quinta-feira, dezembro 27, 2012

sexta-feira, dezembro 07, 2012

Para que servem os liberais?

2 comentários:
«devem ser utilizados recursos públicos para monitorizar os blogs? Não quero ainda dar uma resposta definitiva, e não sei se estarei sequer, mesmo no fim desta série, em condições de a dar.»


Próximo episódio: devem ser utilizados recursos públicos para perseguir e torturar cidadãos quando apetecer?

Não quero ainda dar uma resposta definitiva e não sei se estarei sequer em condições de a dar.

segunda-feira, dezembro 03, 2012

Bater no ceguinho (parte II: a cassete)

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A única "cassete" mais repetida que a do PCP é a dos que gozam com a mesma. E que gozo que dá ridicularizar um partido que mantém o seu discurso de ano para ano, de década para década, de eleição para eleição.

Esta história da cassete sempre me causou alguma confusão. Até finalmente perceber o porquê da famosa cassete comunista causar tanta gargalhada entre os moderados. É tão simples como isto: de tanta subserviência a um status quo partidário que muda de discurso como quem muda de roupa interior, com a flexibilidade própria de um acrobata ou de uma prostituta, os críticos da cassete são, na verdade, críticos de algo muito mais fundamental e importante: princípios. 

Num mundo cada vez mais cínico, em que o discurso político se encontra despido de qualquer ideia basilar ou valor moral, é natural que um partido que se recusa a alterar os seus princípios conforme a maré eleitoral exige se preste ao ridículo.

Por mim, ficava satisfeito se começassem a acusar os liberais de terem uma cassete. Era um óptimo sinal de que aderiam a princípios e que não os abandonavam à primeira oportunidade. A realidade, porém, é diferente.

O problema da cassete comunista não é ser cassete: é ser comunista. É de resto o mesmíssmo problema do discurso (e da prática) dos outros partidos, que apesar das manobras acrobáticas, não são menos comunistas que o PCP. São só mais arrivistas.

Bater no ceguinho

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Dia sim dia não observamos na blogosfera de direita a curiosa actividade de bater no ceguinho. O ceguinho, neste caso, é o PCP e os comunistas em geral. Podemos questionar-nos sobre as intenções sub-reptícias desta actividade, não porque elas tenham alguma importância, mas porque têm imensa piada. À partida, a intenção que mais sentido faz para mim é, no fundo, assobiar para o lado. Isto é, apontando o dedo à presa fácil do PCP a direita portuguesa (liberais e não liberais) escusam-se o transtorno de lidar com a desgraça que é a direita partidária portuguesa, sobretudo quando esta forma governo. É, na essência, um exercício patético, mas uma patetice compreensível.

Mas convém entender sobretudo o porquê do PCP ser um "ceguinho" em que a direita blogosférica zurze tão cobardamente. 

O PCP é um partido sem futuro há pelo menos vinte anos. Apesar dos seus símbolos manterem uma aura atractiva para o jovem descerebrado (redundância, redundância), a sua ideologia está, para todos os efeitos, morta para sempre. Pouca ou nenhuma responsabilidade, de resto, lhe pode ser imputada pelos protestos cada vez mais descontrolados que se têm vindo a observar. Os protestos não são o produto de agitação da extrema-esquerda; são o produto de impostos monstruosos, regulações censórias e nepotismos vários a que o Estado - governado quase ininterruptamente por maiorias absolutas de PS/PSD/CDS-PP - submeteu e submete a população; são o produto da miséria e da desordem gerada por um Estado que tudo quer consumir e controlar. E esse Estado não é, em quase nada, responsabilidade do PCP. 

Poderíamos porém pensar que o programa do PCP, apesar de inofensivo na prática, fosse tão chocantemente agressivo e destrutivo se posto em prática que merecesse uma especial atenção. Mas nem sequer é o caso. É certo que podemos criticar o PCP por propor impostos altos sobre os ricos, regulações ridículas sobre tudo o que mexe e não mexe, proteccionismos vários, favoritismos lorpas, etc. Mas importa sublinhar que essas propostas não diferem em nada das práticas do PSD, do PS e do CDS. Nós temos impostos altos sobre os ricos; temos regulações ridículas sobre tudo o que mexe e não mexe, temos proteccionismos vários e favoritismos lorpas. Temos isso tudo e muito mais. E não é ao Partido Comunista que devemos agradecer o comunismo do Estado português.

