdade de redimentos, e não a organização produtiva da sociedade, é o principal problema em mente. Na medida em que, para que haja redistribuição dos patrões para os empregados é necessário que exista essa distinção, então a sociedade que os indignados procuram é uma em que a distinção permaneça, com suavizações, regulações e protecções politicamente forçadas, mas ainda assim, uma sociedade em que pelo menos parte da propriedade produtiva deve permanecer em mãos privadas. Na verdade, pelas exigências ouvidas entre os indignados e pela observação possível da sua conduta e estilo de vida, podemos auferir que, embora no sítio onde vivem pretendam um Estado Social com uma monstruosa envergadura, um mundo capitalista tem, essencialmente, de existir noutro lugar, de preferência longe da vista e por consequência do coração solidário destas pessoas, de forma a que certos avanços tecnológicos possam ser importados para o “paraíso social-democrata” onde pretendem viver. Pois quando pedem educação e saúde gratuíta, ou pelo menos altamente subsídiada pelo Estado, sabemos com certeza que não pretendem abdicar de tecnologia, medicamentos e outras amenidades que o modo de produção capitalista, mesmo com todos os entraves presentes no mundo moderno, conseguiu produzir e produz ainda em abundância. Não podemos presumir que os indignados compreendam este paradoxo, podemos aliás presumir o contrário – que não compreendem que certos bens não são passíveis de serem produzidos num lugar onde o Estado Social redistribui sistematicamente – mas a realidade não deixa de ser esta.

Esta geração, que certamente terá muitos problemas em adaptar-se a um modo de vida distinto, é em suma o produto do Estado Social e da democracia por excelência: uma massa infantilizada e profundamente ignorante. A sua doutrina não é marxista, maoísta, nem nada tão estruturado ou intelectual: é simplesmente uma rejeição da realidade. Não devemos pois exagerar a importância dos símbolos e da retórica de extrema-esquerda, já que não é desse vírus que a populaça sofre. O problema está precisamente em que os indignados partilham a mesma visão de todos os parlamentares, da mais ínfima direita à mais infame esquerda, excepto que não por motivos intelectuais: todos acreditam profundamente na política como omnipotência – ou seja, como capaz de vergar as leis da natureza, sobretudo as leis praxeológicas ou económicas. E todos se acreditam com direito a participar no milagre da multiplicação, isto é, acreditam na superstição democrática (indissociável do Estado Social). O egoismo e a devassa da nossa era é um produto, não do avanço tecnológico (como alguns cafres conservadores irracionalmente acreditam), mas de um avanço tecnológico cujos custos não são individualizados, mas redistribuídos – socializados, se quiserem.

Mas enquanto as elites sofrerem do mesmo estigma democrático, mesmo que por razões teóricas, a populaça não abandonará o estigma democrático pelas suas razões práticas. É tão simples como isso. Marx, Lenine ou Guevara são apenas símbolos. Símbolos da ignorância de quem os usa, não por aderirem a eles, mas precisamente porque envergando-os, os rejeitam no fundamental. Não que a aderência ao marxismo-leninismo seja benéfica, mas a luta intelectual contra este espectro que já não assombra ninguém, ao procurar um alvo que já não existe, deixa o verdadeiro alvo à solta, sem resposta, a causar inúmeros estragos.

segunda-feira, outubro 24, 2011

Estado Social e proteccionismo.

Sem comentários:
Começar por dizer que a breve revisão histórica feita pelo Bernardo me parece correcta. No entanto, surgem alguns problemas com a revisão que se segue sobre o mundo moderno e as condições necessárias ao Estado Social.

Como se define a "relevância" de "tarifas aduaneiras" é uma questão difícil. E, claramente, o proteccionismo de hoje não é o mesmo de 1840. Mas existem no presente contexto várias formas de proteccionismo, ou seja, entraves à livre circulação de bens e capitais que visam precisamente manter o status quo do Estado Social. Os milhares de páginas dos inúmeros "free trade agreements" falam por si mesmos: afinal, para declarar que existe liberdade de comércio entre um Estado e outro Estado uma frase apenas basta, nomeadamente uma que declare que nenhuma lei deve limitar a circulação de bens e capitais. Estes acordos, pelo contrário, não pretendem essa abordagem, e visam sobretudo harmonizar as estruturas tributárias e benefícios “sociais” dos vários países de forma a que os países com tendências mais socializantes não sofram as consequências das suas políticas de forma tão dura ou tão imediata, sobretudo no que ao comércio internacional diz respeito.

Para não falar nas inúmeras regulações impostas sobre os produtores para que os seus produtos possam ser vendidos dentro de determinadas fronteiras. Quer sejamos contra ou a favor das determinadas regulações e controlos de qualidade, etc, não podemos negar que se tratam de condições especiais à entrada de bens e capitais, e logo, de entraves ao comércio.

Outro exemplo é tocado ao de leve pelo Bernardo: o das drogas – e igualmente, outros bens cuja compra e venda estão severamente restringidas ou mesmo proibidas, como as armas. Se não houvesse esse entrave – ou seja, esse proteccionismo – não seria necessário ir à Holanda para fazer reuniões do Bloco de Esquerda.