Atacar o PCP, no entanto, é um exercício seguro. Não se arrisca nada em bater no ceguinho comunista. Lembrar as monstruosidades do comunismo global cai sempre bem e arrecada frequentemente aplausos, por mais remota que seja possibilidade dessas monstruosidades se materializarem aqui e por mais irrelevante que seja mencioná-las uma vez mais. 

Entretanto, sob um parcial silêncio comprometido, a social-democracia, a idolatria pan-europeia, o estado social "responsável" do mainstream vai empurrando milhares (milhões?) para a miséria ou para o estrangeiro, destruindo o que resta da nossa capacidade produtiva e do nosso capital, de forma a alimentar os inúmeros parasitismos inamovíveis que existem na nossa sociedade desde o 25 de Abril.

É, como se costuma dizer, uma questão de critério. Ou da sua ausência.

terça-feira, novembro 27, 2012

Rude Awakening

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O Carlos Guimarães Pinto saiu do Insurgente depois de fazer umas citações ao lado de umas fotografias, que constatavam o óbvio: que liberais no governo significa, sobretudo, o governo nos liberais. O liberalismo, como se sabe, é um luxo da oposição, que não imagina as responsabilidades concretas da governação e a necessidade de equilíbrio e compromisso.

O barrete serviu, aparentemente, e agora podemos encontrá-lo, a solo, aqui. É o preço que se paga por ter uma espinha e uma consciência. Mas como se costuma dizer, mais vale só que mal acompanhado

segunda-feira, novembro 26, 2012

O porquê da História ser irrelevante em discussões sobre Teoria Política e Economia.

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«The subject matter of all historical sciences is the past. They cannot teach us anything which would be valid for all human actions, that is, for the future too. The study of history makes a man wise and judicious. But it does not by itself provide any knowledge and skill which could be utilized for handling concrete tasks. 

The natural sciences too deal with past events. Every experience is an experience of something passed away; there is no experience of future happenings. But the experience to which the natural sciences owe all their success is the experience of the experiment in which the individual elements of change can be observed in isolation. The facts amassed in this way can be used for induction, a peculiar procedure of inference which has given pragmatic evidence of its expediency, although its satisfactory epistemological characterization is still an unsolved problem. 

The experience with which the sciences of human action have to deal is always an experience of complex phenomena. No laboratory experiments can be performed with regard to human action. We are never in a position to observe the change in one element only, all other conditions of the event remaining unchanged. Historical experience as an experience of complex phenomena does not provide us with facts in the sense in which the natural sciences employ this term to signify isolated events tested in experiments. The information conveyed by historical experience cannot be used as building material for the construction of theories and the prediction of future events. Every historical experience is open to various interpretations, and is in fact interpreted in different ways. (...) 

Complex phenomena in the production of which various causal chains are interlaced cannot test any theory. Such phenomena, on the contrary, become intelligible only through an interpretation in terms of theories previously developed from other sources. In the case of natural phenomena the interpretation of an event must not be at variance with the theories satisfactorily verified by experiments. In the case of historical events there is no such restriction. Commentators would be free to resort to quite arbitrary explanations. Where there is something to explain, the human mind has never been at a loss to invent ad hoc some imaginary theories, lacking any logical justification. 

In the field of human history a limitation similar to that which the experimentally tested theories enjoin upon the attempts to interpret and elucidate individual physical, chemical, and physiological events is provided by praxeology. Praxeology is a theoretical and systematic, not a historical, science. Its scope is human action as such, irrespective of all environmental, accidental, and individual circumstances of the concrete acts. Its cognition is purely formal and general without reference to the material content and the particular features of the actual case. It aims at knowledge valid for all instances in which the conditions exactly correspond to those implied in its assumptions and inferences. Its statements and propositions are not derived from experience. They are, like those of logic and mathematics, a priori. They are not subject to verification or falsification on the ground of experience and facts. They are both logically and temporally antecedent to any comprehension of historical facts. They are a necessary requirement of any intellectual grasp of historical events. Without them we should not be able to see in the course of events anything else than kaleidoscopic change and chaotic muddle

Mises, Human Action, p. 30-32

domingo, outubro 21, 2012

A mentalidade anti-capitalista portuguesa: um exemplo.

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Há muitos anos que moro ao pé da primeira das pastelarias Aquarius que abriu no país. Conheço, por isso, o patrão desde os tempos em que estava ele atrás do balcão a servir os clientes. Hoje, o senhor (com uma idade claramente avançada) já não serve os clientes atrás do balcão. No entanto, é sempre o primeiro a chegar e procede, depois da sua visita inicial ao estabelecimento-mãe, para uma visita pelos outros situados em Lisboa. Pelo que me contou uma vez um empregado (também ele já veterano, de vida e de emprego na pastelaria), o patrão faz a ronda mais do que uma vez por dia, para se assegurar de que todas as lojas estão a funcionar como devem. 

Este zelo, que é visto como um excesso, é prontamente criticado ou incompreendido por várias pessoas - elas mesmas clientes do estabelecimento. Junte-se isto ao facto de andar com o mesmo carro há vários anos (um bom carro, mas um carro velho), de não se lhe conhecerem grandes ou longos férias, e a personagem é vilificada e/ou ridicularizada como uma personagem cartoonesca. Já ouvi de tudo: que "é agarrado ao dinheiro", que "não deixa os empregados em paz", "que não aproveita o sucesso que tem" e todas as variações possíveis desta canção popular. 

Isto vem a que propósito? Vem a propósito da mentalidade portuguesa em relação ao empreendedorismo e aos patrões. É um exemplo sintomático de como os portugueses não entendem e, por isso, desdenham e demonizam a função do patrão e do empreendedor. Não lhes ocorre pensar que é precisamente pelo zelo constante, e pela preferência por não esbanjar o dinheiro num carro novo todos os anos, que o homem mantém e expande a sua empresa, providenciando um óptimo serviço. Não entendem que o sucesso que ele, alegadamente, não aproveita, é o resultado do seu trabalho, do seu empenho e da sua moderação. 

Se não fossem homens destes, o país estaria bem pior do que está. Infelizmente tudo o que todos os governos fizeram e fazem é antagonizar estas pessoas e forçá-las a ser empreendedoras noutro sítio; ou a fechar o negócio, juntar o dinheiro e ir gastá-lo em bens de consumo. Isto, com o consentimento e o aplauso do cidadão comum, que claramente vive num mundo complexo demais para a sua cabeça simplória.

terça-feira, setembro 18, 2012

Uma análise custo-benefício das análises custo-benefício das tropelias de um governo que não é, nem nunca foi, liberal.

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Desde que este governo tomou posse  algo de sinistro se apoderou dos liberais e tudo passou, de repente, a uma análise custo-benefício dos nadas que o governo tem encenado. Nestas tísicas e cínicas contas há algo que convida a mais do mesmo, em vez de apontar para uma solução duradoura que só pode ser encontrada numa mudança de paradigma.

As criaturas que se têm ocupado a discutir percentagens perderam o fio à meada. Para rejeitar os clamores de "justiça social" da rua dominada por sentimentos de esquerda, esquecem-se que é mesmo disso que se trata: de justiça. E que nenhuma pode ser encontrada nesta dança de pontos percentuais.

Além de descartarem o potencial incendiário dos sentimentos de injustiça - que presentemente são todos aproveitados pelos vendedores de banha da cobra socialista, com efeitos devastadores, como se pode ver; perdem também de vista o objectivo central de libertar a sociedade civil do monstro estatal.

As discussões sobre os efeitos destes arranjos cosméticos são um exercício fútil e revelam uma certa amoralidade que mortifica quem pela primeira vez tem contacto com o ponto de vista liberal.

domingo, setembro 16, 2012

Manifs, alternativas, ponto da situação, etc.

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Descobri tarde o slogan da Manif deste Sábado, e devo dizer que excede a estupidez habitual. "Que se lixe a Troika, Queremos as nossas Vidas" não é apenas vácuo e absurdo, é toda uma nova forma de não dizer nada e uma muito estranha forma de não utilizar os profissionais de marketing que por certo são simpatizantes do Bloco de Esquerda e estão dispostos a trabalhar dia e noite para inventar vacuidades do género, que não dizendo muito mais, poderiam soar melhor. Mas adiante.