E ainda: em 1840 a reserva monetária mundial era o ouro, e todas as moedas nacionais podiam ser imediatamente redimidas em ouro, além de que a circulação e uso diário de moedas de ouro e prata era corrente em todo o mundo. Hoje, a reserva mundial é o dólar, que não pode ser redimido por coisa nenhuma a não ser mais pedaços de papel, pedaços que podem ser reproduzidos quase a custo zero pela Reserva Federal Americana. Por sobre as reservas de dólares, outros bancos centrais produzem outros pedaços de papel com outros nomes, com os mesmos custos de produção. É escusado dizer que o poder do banco central – uma agência estatal – para inflacionar a moeda constitui uma arma de proteccionismo da parte do Estado que inflaciona.

Outro problema com a teoria do Bernardo é que, alegadamente, o Estado Social é sustentável com proteccionismo old school. Ora, isso implica que, 1) o Estado Social não tem problemas de sustentabilidade em si mesmo, com ou sem proteccionismo e 2) que o proteccionismo que permite a sustentabilidade do Estado Social não tem problemas de sustentabilidade em si mesmo. Nenhuma das proposições é verdadeira, porém.

Mais: o que quer dizer com a “economia moderna” ser “baseada em bens intangíveis”? Que bens intangíveis estamos a falar? Nenhuma economia funciona apenas com serviços, e logo essa frase, ou precisa de uma revisão e de muitas qualificações adicionais, ou não faz qualquer sentido. Nenhuma economia, moderna ou atrasada, se baseia em bens intangíveis. Além disso, todos os itens que nomeou como bens a serem abdicados em nome do Estado Social são tangíveis e físicos, logo, o raciocínio é um non sequitur.

E ainda, não creio que a crítica da sustentabilidade seja importante para os "manifestantes". Eles não se comovem com a insustentabilidade, nem se preocupam com a sustentabilidade. Eles querem simultaneamente ipads e educação grátis, drogas e hospitais grátis para os desintoxicar, uma coisa sem a outra, de resto, não seria tolerável. O que eles querem, no fundo, não é o Estado Social que os partidos social-democratas do século XIX queriam por motivos ideológicos: eles querem um mundo onde os bens não são escassos e tudo está ao alcance do poder político.

domingo, outubro 16, 2011

Os outros noves de Cain

2 comentários:

Porque será que se vêem tantos liberais em Portugal a aplaudir Herman Cain, que apareceu ontem e ameaça desaparecer amanhã, em vez de uma personagem como Ron Paul, que há mais anos do que eu tenho de vida anda a votar contra medidas liberticidas e a defender o liberalismo sem compromissos? Será apenas porque para Ron Paul a intervenção do Estado não passa a ser benéfica e brilhante quando é feita para além das fronteiras?  Pode a questão da guerra votar Ron Paul ao desprezo dos liberais portugueses?

sábado, outubro 15, 2011

Notas sobre medidas de austeridade, a dívida e o PCP

Sem comentários:
Em primeiro lugar, todos os cortes no rendimento dos parasitas que dão pelo nome, nestes tempos de eufemismo grotesco, de "funcionários públicos" são bem vindos. Há, porém, um problema com as medidas particulares apresentadas pela máfia, perdão, pelo governo: é que cortar nos salários e pensões da função pública não é o caminho, a menos que seja um corte de 100%. Estes são empregos que não deviam existir, salários que não deveriam ser pagos. Cortar o subsídio de Natal e de Férias é completamente irrelevante para o problema principal, que é a existência de funcionários públicos em primeiro lugar. Dado que seria impossível acabar com todos de uma vez, poder-se-ia começar por despedir uns quantos. E depois muitos. Mas este é o liberalismo possível para um candidato de um partido social-democrata eleito por sufrágio universal. Esperar algo mais, ou algo melhor, era pura inocência ou parvoíce. Mas a sabujice da direita reaparece assim que o PSD ganha eleições e forma governo de coligação com o CDS, seja qual for o boneco que faz os discursos e os idiotas que os idealizaram - possivelmente porque muitos deles estão entre os ideólogos, e foram, claro, pagos por isso. Sacrifícios, sim; mas ninguém escreve estas baboseiras de borla, isso não. 

Em conclusão, na redução da despesa, o messias liberal é uma fraude. Vai conseguir irritar muita gente, sem conseguir resolver coisa alguma. E, um pouco mais deprimente, nem sequer ensaia alguma desregulação essencial para que a economia arranque minimamente, deixando a paralisia e os entraves todos à criação de riqueza (e possivelmente acrescentando alguns com retórica "liberal") - o que revela, a par com o seu aberrante corporativismo, uma ignorância e estupidez gritantes. Afinal, quem é que quer ser timoneiro de um barco afundado? Aparentemente, Passos Coelho.

Do lado do aumento da receita, a coisa não melhora. Sobretudo pelo facto chocante de que se pretende aumentar a receita. É, digamos, uma receita para a desgraça. Se já não se criam empresas ou contratam trabalhadores, então a coisa vai piorar na exacta medida dos aumentos de impostos – a inércia caquética da nossa economia vai tornar-se um coma prolongado. Mais uma vez, a brilhante (no sentido de se ver no escuro) ignorância daqueles que nos pastoreiam se revela aos nossos olhos incrédulos. Em nome da “responsabilidade fiscal” e do “equilíbrio orçamental” aproveita-se e rouba-se mais um bocadinho. Mas para quê?

A única resposta possível é que sirva para pagar a nossa enorme dívida. Aqui reside o problema maior: o facto de se achar que a dívida pública deve ser paga. Não deve. E por tantas razões: em primeiro lugar, ela não deveria ter sido contraída. Esse mal, porém, já está feito. O que não é justo ou útil, é roubar os portugueses para pagar a coisa. Os portugueses não contrairam essa dívida, o Estado sim. Mas como o Estado só tem dinheiro roubado aos portugueses, então deduz-se que os credores do Estado esperavam lucrar com o roubo futuro dos portugueses. Não é um pensamento bonito. Porque não deixá-los a arder no fogo da sua ganância usurpadora?