Qual o propósito da manifestação? À partida, e dada a táctica referida de «tomar as ruas e as praças das cidades», seria uma versão civil de um pronunciamento militar - com o mesmo objectivo: fazer cair o governo do dia. O propósito não é expresso abertamente, claro. Mas se há um, é este - e há que apreciar a boa intenção. 

O problema da manifestação é que esse não é o seu único propósito. Os manifestantes não querem apenas fazer cair o governo. Querem substituí-lo por outro. Aí reside toda a sua tragédia. Passos Coelho não é um Sith Lord, nem Vitor Gaspar (apesar da sua voz monocórdica) é o Darth Vader. Eles não nos querem mal, e querem apenas ligeiramente melhorar as suas próprias vidas e dos amigos à custa de quem trabalha. Realmente preocupante é serem executantes "responsáveis" e "moderados" da vil arte de governar. É serem produtos dos partidos e das universidades. E acharem que é possível encontrar um equilíbrio duradouro no saque contínuo de quem produz alguma coisa e na distribuição da pilhagem por quem não produz coisa alguma. Não se trata só de ajudar os amigos e viver à conta dos outros. Eles, infelizmente, não são apenas vigaristas. Acreditam mesmo no sistema, no roubo como forma de vida, na redistribuição como justiça. É a filosofia da distribuição do mal pelas aldeias. E o principal problema é que o povo acredita exactamente no mesmo. Daí decorre que qualquer governo eleito que venha substituir o presente, não fará (como nenhum nunca fez) nada de diferente.
 
Partindo do princípio dúbio de que existe algures em Portugal pessoas que, simultaneamente, queiram pastorear a carneirada pátria, conheçam a raíz dos problemas nacionais e estejam dispostos fazer (ou mais precisamente, a desfazer) o necessário para os resolver, quem votaria nelas? Que triste alma se prestaria a dizer a verdade à populaça? E quem, da populaça, se prestaria a votar numa criatura assim? E se por um acaso feliz e improvável as tais pessoas estivessem em posição de desmantelar o monstro estatal, quanto tempo durariam até que novas manifestações estivessem na rua com novos slogans risíveis?

A tragédia portuguesa (ou mais precisamente, a tragédia democrática) reside na impossibilidade de eleger alguém que diga a verdade sobre o país. Que repudie a dívida e baixe os impostos, mas simultaneamente despeça milhares de funcionários públicos, acabe com benefícios sociais, parcerias público-privadas, fundações, empresas públicas, etc. Seria assassinado no segundo dia de mandato.

É o chamado pau de dois bicos ou a pescadinha de rabo na boca. A populaça quer um Estado paternal. Tal Estado só é possível recorrendo à dívida externa (porque um tal Estado não permite que o país produza o necessário para satisfazer as aspirações materiais do povo). A dívida, para poder ser continuada (como tem de ser num tal cenário), lá vai tendo de ser paga. E para ser paga é necessário mais impostos, sobre mais coisas e mais gente.

Sucede, pois, que a situação é insolúvel. Outro governo não fará certamente nada de aberrantemente diferente, simplesmente porque não pode. Pode fazê-lo sem ser tão asquerosamente pedante como Passos Coelho, o que talvez cause menos hostilidade e lhe dê mais algum tempo. Mas não será uma solução. Não será sequer um paliativo. Será, exactamente, nada. 

O povo quer o que quer. E o que o povo quer é irrealizável. O que virá a seguir não será bonito. Será inevitável.

sexta-feira, setembro 14, 2012

As boas notícias possíveis.

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O governo vai prodigiosamente continuando o legado dos seus predecessores democráticos, asfixiando a economia para o benefício dos amigos e conhecidos? A populaça agita-se um tanto ou quanto desmioladamente (para variar)? A oposição grasna sem alternativas (ou com alternativas piores)? O tempo é de crise, senão de luto? 

Certo, certo. Mas nem tudo está perdido. Nestes tempos negros as boas notícias tendem a passar despercebidas. Não deixemos, pois, que passem.

Um estudo feito pela Faculdade de Economia do Porto, por exemplo, dá conta que a economia paralela no ano de 2011 passou dos 25%. Paremos um momento para pensar no que isto significa: um quinto da riqueza produzida no país em 2011 escapou, incólume, à voracidade estatal. A razão? Simples: com os aumentos verificados na carga fiscal o incentivo à fuga torna-se mais atraente. Mais: há boas razões para suspeitar que, caso não fossem feitas fora da lei, grande parte destas transacções não se teria dado em primeiro lugar. E não falo de bens ou serviços cuja venda e compra o Estado proíbe (maioritariamente, droga e prostituição). 

Falo de transacções de bens ou serviços que o Estado, permitindo, desencoraja com a sua desmedida gula pelo dinheiro alheio; transacções que não chegam a acontecer porque para trabalhar para os outros mais vale estar quieto. A fuga aos impostos permite, precisamente, que alguns portugueses não estejam tão quietos como a taxa de desemprego faria crer; permite acrescentar uns cobres no final do mês para que a miséria do costume não seja tão miserável como costuma ser.

E se em 2011 a economia paralela ultrapassou os 25% - com uma carga fiscal menor - o que esperar para este ano senão o aumento da fuga aos impostos?

Mais do que as manifestações populares sem qualquer fio idelógico condutor e sem alternativas dignas de nome, a fuga aos impostos constitui uma verdadeira forma de protesto e uma efectiva reinvindicação de direitos (o direito a manter o próprio dinheiro, em vez do direito ao dinheiro dos outros - motivação maioritária entre os manifestantes). E ao contrário das manifestações, que não diferem na prática de um festival de verão sem concertos, esta forma de protesto envolve um risco muito real e traz, naturalmente, um benefício muito directo e imediato.

Dada a situação precária do país, a ganância do governo e a estupidez dos deputados podemos esperar um aumento ainda maior da fuga aos impostos em 2012 e 2013. É certo que se trata de uma via impossível para muita gente. Mas com o tempo (e com a destruição promovida pelo país político), o país real vai-se libertando aos poucos das garras, e que remédio tem senão libertar-se. Há-de chegar a altura em que os benefícios de viver fora da lei, à revelia do Estado, serão maiores que os custos. E esse momento parece estar cada vez mais perto.

São as boas notícias possíveis.

terça-feira, junho 05, 2012

Mais super ultra mega liberalismo.

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«The fact is that the government, like a highwayman, says to a man: "Your money, or your life." And many, if not most, taxes are paid under the compulsion of that threat The government does not, indeed, waylay a man in a lonely place, spring upon him from the roadside, and, holding a pistol to his head, proceed to rifle his pockets. But the robbery is none the less a robbery on that account; and it is far more dastardly and shameful..» (p. 17)

Lysander Spooner, No Treason: The Constitution of No Authority (1870)

Parece que Lysander Spooner está finalmente desactualizado.

domingo, junho 03, 2012

A única democracia no Médio Oriente.

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«And if a stranger sojourn with thee in your land, ye shall not do him wrong. The stranger that sojourneth with you shall be unto you as the home-born among you, and thou shalt love him as thyself; for ye were strangers in the land of Egypt: I am the LORD your God.» 

Leviticus, 19:33-34

Ao que parece a citação acima já não se aplica. E quem os lembra disso arrisca-se a sofrer o mesmo destino. Parece que a obsessão com o Holocausto não serviu de muito. Só, talvez, para o repetirem. Desta vez sendo eles os carrascos.

segunda-feira, maio 21, 2012

Mudam-se as moscas...

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Custa-me a entender o alvoroço perante a aberrante normalidade do "caso Miguel Relvas". A coisa é condenável? Claro que sim. Mas só gente muito crédula se surpreende. Enquanto houver poder para tal, abusá-lo não é uma anomalia: é a consequência lógica.

Da mesma forma, quem esperava que Passos Coelho condenasse, e demitisse, o ministro Relvas só pode pertencer à mesma espécie que esperava um PSD liberal.

Como se costuma dizer: só se desilude quem tem ilusões. Mudam-se as moscas... e o resto já se sabe.

quinta-feira, maio 17, 2012

Não importem o BOPE.