Não pagar a dívida, de resto, tem uma vantagem utilitária importantíssima, que é a de assegurar que ninguém emprestaria dinheiro ao Estado português nos próximos anos (tempo que deve chegar para pôr as coisas em ordem e os trastes na cadeia). Ou seja: não haveria Estado Social, jobs for the boys, a palhaçada social-democrata dos últimos 37 anos. A verdadeira dimensão do país, a necessidade de investimento privado e de liberalização económica, o imperativo da não-intervenção do Estado tornar-se-ia claro como a água perante a pobreza generalizada. E depois seria reconstruir.

Infelizmente, não pagar a dívida e declarar bancarrota parece ser uma opção que nenhum dos partidos está disposto a ponderar. O PCP, pelo menos, é contra o aumento dos impostos. Claro que, quando um partido comunista é o mais liberal no parlamento, a coisa está pela hora da morte. Parece que a hora é mesmo essa, de resto.

terça-feira, outubro 11, 2011

Vencer, vencer, vencer.

Sem comentários:
Pode até ser. Mas de que adianta vencer Obama se é para mais do mesmo? Para homem de plástico prefiro o da esquerda, pelo menos deixa os Republicanos mais alerta e não usa retórica pró-capitalista para destruir a pouca liberdade que ainda existe no mercado.

Comentário

Sem comentários:
A isto e isto.

Um ponto importante sobre a possibilidade de criticar da mesma forma os liberais-libertários por utilizarem serviços do Estado (beneficiarem directamente dele é uma outra questão, a meu ver com uma resposta diferente). 

Ao contrário dos produtos das empresas em questão (ipads, iphones, etc.), os contribuintes pagam quer queiram quer não pelos "produtos do Estado", daí que usufruir deles é, ou pode concebivelmente ser, uma medida defensiva. 

Se um sujeito acredita que é injusto que os ipads sejam feitos por crianças em fábricas, ou que o sistema de "wage-slavery" deve ser subvertido ou outra tontice do género, têm a possibilidade de não contribuir para a perpetuação da coisa ao não comprar o produto. Se um contribuinte acredita ser injusto que lhe retirem parte do rendimento para subsidiar hospitais pode apenas resignar-se, pois a parte do rendimento vai ser-lhe retirada de qualquer das formas, e se quiser recuperar algum do dinheiro mesmo que sob outra forma, poderá frequentar hospitais subsidiados.

Por isso, acho que a crítica moral dos liberais-libertários é incorrecta; e a crítica semelhante dos protestantes anti-capitalistas é válida. Porque, repare-se, não estamos a falar de bens necessários à sobrevivência ou à vivência acima da miséria, são artigos de luxo com tecnologia de ponta - produzidos num sistema que consideram iníquo e com a exploração de gente pela qual eles se dizem solidários e cuja "opressão" pretendem cessar. É, se quisermos ser honestos, uma hipocrisia pura e simples.

terça-feira, outubro 04, 2011

Duzentos anos depois...

4 comentários:
Inicia-se, no intervalo do cigarro, uma conversa casual com uma jovem, por qualquer razão. Os sinais exteriores não são de todo alarmantes, e não me refiro a atributos físicos, que esses existem aos montes, e aos pares. 

Razoavelmente inteligente e aculturada, tendo lido livros e visto filmes, conhecendo pelo menos uma língua além da sua, o espécime está bem acima da média. Aparentemente, nenhum dos sintomas do politicamente correcto a aflige, nem sequer nutre especial afeição por discotecas, hip hop, Manoel de Oliveira ou pelo bairro alto. A criatura exprime-se de forma clara, elaborada e sem erros - chegando mesmo a pronunciar "Winona Ryder" sem parecer sofrer de alguma doença genética incurável.

Não existe, porém, bela sem senão. Bastou enveredar pelo tema da crise, da política e da economia, para que o verdadeiro flagelo da geração se mostrasse em pleno: mesmo não gostando do bairro alto, falando correctamente e tendo lido livros e visto filmes, a rapariga consegue em cerca de cinco minutos recitar todos os lugares-comuns do pensamento social-democrata. Do salário mínimo à educação gratuita, dos impostos sobre os ricos às "multinacionais maléficas", a rapariga parecia transformar-se aos poucos numa criatura desprovida de razão e de decência, meio estudante universitário, meio parlamentar. Chegou mesmo a criticar o "liberalismo de Passos Coelho", depois de culpar o sistema capitalista desregulado (coisa que, dadas as circunstâncias, não se sabe muito bem o que seja) por todos os males que afligem, afligiram ou venham a afligir o mundo e a espécie humana.

Duzentos anos depois de Adam Smith, as proposições mais básicas da ciência económica não entram na cabeça de jovens semi-alfabetizados, aparentemente sãos, que trabalham e pagam impostos. Como explicar o fenómeno?

sábado, outubro 01, 2011

Rui A. - o último cavaleiro do liberalismo

Sem comentários:
Circunstâncias pessoais não me permitiram voltar ao assunto mais cedo, mas ainda sobre este post: o Rui A. queixa-se que o Mises PT tem como objectivo «promover a divulgação e o ensino da Escola Austríaca na tradição de Ludwig von Mises» e depois se põe com anarcocapitalismos de mau gosto de quem foge de Mises como o vampiro foge a cruz.