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A resposta adequada à criminalidade violenta não é dar mais poder e mais armas ao Estado, como se sugere aqui. A solução a longo prazo passa pelo desmantelamento do Estado Social e pela derrota ideológica da mentalidade secular e esquerdista da vitimização dos criminosos, que efectivamente patrocina e justifica a degradação moral que se torna cada vez mais comum e variada. 

A curto prazo, a resposta adequada à criminalidade violenta é a legalização das armas, da legítima defesa e da formação de milícias voluntárias. Porque "importar o BOPE" só vai adicionar um gangue, ainda maior e mais bem armado, aos outros, e este com permissão legal e salário pago pelo contribuinte.

A Telenovela do Cinema Português.

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O João Pereira Coutinho é um moderado com sentido de humor e cinismo qb - o que para a sociedade respeitosa e hipócrita em que vivemos o torna um perigoso polémico. Como escreveu umas banalidades sobre a indigência dos cineastas portugueses, e nem sequer umas banalidades especialmente provocatórias, caiu-lhe a Esquerda em cima, com o dedo em riste e a perene acusação de crime de neoliberalismo.

O João Pereira Coutinho não falou, porém, na idiotia e falta de vergonha dos cinéfilos blasé que por muito que escondam as suas "boas intenções" culturais sabem que estão a exigir dinheiro roubado aos contribuintes para ver filmes que mais ninguém quer ver - se quisessem, não era preciso roubá-los. Também não falou na, conhecida mas pouco explorada, obsessão da Esquerda com tudo o que passa por "cultura", que se observa em primeiro lugar sobre o cinema e que é resumida numa frase de Woody Allen «if a guy comes out onstage at Carnegie Hall and throws up, you can always find some people who will call it art.».

É aliás, inútil, tentar chamá-los à razão e falar-lhes no mundo real (mesmo da forma simplificada como o JPC tentou fazer): estamos na presença de artistas que não podem ter preocupações mundanas como financiamento e rentabilidade. Eles não são deste mundo; existem num lugar à parte, algures no Bairro Alto ou no Chapitô, onde se respira e se discute a Arte (com A grande) e onde - em nome da Arte - se congeminam petições (a que chamam ultimatos - e não se sabe o que farão, ou deixarão de fazer, se não lhes fizerem as vontades) que lhes permitam viver neste limbo artístico. Nisto, parecem verdadeiras personagens de uma telenovela (formato que detestam, porque agrada ao povinho e, como tal, dá dinheiro): unidimensionais e repetitivos. E eminentemente ridículos.

Só um cineasta português (naturalmente, de esquerda) poderia sequer conceber uma frase - e patrocinar uma mundividência - como esta: «é precisamente o oposto da caridade aquilo que se pretende: um país onde exista o sentido de dever, por parte do Estado, de estabelecer condições para que os seus artistas criem em Liberdade.» Esta redefinição de liberdade criativa (na verdade, uma declaração de dependência absoluta) por parte dos artistas do cinema é a confirmação do que o JPC escreveu.

Seja como for, ter um mentecapto como o João Salaviza a criticá-lo num site do Bloco de Esquerda só pode ser um bom sinal para o João Pereira Coutinho.

domingo, maio 13, 2012

A oportunidade que é estar desempregado numa social-democracia.

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Ia responder a este magnífico exemplo de sabujismo sobre as recentes e infelizes declarações de Passos Coelho, mas já outro insurgente se insurgiu:

«Seria importante que Passos Coelho não se esquecesse de que, quando fala do desemprego em Portugal, está a falar em grande medida de uma série de pessoas que não viram apenas o seu emprego a desaparecer – antes viram desaparecer toda e qualquer perspectiva de de exercerem qualquer actividade. Pessoas que trabalhavam em indústrias que perderam por completo toda a sua competitividade com o exterior, que se tornaram obsoletas, que nunca mais regressarão ao nosso país; e pessoas que não têm (no horrível termo burocrático dos nossos dias) “competências” para procurarem empregos noutras áreas; ou que por terem 40, 45, 50 ou mais anos, são consideradas demasiado velhas por “empreendedores” como os que enchem os discursos de Passos Coelho; que, pura e simples, foram deixadas para trás pelo andar da carruagem. Essas pessoas, mudaram mesmo de vida. Mas essa mudança foi efectivamente uma tragédia para elas, e não lhes abriu qualquer oportunidade. 