Gostava de lhe perguntar (sabendo que ele não me vai responder) porque não se queixa ele do mesmo sobre o Mises Institute original e tenta da mesma forma demover os leitores nacionais da leitura desse site - que só alguém muito distraído ainda não reparou que está "infestado" de anarquistas rothbardianos?

E já agora, outra dúvida que me assaltou, porque não me menciona pelo nome, já que sou o autor do texto que originou a fúria? Será que ainda está chateado comigo por uma troca de piropos que sucedeu há um ano e em que a discórdia, diga-se, nem era directamente com ele, mas com um seu colega de blog - blog que entretanto abandonou?

O Rui A. é, de facto, muito engraçado: continua a debitar excertos sem qualquer comentário para provar que Ludwig von Mises e os anarco-capitalístas nada têm em comum - sem que, no entanto, responda à minha resposta (resposta essa em que incluí também um excerto que, além de provar que também consigo fazer citações, demonstra exactamente o contrário do que o Rui A. diz sobre Mises e a sua relação com o Liberalismo Clássico - que o Rui A. queria que lhe demonstrassem «que, nesta matéria, ele [Mises] se tenha afastado dos liberais clássicos». Claro que ele nunca a aceitará, mas não há problema: ele pode ficar com o liberalismo clássico e trazê-lo na lapela para as ocasiões. Mas daqui a pouco, com tantas citações, parecemos beatos a ver que parte da escritura é mais sagrada ou comunas para quem só a sua versão é a verdadeira forma de comunismo.

Outra coisa: num comentário o Rui A. escreve que «o estado parece ser uma inevitabilidade, o que, de resto, se não passarmos ao largo da História, se torna uma evidência». Acho sempre piada a esta menção da História e do estudo da mesma (de que o Rui A. é o mais pungente representante na blogosfera portuguesa, bem como do tema "a pureza do liberalismo clássico") como se a ocorrência ou não ocorrência histórica só por si pudesse estabelecer alguma verdade política ou económica. Não pode. Há duzentos anos assistiu-se ao desmentir da "evidência" e "inevitabilidade" da escravatura - que, olhando só para a História, teria de existir sempre. Mas dado que já foi há duzentos anos, e faz parte da História, este facto do fim da escravatura (que quebrou uma tendência até lá permanente) torna a quebra de tendências e tradições "permanentes" também uma verdade histórica? Se sim, então também se aplica ao Estado. Se não, então não se aplica a nada. Ou, a melhor hipótese, aplica-se apenas àquilo que o Rui A. achar necessário para pintar as ideias anarco-capitalistas como engenharias sociais perversas. Eu aposto nesta última.

Mas avançando, se o Estado sempre existiu (e, isso de alguma forma mística assegura que sempre existirá), então o Rui A. considera que 1) não podendo fazer nada quanto a isso temos de viver com o bicho e tentar fazer o melhor dele (liberalismo clássico utilitário), ou 2) o facto de sempre ter existido  torna-o o bom e desejável (que é uma espécie de parvoice oakeshottiana)? É que conforme lhe dá jeito para atacar o anarco-capitalismo, o Rui A. às vezes defende o Estado por uma questão de princípio inabalável e contrato social, outras de utilitarismo e de "perspectiva histórica" (é a chamada "fuga para trás"). Pessoalmente acho que é o que servir melhor o propósito de reduzir os ancaps aos "hippies de direita" (como dizia a Ayn Rand), mas isso deve ser má vontade da minha mente anarquista perigosíssima.

Difícil mesmo é discutir ideias com pessoas como o Rui A. que, por um lado, escreve um post para dizer mal do Mises PT e denunciar a forma como o site não segue a tradição liberal (quando devia ter dito mal só de mim ou só do meu texto) e depois se queixa que são os ancaps que criam cisões e estão obcecados com a pureza ideológica. Numa palavra: ridículo. Em duas: masturbação mental.

PS: o Rui A. queria, já agora, «que os «miseanos» não estivessem permanentemente a pôr em causa os liberais clássicos, como [se] Mises não o tivesse sido». Nisso já não o posso ajudar, pois hei-de continuar a pôr em causao liberalismo e Mises naquilo em que estava errado ou incompleto. Na medida em que Mises foi um liberal clássico típico, é necessário acrescentar, rever e corrigir (coisa que Rothbard ou Hoppe já fizeram). Como diz o Rod Long "Mises wasn't really a misesian".

terça-feira, setembro 27, 2011

Coisas não tão estranhas como querem fazer parecer (uma resposta ao Rui A.) - Parte II

Sem comentários:
Gostei tanto deste comentário do Carlos Novais que acho que vale a pena colocá-lo aqui:

«Rui

Basicamente, creio que não enfrenta os argumentos de frente. O liberalismo clássico do séc. 19 e 20 (com algumas excepções… até Burke tratou o assunto no seu primeiro livro, Gustave Molineri em The Production of Security) e até Mises nem sequer tratou da questão da legitimidade do monopólio da violência e as questões no domínio do direito, da aplicação de princípios de agências de arbitragem de litígios. Isso são novos desenvolvimentos relativamente recentes e que como já todos sabemos até têm aplicação crescente no mundo dos negócios, tal como de resto já acontecia do direito internacional privado. Assim, é absurdo tentar provar uma contradicção entre quem está na frente de novos desenvolvimentos com o pensamento que o precede que ainda não tinha abordado novas facetas

Continuo a achar que pelo seu raciocínio, o estado de “anarquia” internacional é utópico, ou que Mises acharia ou seria a favor de um estado mundial, mas Mises na verdade defendeu o direito de secessão até ao indíviduo se assim fosse possível. Ou seja, apesar de Mises não se ter debruçado sobre o pensamento moderno ancap lançado por Rothbard, não deixou de ser consistente e coerente dentro da lógica do estado-nação-mínimo; para existir uma ordem constitucional legítima no mínimo tem de existir direito de secessão (a minha tese desde há muito tempo).

Essa citação de Mises tem sido antes do Rui A,, muitas vezes usada nos foruns libertarians e em especial como é lógico no próprio LvMI em Alabama. Necessário ter em mente que quem acolheu e até sustentou Mises foi essa linha de liberalismo rothbardiano, tendo depois a viúva de Mises autorizado Lewrockwell a fundar o instituto e a ficar com o seu espólio. E Mises conhecia bem Rothbard a quem elogiou o seu Tratado de Economia que incçuía implicitamente o seu pensamento político.

Por fim, é de assinalar que é precisamente essa linha que podemos designar de austro-libertarians quem tem conhecido uma explosão de popularidade nos EUA e em todo o mundo (ver a lista de LvMI internacional) a que nem sequer o fenómeno Ron Paul á alheio.

Usar o facto de uma matéria ou disciplina dentro do liberalismo moderno abordar de frente e, em termos de filosofia política e do direito, estudar as consequências e possibilidades de aplicar o direito natural a toda a esfera humana, e com isso por em causa todo o conjunto como se existisse alguma contradicção não me parece coisa famosa. Como é fácil de ver, na verdade, essa disciplina existe precisamente para tornar o edifício consistente. Ora uma ideia só por ser consistente não tem de ser verdadeira, mas para ser verdadeira tem de ser consistente

segunda-feira, setembro 26, 2011

Coisas não tão estranhas como querem fazer parecer (uma resposta ao Rui A.)

Sem comentários:
«the right of self-determination of which we speak is not the right of self-determination of nations, but rather the right of self-determination of the inhabitants of every territory large enough to form an independent administrative unit. If it were in any way possible to grant this right of self-determination to every individual person, it would have to be done.


Este excerto (pp. 109-110) é retirado do mesmo livro que o Rui A. citou para sugerir que 1) a Escola Austríaca não tem uma vertente anarquista (e logo que o meu texto é um disparate e não deveria estar num site dedicado a Mises), e/ou 2) que a haver essa vertente, ela existe completamente à revelia da, e oposta à, tradição de Mises (e logo que o meu texto é um disparate e não deveria estar num site dedicado a Mises).

Em primeiro lugar quero dizer que os conteúdos dos meus textos e os possíveis e prováveis disparates neles veículados são inteiramente da minha responsabilidade, e não é justo por isso atacar o recém-nascido Mises.org.pt por coisas que eu tenha escrito. Decerto que haverá outros contribuidores do site que partilhem da sua visão, e espero que a minha simples presença (e de outros anarco-capitalistas) não chegue para descredibilizar a totalidade do projecto, da mesma forma que a presença de anarco-capitalistas no Mises.org original não transforma aquilo num antro de gente que “compreende mal a verdadeira natureza do homem”.

Dito isto, vamos à minha defesa.

Aquilo que Mises refere como anarquismo (e sinceramente é um pouco cansativo ter de estar sempre a fazer este reparo tão óbvio nas conversas com certos minarquistas) é o anarquismo colectivista ou o comunismo libertário, que exclui a necessidade de coerção e de lei. O anarco-capitalismo de inspiração austríaca está muito mais perto do liberalismo clássico do que deste anarquismo clássico (já que insiste na necessidade de lei, apenas insiste igualmente que o Estado é um meio inadequado para o fim), e está à mesma distância (permitam-me a metáfora) do anarquismo individualista de Lysander Spooner, por exemplo, que do liberalismo de Mises. O que me permite dizer isto é a citação acima. Porque ao dizer que “se fosse possível” “teria de ser feito”, então a questão normativa já foi ultrapassada e estamos simplesmente numa questão da praticabilidade da coisa. Mises acredita que não é praticável, e nesse sentido é uma espécie de anarco-capitalista pessimista. Rothbard e Hoppe não vieram disputar a “auto-determinação individual” de que Mises fala; vieram tentar provar que é possível praticá-la.

A razão para Mises achar a coisa impraticável reside na ideia de que a escolha existe apenas entre um monopolista territorial (que inclui um determinado mas considerável número de habitantes) e a total auto-suficiência em termos de protecção no caso de levar a cabo a auto-determinação individual à sua consequência última. A inovação rothbardiana foi lembrar que existe uma terceira opção, que é recorrer à divisão do trabalho e à especialização no sector da protecção da propriedade privada sem que isso signifique um monopolista territorial.

Que o anarco-capitalismo está de costas viradas para grande parte do liberalismo institucionalista, é verdadeiro (sobretudo na vertente hoppeana), mas aquilo que é preciso compreender é que quem começou a virar as costas foi mesmo o Mises, como a citação acima ilustra.

(também publicado aqui)

quinta-feira, setembro 01, 2011

Os artistas são loucos.

Sem comentários:
Mas só alguns têm contactos políticos. Saiba quais. Aqui.

PS:

Vouchers para ir à mercearia!

Sem comentários:
A solução!

O pior de todos os sistemas. Ponto.