Mas se Passos Coelho quer realmente que os portugueses vejam o desemprego como uma oportunidade, tem bom remédio. Porque é dele e dos seus colegas de Governo que isso depende. A única forma de o desemprego deixar de ser, para muita gente, algo de permanente, mas apenas algo de temporário, e dee as pessoas procurarem aproveitar as oportunidades que lhes possam surgir e criar as que não estão imediatamente ao seu alcance, é o Governo realizar uma série de reformas que até agora ainda não passaram do papel, ou nem sequer nele foram escritas. Quando for mais fácil contratar, quando as empresas e as pessoas puderem canalizar as suas receitas para o investimento em vez de para o pagamento de impostos, quando criar uma empresa deixar de ser um pesadelo e a economia for realmente “dinâmica” o suficiente para o risco que as pessoas correm possa valer a pena. Mas para isso, o Governo terá de, em vez de se limitar a fazer discursos, realmente fazer essas reformas. Até lá, as únicas oportunidades que existem são as que Passos Coelho perde de estar calado

quinta-feira, maio 10, 2012

Vasco Pulido Valente sobre o Cinema em Portugal

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«A primeira coisa a compreender sobre o cinema é que não há dinheiro que vede o cinema. Porque os filmes são cada vez mais caros e porque o número de cineastas tende para o infinito.

Se alguém apontar uma câmara para qualquer sítio e carregar num botão, a câmara, coitada, filma fatalmente qualquer coisa. Se se gravarem depois umas conversas, as conversas ficam fatalmente gravadas. E se se puser, por aqui e por ali na banda sonora, um bocado de música, a música lá toca onde a puseram. Uma das tragédias do cinema está em que sai sempre. O mais completo mentecapto, incapaz de comer a sopa sozinho, pode perpetrar com facilidade um filme. Nos últimos anos, bandos de mentecaptos perpetraram, por consequência, filmes.

A seguir, estas criaturas juntam-se em celebrações, denominadas festivais, e atribuem-se reciprocamente "espigas de oiro" ou "salamandras de prata", que, em princípio, premeiam a excelência das suas façanhas. A quantidade de "espigas" e de "salamandras" é mais ou menos igual à quantidade de filmes e, assim, na prática não chega a haver perigo de um filme não se adquirir uma "espiga" ou uma "salamandra" que o recomende. Isto não significa evidentemente que seja visto fora dos festivais, onde vão sobretudo autores de outros filmes à cata de "espigas" e de "salamandras". Uma percentagem altíssima dos filmes portugueses não chega a estrear-se nos cinemas comerciais ou, quando se estreia, não passa de uns dias de exibição. Milhões de contos foram espatifads nestes exercícios clandestinos, a bem da cultura e do nosso querido "imaginário" lusitano»

Vasco Pulido Valente, Retratos e Auto-Retratos, p. 56-57

quarta-feira, maio 09, 2012

Convenção Ateísta Mundial.

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O secularismo militante que promove estas convenções é o mesmo secularismo que minou todas as relações de autoridade tradicionais, que promoveu todas as formas de degeneração moral possíveis e imaginárias e que ameaça destruir a civilização ocidental por dentro, ao negar os princípios fundamentais sobre os quais esta se funda com todas as consequências práticas que isso implica. 

Mas o verdadeiro perigo parece ser a meia dúzia de muçulmanos que protesta o triste espectáculo.

segunda-feira, maio 07, 2012

Admirável mundo secular.

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«It is not one page. It's two. It is all about the right of a woman not to be a mother. Half a dozen no-mothers are interviewed with marvellous stories to tell us. Not a single mother is mentioned or interviewed. I am glad my mother did not exercise that right. What about you? For a moment I wished the journalist's mother had exercised that right. What a trash of a paper Público is becoming.»


Mais uma consequência grotesca e suicidária da sociedade secular. Não deixa, porém, de ser curioso que o secularismo seja tão auto-destrutivo de um ponto de vista darwiniano.