Sem comentários:
Há dias em que se acorda com vontade de mandar o país e os compatriotas às urtigas. Se não está com disposição para queixumes, pode ficar por aqui.

Já tenho aqui dito, e volto a repetir: os problemas do país não se resolvem em democracia. Enquanto as massas ditarem o espírito das políticas do Estado, teremos sucessivamente governos mais populistas (por exemplo), mais controleiros (por exemplo) e ridiculamente corporativistas (por exemplo). Sócrates, comparado com Passos Coelho, era quase liberal. E esta é uma tendência irreversível: é cada um pior que o outro, cada um mais mentiroso e vil que o anterior, cada governo sobrepondo as suas políticas absurdas sobre as políticas absurdas do governo passado como se fossem discípulos de Max Stirner com métodos heterodoxos.

A democracia permite às massas articularem a sua inveja e dar vida ao seu ressentimento e râncor; permite que os partidos explorem essas fraquezas morais para destruir a sociedade (PCP, BE) ou para proveito pessoal (PS, PSD, CDS) - outra teoria, provavelmente mais acertada, é a de que todos os partidos têm ambas as características.

O que a democracia não permite é o confronto com a realidade. Um candidato que diga a verdade não chega a ser candidato, quanto mais chefe do governo. E mesmo que minta e queira fazer alguma coisa uma vez no poder, a burocracia não permite - veja-se o caso da Bélgica, há imenso tempo sem governo, mas com toda a burocracia a funcionar, a receber, a regular como se nada se passasse.

Se é verdade que por um lado podemos culpar a ignorância económica do povo e dos partidos pelas políticas de destruição da riqueza, do consumo de capital e de conflito social, nem tudo pode ser assim explicado. É duvidoso que o povo ou os políticos de outros tempos fossem mais informados sobre as leis do mercado do que o povo e os políticos de hoje, e no entanto, ser empresário ou capitalista não implicava baixar as calças e levantar o traseiro como hoje, o atentado à ordem social era significativamente menor e, de qualquer das formas, mais tímido, mais contido e, de alguma forma, envergonhado. O problema, volta-se a repetir, é um sistema que se aproveita das fraquezas do povo e que promove os mais virulentos sociopatas ao topo, sem incitar qualquer resistência activa ou passiva na população porque "daqui a não sei quantos anos podemos escolher outro otário".

Às vezes custa a acreditar que um sistema tão perverso possa ser tão bem sucedido a camuflar-se de boas intenções, de promotor e guardião da liberdade e todas as tretas possíveis e imaginárias que servem de legitimação à palhaçada. Mas dado que a grande maioria das pessoas prefere insistir no erro, então mais vale insistir em áreas mais circunscritas.  Só o separatismo permite um futuro. E quanto mais separado, melhor.

sábado, agosto 27, 2011

Deve o Estado pagar o que deve às empresas?

12 comentários:
O Eduardo F. linka aqui e elogia um texto que sugere uma medida para "estimular a economia" (em oposição às medidas desastrosas geralmente avançadas pelo Estado para o efeito). A medida é simples: que o Estado pague o que deve às empresas, dado que muitas dessas empresas a quem o Estado ainda não pagou estão sufocadas e em dificuldades devido precisamente ao facto de que o Estado ainda não lhes pagou pelos serviços prestados.

À partida a ideia parece boa e apelativa para um liberal - afinal, queremos que a economia recupere e que as empresas funcionem. Mas convém perguntar previamente que economia e que empresas são estimuladas quando o Estado pagar o que lhes deve. E a resposta é simples: é a economia e são as empresas que vivem, indirectamente, dependentes da actividade estatal. Caso contrário não estariam sufocadas com a ausência de pagamento do Estado, aliás - nem prestariam qualquer serviço à entidade em primeiro lugar.

Em segundo lugar, os serviços prestados pelas empresas em questão ao Estado são úteis ou desejáveis? Tendo a achar que não. Preferível seria que o Estado não se arrogasse o direito e o dever de levar a cabo certas tarefas, caso em que não seria necessário contratar qualquer empresa para o efeito, já que - a ser legítima a função que cumprem - tais empresas seriam procuradas pelos consumidores, directamente, em vez de ter como clientela o Estado português.

Em terceiro lugar, e intimamente ligado a todo o restante argumento, é que o dinheiro com que o Estado paga às empresas - quer no momento, quer posteriormente - é dinheiro extorquido ao sector privado. E nesse caso, não seria um melhor estímulo à economia reduzir os impostos e regulações drasticamente, em vez de insistir no erro - ou seja, em vez de o Estado continuar a ter funções e gastos absurdos e de contratar empresas para lhes dar vida?

Que um indivíduo ou empresa privada pague o que deve é um imperativo moral. Mas não pode haver um imperativo moral que justifique o roubo dos contribuintes para que se paguem serviços que os contribuintes não encomendaram. Porque o Estado tem apenas dinheiro que não é seu, e contratar uma empresa para um serviço é exactamente o mesmo que pagar directamente a burocratas para o fazer: não é uma escolha voluntária dos consumidores. Com a agravante de manter empresas e empregos que não devem existir, porque a procura dos seus serviços é maioritariamente estatal.

É difícil dizer categoricamente se se trata de corporativismo puro ou de simples prestações de serviços aparentemente inofensivas, e cada caso será um caso. Mas nada pode apagar o facto de que o pagamento das dívidas às empresas apenas encorajará as empresas a procurarem prestar serviços ao Estado, seja de que natureza forem, e a continuar a depender dessas prestações de serviços. E isso é um resultado que, em primeiro lugar, não estimula a economia, apenas estimula o poder do Estado e algumas empresas, e em segundo lugar mantém as tais empresas que, dada a sua dependência dos contratos estatais, não deveriam existir - pelo menos nos moldes em que existem hoje.

O grande problema da economia portuguesa é viver numa total dependência do Estado, e medidas que encorajem os empresários (tal como outras encorajam outros grupos) a beneficiar com o saque dos contribuintes não são estímulos à economia, são estímulos à corrupção, à ineficiência e sobretudo à ambiguidade moral de quem se sustenta com dinheiro roubado.

quinta-feira, agosto 25, 2011

A minoria mais perseguida II

Sem comentários:
«Joe Berardo: Responsável pela criação da Fundação Berardo e dono da colecção Berardo, subsidiada pelo Estado português. Comprou acções do BCP com apoio da Caixa Geral de Depósitos numa operação que permitiu colocar Armando Vara na direcção do banco. A história da tomada do BCP e os custos para a CGD dessa operação nunca foram esclarecidos.

Creio que esta notícia esclarece muito bem a relação de Berardo com os impostos:

A Fundação Berardo é acusada pela Inspecção-Geral das Finanças de não ter pago o IVA e o IRS em 2009, no valor total de 128,7 mil euros. Joe Berardo nega.

«Que eu saiba não temos qualquer dívida», disse o empresário à Agência Financeira, para depois acrescentar que «é o Governo que está em falta para com a Fundação»; «falta dinheiro» das verbas do Estado que seriam a ela destinadas.
.
Liliane Bettencourt: Herdeira da L’Oréal. Também tem uma fundação. Envolvida em escândalos de fuga ao fisco (dinheirinho na Suiça) e financiamento de campanhas políticas.

Franck Riboud: Presidente e filho do fundador da Danone. A Danone é famosa por ter dados origem às Leis Danone, leis criadas para proteger esta e outras empresas francesas de eventuais OPAs..

Jean-Cyril Spinetta: Desempenhou durante toda a vida cargos de confiança política. Foi presidente da Air France e agora é presidente da Air-France-KLM, empresa onde o estado francês ainda mantém uma participação importante (15,7 %). Como outros que assinaram a petição, é um executivo. Nada indica que o termo super-rico se lhe aplique.

Philippe Varin: Presidente da PSA Peugeot Citroën desde 2009. A empresa foi uma das principais beneficiárias do estímulo à indústria automóvel de 2009-2010, em que embarcaram vários governos europeus liderados pela Alemanha e pela França. A ideia de que alguém deve pagar mais impostos para que alguém possa beneficiar dos subsídios faz parte do modelo de negócio da PSA Peugeot Citroën.

Frédéric Oudéa: Presidente da Société Générale. Trabalhou no gabinete de Sarkozy quando este foi ministro (não entra na categoria dos super-ricos). Em 2008-2009 a Société Générale recebeu 3,6 mil milhões euros do Estado francês para resolver problemas de liquidez. Enquanto isso, Frédéric Oudéa recebia cerca de 375 mil euros em stock options como prémio de gestão. Bailouts e subsídios pagos com impostos também fazem parte do modelo de negócio da Société Générale

João Miranda, aqui.

quarta-feira, agosto 24, 2011

A minoria mais perseguida.

Sem comentários:
«"Os milionários norte-americanos e europeus estão a sofrer um ataque de generosidade?"
João Cândido da Silva, no JN

Gostaria de responder claramente a esta pergunta do JCS. Não, os milionários norte-americanos e europeus estão a agir no plano do mais puro egoísmo possível porque eles são os beneficiários directos das políticas Keynesianas dos governos dos seus países.
Cada Euro que entreguem com a mão esquerda regressará à mão direita, depois de multiplicado dezenas de vezes. Por isso é que nos países socialistas os "ricos ficam cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres"

Joaquim, aqui.

sexta-feira, agosto 12, 2011

Uma boa observação sobre os motins no Reino Unido

Sem comentários:
«tem sido exactamente nas comunidades que penso menos integradas na cultura dominante - turcos, sikhs, etc. - que mais têm aparecido exemplos de auto-organização voluntário / vigilantismo para travar as pilhagens.» 

Miguel Madeira, aqui.

Sobretudo porque a cultura dominante é a cultura da social democracia, da escola pública, do secularismo e do estado social. O problema parece ser mais o de culturas tradicionais vs. cultura estado-social - e os motins em Inglaterra parecem ser a demonstração de que a cultura do Estado Social (de irresponsabilidade, amoralidade e violência) está a sobrepor-se à cultura tradicional (seja ela de que raça ou religião for) - caso contrário, não estariam os ingleses e ocidentais a defender a sua propriedade da mesma forma que os turcos, sikhs, etc? É precisamente por estarem integrados nessa cultura dominante que dependem do Estado para protecção tal como os vândalos dependem do Estado para os subsídios.

Numa palavra: social-democracia.

Sem comentários:
«British children are much likelier to have a television in their bedroom than a father living at home. One-third of them never eat a meal at a table with another member of their household -- family is not the word for the social arrangements of the people in the areas from which the rioters mainly come. They are therefore radically unsocialised and deeply egotistical, viewing relations with other human beings in the same way as Lenin: Who whom, who does what to whom. By the time they grow up, they are destined not only for unemployment but unemployability.

(...)

Relatively poor as the rioting sector of society is, it nevertheless possesses all the electronic equipment necessary for the prosecution of the main business of life; that is to say, entertainment by popular culture. And what a culture British popular culture is!

Perhaps Amy Winehouse was its finest flower and its truest representative in her militant and ideological vulgarity, her stupid taste, her vile personal conduct and preposterous self-pity.

Her sordid life was a long bath in vomitus, literal and metaphorical, for which the exercise of her very minor talent was no excuse or explanation. Yet not a peep of dissent from our intelllectual class was heard after her near canonisation after her death, that class having long had the backbone of a mollusc.

Criminality is scarcely repressed any more in Britain. The last lord chief justice but two thought that burglary was a minor offence, not worthy of imprisonment, and the next chief justice agreed with him.

By the age of 12, an ordinary slum-dweller has learned he has nothing to fear from the law and the only people to fear are those who are stronger or more ruthless than he.

Punishments are derisory; the police are simultaneously bullying but ineffectual and incompetent, increasingly dressed in paraphernalia that makes them look more like the occupiers of Afghanistan than the force imagined by Robert Peel. The people who most fear our police are the innocent.

Of course, none of this reduces the personal responsibility of the rioters. But the riots are a manifestation of a society in full decomposition, of a people with neither leaders nor followers but composed only of egotists.»

Theodore Dalrympl, aqui.

quarta-feira, agosto 10, 2011

Anarchy (actually anomie) in the UK - notas soltas

Sem comentários:
A primeira coisa que me veio à cabeça ao ver os jovens ingleses a destruir e pilhar como se se tratassem de hordas bárbaras foi: estes miúdos não têm pais que lhes dêem uns tabefes e os ponham na ordem? Claro que, a idade da maioria deles já está para além da influência paternal, mas o mais provável é que sempre tenham estado. Grande parte deles vêm provavelmente de famílias que vivem de subsídios e rendimentos garantidos há gerações e gerações - ou seja, a quem o dinheiro não custa a ganhar, é uma garantia política. O sentimento de "quero, posso e mando" está, pois, claramente inculcado nas cabeças ocas dos selvagens. 

A esquerda, de resto, é responsável por legitimar e justificar a barbárie. Foi a esquerda que papagueou até se tornar sabedoria comum que eles TÊM DIREITO a viver à custa dos outros, mesmo que os outros não se sintam para aí inclinados. E se é legítimo o Estado roubar dinheiro aos "ricos" para lhes dar a eles, será igualmente legítimo que eles o roubem directamente a outros "ricos". Como dizia uma idiota inglesa que participou na barbárie: it's about showing the rich that we can do what we want (parafraseio de cabeça).

E é nestes momentos de brutalidade das juventudes de classes baixas* que a parvoice profunda do esquerdismo vem ao de cima e se mostra no seu esplendor orwelliano: os criminosos são na verdade vítimas e a responsabilidade não é dos que praticam, mas do "capitalismo selvagem" ou outro nonsense do género. Em suma, a culpa é da sociedade que não os acarinhou, do Estado que não lhes deu oportunidades suficientes, etc. Nunca lhes ocorre, certamente, que é possível ser pobre sem roubar ninguém. Esta desculpabilização esquerdista é no fundo a desumanização das pessoas pobres: a redução dos pobres que não roubam a uma cambada de idiotas que não aproveitam as vantagens de pertencerem à "classe oprimida", são pessoas com "falsa consciência", que se sujeitam e subjugam à "mentalidade burguesa" e preferem trabalhar a receber do Estado. É a verdadeira domesticação dos pobres, como se ser pobre apagasse a possibilidade de escolha moral, e como se "trabalhar para viver" fosse um crime perpetrado pela sociedade capitalista (que só existe na cabeça dos esquerdistas). O pior inimigo da esquerda é o pobre honesto e trabalhador.

Um último ponto sobre como algumas pessoas se têm referido aos criminosos em Inglaterra: acho muito injusto compará-los ou referi-los como animais, ou como animalescos - injusto para os animais, claro. Os animais não são seres morais e merecem o nosso respeito, amizade e compaixão, mesmo quando fazem coisas desagradáveis, precisamente por esse facto. É, pois, injusto compará-los a meninos mimados com um apetite para a destruição. Estes criminosos não merecem a compaixão que devemos ter pelos animais; merecem, no mínimo, um bom enxerto de porrada e uma estadia prolongada na Coreia do Norte.

* já não é justo ou exacto chamar "working class" àqueles miúdos e seus respectivos pais, visto que a grande maioria - arrisco - nunca trabalhou ou trabalha apenas o mínimo para voltar aos braços do Estado Social e ser ociosamente irresponsável e destrutivo - tal como vemos acontecer aqui em Portugal e por todo o mundo onde existe esta mentalidade de direito ao, e um sistema que lhes permita viver do, dinheiro dos outros.

sexta-feira, julho 01, 2011

Them Poor Old Slaveholding Founders Need All the Help They Can Get

2 comentários:
«Walter Williams writes:

Here’s my hypothesis about people who use slavery to trash the Founders: They have contempt for our constitutional guarantees of liberty. Slavery is merely a convenient moral posturing tool as they try to reduce respect for our Constitution.

Well, I don’t regard slavery as “merely a convenient moral posturing tool,” but yes, I do have contempt for the Constitution’s so-called guarantees of liberty, and I am certainly out to try to reduce respect for that statist and statism-enabling document. So yes, he’s essentially right about people like me.»

Roderick T. Long, aqui.